sábado, 31 de julho de 2010

AOS TERTULIANOS

tertúlia
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Por uma vez e porque disso são merecedores, esta minha página tem destinatários explícitos para lá de todos aqueles que sobre o tema desejem reflectir.
O fio de pensamento que até à página anterior desenrolei e que nas que se lhe seguem continuarei a desfiar que implicações tem naqueles que me lêem e, eventualmente, naqueles que, comigo, por aqui vão interagindo?
Nos assim chamados tertulianos, por exemplo, que por aqui circulam e que deste modo tanto se gostam, uns aos outros, de identificar?
Refiro-me, concretamente, a
Dulce AC, Linda Simões, Manuela Baptista, o José Ferreira e eu próprio ...
Que variáveis não se desencadeiam para lá daquilo que eu escreva e tenha ou não nelas qualquer responsabilidade directa ou indirecta?
O poder da palavra ...
A palavra tem um enorme poder!
E quando escrevo aqui, agora em primeira página como já na página anterior, na sua caixa de comentários e aos tertulianos os interpelo, escrevo sobre a palavra em geral e não apenas sobre aquela que paulatinamente, neste meu blogue, vou e se vai produzindo.
Seria prosápia pensar que da minha palavra resultam todos os acontecimentos que entre os assim chamados tertulianos, por exemplo, se desencadeiam ...!
Mas, que poder a palavra não tem!?
Imerso na perplexidade que esta interrogação me suscita motivado por acontecimentos que para aqui não quero tomar a iniciativa de trazer porque a terceiros não desejo expôr mais do que a exposição que eles mesmos consintam, não paro de reflectir sobre ela no desafio que lanço a que a tertúlia, neste sentido restrito como mais amplo, por uma vez, aqui se expanda e desenvolva ...
Repito o desafio lançado pela pergunta que publiquei na caixa de comentários da página anterior:
Até onde vai o poder da palavra e porque imprevisíveis linhas ele se não tece?
E a que responsabilidade maior ela não faz apelo e obriga ...!?
Ou então, que fascinante tema não poderá ser este o de uma tertúlia que para breve já se anuncia ...
Sede bem vindos!
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 31 de Julho de 2010
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Os Tertulianos

sexta-feira, 30 de julho de 2010

FIO DE PENSAMENTO

aurora
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Um fio de pensamento ou tem plausibilidade
consistência
coerência e lógica interna
ou não as tem de todo
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O seu sufrágio prende-se
não com maiorias mas com a sua análise
com o contraditório sistemático
o aprofundar do diálogo e da democracia
que põe à prova até que ponto
esse fio de pensamento

novelo se encontra blindado
e lhes resiste ou não
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A sua blindagem
isto é
plausibilidade
consistência
coerência e lógica interna
não depende do número daqueles que
num dado momento
com ele concordem ou discordem
ou está ou não está contida em si mesmo
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Por mais que clame no deserto
ele fará prova
e tal como uma qualquer constatação científica
irresistível
impor-se-á
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do fio de pensamento que como não escamoteável novelo desenrolei até aqui
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Aurora
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 30 de Julho de 2010

quinta-feira, 29 de julho de 2010

ECLIPSE

eclipse
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Estou numa daquelas noites em que me ocorre que deixe o teclado por aqui a escorrer suor sem pontuação nenhuma até ver onde o parágrafo compacto como peça única ou buraco sem fundo aguentará de um fôlego só a ocorrência que daqui emane sem ao seu sentido o perder de vista nem à leitura a tornar de tão hermética ininteligível à medida que as suas gotas de sal o vão compondo em depósito que cresça sólido em condensação precisa e que não se cinja ao supérfluo nem a banalidades que importaria antes ver sumidas daqui enquanto se alimentam histórias de verão reiteradas de interesse público até que jornalistas e afins alcoviteiras de serviço incluídas partam de férias o que ao próprio interesse logo o questiona na urgência maior que às primeiras sempre as faz ter a primazia mandando o interesse às urtigas e logo o parágrafo se extingue exausto de lérias carente de férias e mergulhando em eclipse sem sol e sem lua exangue
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 29 de Julho de 2010

PACIÊNCIA

Pouso a pena
deixo ao largo
passar tudo o que se encena
tenho de mim a certeza
do calor e do que trema
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Do calor
é o meu amor
é este meu frágil andor
é saber sem tibieza
quanto vale e quanto pesa
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Do que treme
é o meu leme
seguro daquilo que eu reme
pese a forte correnteza
que magoa e que me lesa
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A paciência
elixir
a minha ciência
o surgir
da esperança que me conduz
e me não deixa fugir
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Paciência
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 29 de Julho de 2010

quarta-feira, 28 de julho de 2010

BRASA

Mamede Harfouche, Pavio desfiado
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Chega o pico do Verão e acelero ...
Quereria contrariá-la a esta minha tendência mas não sei se o conseguirei ou quererei fazer ...!
Exactamente quando a generalidade dos internautas fecha as consolas e as deixa em repouso aí vou eu em movimento uniformemente acelerado ...
... velocidade crescente agora como sempre!
O ano passado, só no mês de Agosto, foram mais de sessenta as publicações dadas à estampa ...
Não sei se repetirei igual proeza ...!
Serão lidas, as minhas páginas ou passarão ao largo?
Uma coisa é certa:
Para quem as queira ler e delas se apropriar, é só consultar o arquivo que o tenho por vivo e não por arrumado na prateleira!
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Brasa
calor insano
extravasa
mas o golpe
de minh'asa
recolhe-se à sombra
em casa
do plúmbeo calor que me abrasa
e é com a palavra
que casa
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À sombra fresca da música
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 28 de Julho de 2010

terça-feira, 27 de julho de 2010

O DESTINATÁRIO INCERTO

o destinatário incerto
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Até hoje e para lá de aqui há um destinatário incerto e silencioso que me acompanha sempre ...
Não me comenta, não diz nem que sim e nem que não, mas passa por aqui silencioso, lê-me e avalia e por maior que seja o número daqueles que comigo explicitamente interagem.
Ele vem cá sempre, está cá sempre ...
Ele não, eles já que não se cinge a um tão só a não ser pela característica comum do silêncio que a esses todos, muitos os engloba.
E a minha escrita, eis uma das suas particularidades incontornáveis, ao silêncio sempre o tenta englobar e integrar.
Até por lhe dirigir as não ditas e implícitas perguntas ...
Tal como só há música com silêncio, som com pausa incluída, também só há verdadeira escrita, com densidade, com conteúdos, entre-linhas que dela se deduzem ou emergem, por do silêncio se percutirem e com o silêncio, nela incluído, interagirem.
O silêncio da sua pontuação implícita como explícita.
O silêncio entendido como o destinatário não revelado, não comprovado mas que está lá e ainda que eu próprio ao incluí-lo o crie porque também dele provenho e se desvenda ou vai desvendando ...
Daí também a minha imparável verve que não se extingue e que do silêncio ou do não dito lhe está implícita porque dele nasce.
Sinto que, progressivamente, assim vai mais e mais acontecendo!
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Quem será
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 27 de Julho de 2010

III - EXACTAMENTE ASSIM

densidade
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Foi exactamente assim quando há muitos e muitos anos comecei a escrever
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Perplexo de
com densidade
o conseguir extroverter
e quando pensaria que os aplausos logo se fariam ouvir
que ingenuidade
ao silêncio que se foi
implacável
avolumando
em vez de a ele me deixar soçobrar
fui-lhe sentindo as nuances
o não dito que me escrevia
e tão resiliente
decidido quanto ele
comecei a responder-lhe
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Até hoje e para lá de aqui
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E ao que escrevo gosto de lhe sentir a coloratura
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E ao não escrito o abraço com a desenvoltura de quem não se deixa condicionar por uma visão subjectiva
parcial
limitativa
inquestionável e inequívoca do seu significado
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Só há música com silêncio
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Touch me lightly
feel and wait
give me softly
light to paint
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até este momento e desde o início desta trilogia, ainda não havia nela comentários
publicados. Não Vos inibeis pois de os fazer
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Luminoso
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 27 de Julho de 2010