terça-feira, 7 de setembro de 2010

RÉPLICA A RICARDO REIS

José de Guimarães, Ricardo Reis
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para ser grande, sê inteiro: nada
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Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
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( Odes de Ricardo Reis . Fernando Pessoa. 1ª publ. in Presença , nº 37. Coimbra: Fev. 1933 )
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ode em réplica a Ricardo Reis
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Tento ser como tu dizes
assim
por ti no que escrevo
dou-me inteiro
como jasmim em canteiro
e se brilho como a Lua
a luz é do Sol
sendo tua
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dedicado
a
Linda Simões que com esta Ode me pôs em contacto e me inspirou
a
Maria João que no seu blogue à minha réplica a fez ombrear, em destaque, com o próprio Fernando Pessoa dando-me adicional alento e respiração
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Para ser grande ...
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 7 de Setembro de 2010

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

WHISPER - III -

whisper
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What kind of gift
is Your silence
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As a matter of fact
I don't know
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Shall I guess
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With my whisply sound
I ask for yours
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trilogy to all my readers
usually I write in portuguese and as all the others, portuguese is the Language

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Largo
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 6 de Setembro de 2010

domingo, 5 de setembro de 2010

YOU AND ME - II -

green gift
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If I give I do receive
and the creation I build
is the gift with whom
I will present You
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You and me
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Whom
as an entire person
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Suite
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 5 de Setembro de 2010

WATER DROP - I -

water drop
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I think
that whatever
I give
and write
is a gift
water drop
to be drinked
singed together
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 5 de Setembro de 2010

sábado, 4 de setembro de 2010

A PALAVRA DADA

palavras
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Hoje ocorreu-me parar, deixar a coisa a medrar assim, com todos os conteúdos que em arquivo se guardam ...
A coisa ou mais propriamente, este meu blogue!
E ocorreu-me o que acabei de escrever porque fui tomado por enorme exaustão.
Por um cocktail de sentimentos a explodirem em vulcânica ansiedade a eles somados o cansaço que se avoluma e de que não sei se tereis a exacta medida.
Afinal ela afere-se pela densidade de tudo o que aqui Vos deixo escrito!
Por tudo isso, bem palpável e objectivo, na mira das Vossas objectivas (!), somado aos bastidores ou ao meu contexto que como todos, todos os Vossos, tem altos e baixos, momentos melhores e outros piores.
Momentos piores:
Fico varado quando alguém não cumpre com a palavra dada!
Mais varado ainda fico se, somado ao incumprimento da palavra este se insinua numa nubelosa a poder confundir-se com um favor como se a palavra dada ao primeiro se subordinasse!
Se eu me comprometo com alguém e surja ou não esse comprometimento na esfera das minhas estritas obrigações, a palavra que dou passa, automaticamente, a ser minha obrigação!
E se, para mais, quem a dá a não cumpre, não cumpre, não dá cavaco e se torna incomunicável obrigando-me a todos transtornos que daí decorrem e que, para mais, a terceiros também envolvem, imaginai pois como tudo se abateu sobre mim próprio e sobre os meus mais próximos ...
Chego ao fim da noite como se tivesse sido chicoteado, chicoteado por dentro!
E assim me pus a imaginar em interromper a minha produção, a fazer greve de zelo, a ficar à espera ou a fazer esperar os outros no reconhecimento que tarda e que julgo ser-me devido ...
Não tem sido pouco o que tenho dado, não!
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escrito na madrugada do dia 4 de Setembro, no dia em que a voz das crianças se fez ouvir em tribunal
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Bem aventurada suavidade
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 4 de Setembro de 2010

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

PONTO DA SITUAÇÃO

vertigem
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Depois de atingidas as seiscentas páginas ( posts ) de originais no meu blogue, passei o mês de Agosto obrigando-me a mim próprio a uma desaceleração no ritmo de produção e a frisar, intencionalmente, a tecla da Travessia de um Portal de Acesso, com excepção de três floreados e de uma carta a Sakineh Ashtiani, como quem à saciedade diz que não me enganei, era precisamente aquilo e não outra coisa que Vos queria dizer e sem metáforas, preto no branco.
E dando-Vos a todos tempo adicional de leitura e reflexão da
temática desenvolvida bem como a faculdade de a ela a poderdes contraditar ...!
Instalei, entretanto, quer um contador de visitas, no dia 15 de Agosto, quer, três dias mais tarde, um planisfério identificador, pelo accionamento de pequenos pontos a vermelho, das localidades que, entretanto, por estes ou por aqueles motivos, no Mundo me vão consultando ...
Tenho, aliás e nas caixas de comentários, feito um pequeno registo diário, não apenas do acréscimo de visitantes como daqueles novos locais de onde eles entram em contacto com este meu blogue ...
E, muito embora as pessoas entrem em contacto com o meu como com todos os blogues pelos mais variados motivos o certo é que, agora, já posso aferir com outro grau de segurança de quanto sou lido!
Pena que o mesmo já não possa dizer em relação às réplicas que me façam que tanto desejaria que fossem sistemáticas e produzidas taco a taco ...!
Por exemplo, assim:
Não Jaime, não atravessámos um
Portal de Acesso, isso que dizes é um enorme disparate, por isto assim e assim, assado e aquele outro motivo como seja de que já estaríamos todos desintegrados!
Fazendo a análise, tão depauperada que se encontra (!), dos textos, escrevo em termos gerais e relevando, friso, as honrosas excepções e a eles retorquindo, não no vazio, isto é, com generalidades, mas em função, precisamente, do que vou escrevendo ...
Só assim se estabelece verdadeiro diálogo!
Tenho, por fim, que registar o que pessoalmente me vem, nestas últimas horas, sendo transmitido:
Mas como quer o Jaime que o contraditemos pois se tão difícil é fazê-lo!?
Pois se tão demasiado culto é aquilo que escreve!?
Pois se tanta densidade tem!?
Não me estou a auto-elogiar nem a cantar de alto ...!
Estas têm sido observações que na oralidade, das últimas horas as guardo e que, tereis de me perdoar e só porque foram expressas as registo(!), apenas reforçam as minhas cada vez mais inabaláveis convicções, à luz de cujo
Portal, tudo o que até hoje, aqui escrevi, se torna mais claro, plausível e perceptível ...
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Não canto de alto
tenho a consciência do asfalto
que piso
e se nele corro com siso
repudio a tentação
de tudo saber pois que não
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Longe disso meu irmão
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como se levantam os que têm fome ...!
Em memória dos mortos e dos feridos provocados por levantamentos populares em Moçambique
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Não cairei no abismo
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 2 de Setembro de 2010

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

QUEM SOU

passado, presente e futuro
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Sou astrofísico?
Não, não sou!
Sou especializado em qualquer área das assim chamadas ciências exactas ou das matemáticas?
Não, também não sou!
Tenho alguma formação completa superior?
Não, apenas incompleta ...!
...
Excepcionalmente, transcrevo de Stephen Hawking, do seu clássico Breve História do Tempo, do Big Bang aos Buracos Negros, o que se segue e que serviu de mote a reflexões por mim desenvolvidas em Tese Extra-Curricular no âmbito da Escola Superior de Educação de Lisboa e em que, agora, passados tantos anos, de novo se justifica repegar:
( ... )
" Acaba por ser muito difícil arranjar uma teoria que descreva o Universo de uma vez só. Em vez disso, dividimos o problema em partes e inventamos teorias parciais. Cada uma destas descreve e prediz certo conjunto limitado de observações, desprezando o efeito de outras quantidades ou representando-as por simples conjuntos de números, procedimento que pode estar completamente errado. Se tudo no Universo depende de tudo o mais de uma maneira fundamental, pode ser impossível aproximarmo-nos de uma solução completa investigando isoladamente as partes do problema. Contudo, é certamente este o processo como temos logrado progressos no passado."
( ... )
E se esta citação surge logo no início do seu livro, na sua página trinta da primeira edição em português, das Publicações Gradiva, a encerrá-lo, agora na página 227, continua:
( ... )
" Todavia, se descobrirmos uma teoria completa, deve acabar por ser compreensível, na generalidade, para toda a gente e não apenas para alguns cientistas. Então poderemos todos, filósofos, cientistas e pessoas vulgares, tomar parte na discussão do porquê da nossa existência e da do Universo. Se descobrirmos a resposta, será o triunfo máximo da razão humana, porque nessa altura conheceremos o pensamento de Deus."
( ... )
Solução ou teoria completas ...
Para que algo seja compreendido pela generalidade das pessoas, tem de ser dito ou escrito, caso se consiga, na holística da linguagem comum.
Eis um campo em que me especializei não apenas com as ferramentas que na Escola adquiri mas com o que, nos caminhos imprevisíveis da vida delas consegui fazer potenciar ...!
E é, não tenhamos dúvidas, em linguagem comum que o conhecimento verdadeiramente se integra, globaliza e democratiza!
Tanto faz que em chinês como em português ...!
Sou um pouco de tudo, de astrofísico a teólogo, de economista a filósofo, de Político, bastante (!), a artista, não menos (!), poeta, sem dúvida ...
Em linguagem comum e logo neste meu blogue, a Vós Vos disponibilizo o que da Astrofísica vai até ao âmago de mim mesmo, empenhadamente, dilaceradamente pela prosa e pela poética sem que me divida em partes ou em fracções ...
Em linguagem comum!
Se atravessámos um Portal de Acesso ou um Buraco Negro, até a estes os rebaptizo (!), logo aqui à Travessia a descrevo e em sua defesa alego e, então, poderemos considerar esse rubicão, a ter acontecido como disso estou convencido e sem que o contraditório se contraponha, esse
denominador comum susceptível de se fazer entender, longe daquilo a que Hawking pomposa, um tanto presunçosamente, diria, chamava solução ou teoria completas e que ele me desculpe ou, ainda, o conhecimento do pensamento de Deus tão longe do conhecimento comum como do especializado e entre uma coisa, esse denominador e as outras vai, convenhamos, uma tão assinalável quanto anti-dogmática diferença ...!
O seu a seu dono!
Mas vai também um
denominador comum, mínimo e ainda que grande ou crucial, axial, repito, o Presente, sem cuja assumpção colectiva, provavelmente, na Travessia que realizámos, não estaremos em condições de enfrentar o Futuro com sucesso ...
Com sucesso e sem que, por isso mesmo, do Passado se lhe faça tábua rasa!
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Somos todos mortais
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 1 de Setembro de 2010