domingo, 4 de julho de 2010
POR FORA E POR DENTRO
sábado, 3 de julho de 2010
DEDILHADO
sexta-feira, 2 de julho de 2010
ONDE TUDO SE RESOLVE
quinta-feira, 1 de julho de 2010
RÉPLICA A ALBERTO CAEIRO
Alberto Caeiro de Hermenegildo Sábat-
Sentes, Pensas e Sabes que Pensas e Sentes
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Dizes-me: tu és mais alguma cousa
Que uma pedra ou uma planta.
Dizes-me: sentes, pensas e sabes
Que pensas e sentes.
Então as pedras escrevem versos?
Então as plantas têm ideias sobre o mundo?
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Sim: há diferença.
Mas não é a diferença que encontras;
Porque o ter consciência não me obriga a ter teorias sobre as cousas:
Só me obriga a ser consciente.
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Se sou mais que uma pedra ou uma planta? Não sei.
Sou diferente. Não sei o que é mais ou menos.
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Ter consciência é mais que ter cor?
Pode ser e pode não ser.
Sei que é diferente apenas.
Ninguém pode provar que é mais que só diferente.
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Sei que a pedra é a real, e que a planta existe.
Sei isto porque elas existem.
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram.
Sei que sou real também.
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram,
Embora com menos clareza que me mostram a pedra e a planta.
Não sei mais nada.
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Sim, escrevo versos, e a pedra não escreve versos.
Sim, faço ideias sobre o mundo, e a planta nenhumas.
Mas é que as pedras não são poetas, são pedras;
E as plantas são plantas só, e não pensadores.
Tanto posso dizer que sou superior a elas por isto,
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Como que sou inferior.
Mas não digo isso: digo da pedra, "é uma pedra",
Digo da planta, "é uma planta",
Digo de mim, "sou eu".
E não digo mais nada. Que mais há a dizer?
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Alberto Caeiro, in Poemas Inconjuntos
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Quadro em que me miro
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Alberto
Meu Caro,
Eu que como tu sou poeta e pensador, que como a Dulce que me deu este pretexto sabemos que pensamos e sentimos e vice-versa, como tu, escrevia, interrogo-me sobre a pedra ou a planta.
Elas não escrevem como nós, nem fazem poemas, não têm ideias que implicam conceitos nem cantam, nem pintam tão pouco ...
Consciência, como dizê-lo ao certo se a pedra ou a planta a têm ...!?
Somos diferentes mas também tu és diferente de mim e embora como eu, escrevas, penses, sintas, tens consciência e mais do que tê-la, como eu, repito, elaboras ideias sobre o mundo e teorias sobre as coisas!
O que é ser mais ou ser menos?
Poderíamos nós, tu como eu, ser alguma coisa sem as pedras ou sem as plantas?
Duvido ...!
É claro que tu como eu para além de gente poderemos ser poetas ou pensadores tal como a Dulce a tudo isso soma a mulher de leis, mas será que por tal nos tornamos superiores!?
Na nossa diferença de gente que somos, os códigos que inventámos permitem, não só que comuniquemos uns com os outros nas nossas tamanhas diferenças como também dizer se somos gente comum, poetas, pensadores ou homens de leis ...
Mas que códigos têm as plantas ou as pedras e se é que deles necessitam para comunicar umas com as outras!?
Se deles não necessitam, não seremos antes nós que diante das pedras como das plantas sofremos de um handicap que nos obrigou a criá-los!?
Os desequilíbrios que criámos no habitat que todos partilhamos, não foram nem as pedras nem as plantas que os provocaram ou foram!?
Então, o que falta saber, meu caro Caeiro, não é se somos superiores ou inferiores em relação a elas ou uns em relação aos outros, antes sim ... se estamos ou não à altura da situação criada.
E o resto, desculpa-me a rudeza (!), o resto é conversa!
Um grande abraço para ti que tanto te admiro, teu
inspirado por Dulce AC na caixa de comentários da página anterior
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 30 de Junho de 2010
