domingo, 7 de novembro de 2010

SOU COMO UM JUNCO - II -


fotografia de f pedrosa
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Repego pela mais positiva as Palavras da Manuela, da caixa de comentários da página anterior, e escrevê-las-ia começando assim:
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Sou como um junco
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que navega bem
em águas cristalinas
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( ... )
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E permaneço por aqui nada arrependido das palavras que, em ascese mayor, como o escreveu na mesma caixa Intemporal, dirigi ao Presidente Hu neste Seu segundo dia de visita a Portugal.
Para todos os efeitos, merecedor que entendo delas o ser, Hu Jintao é o Presidente do Povo Chinês que entre nós em visita se faz representar ...
E assim Lhe diria, olhos nos olhos, tudo o que aqui ou onde quer que seja, de meus lábios transporto no coração.
Diplomaticamente, polida e frontalmente, com transparência, como tudo pode ser dito e assim se o saiba fazer sem hipocrisias nem duplas faces, sem esconder pedras nas mãos prontas a arremessar pelas costas ou na primeira ocasião!
E no reconhecimento explícito da importância desta visita que se aos olhos dos comuns poderá não ter nada ou muito de especial, reflectir, apenas, um sinal de capitulação, mas onde pelo que se diz e como se diz mais não revela do que a salvaguarda de uma autonomia que se preserva, mais, de um desafio positivo que se lança (!), para lá da importância que a visita irremediavelmente traduz ...
Pois se a China estará interessada em investir neste país, sinal dos tempos, quem não o poderá, com este sinal, vir a estar!?
E que reflexos não o terá para este povo, o português e no contexto global!?
E que reflexos não o terá também para o povo chinês, na determinação resoluta que nesta postura, determinado me move!?
A Realpotitik, nos dias que correm, não reside num discurso de dupla face e esse, esse é que é gerador de desconfiança ...
... desconfiança essa, em que tanto se especializaram escolas de políticos, que já não engana ninguém, como se vê ...
nem muito menos os mercados!
Sinal dos tempos ...!
Corro um risco, pois corro, mas esse risco é sinal de coragem.
E a coragem é sempre apreciada por homens por muito frios que nos pareçam mas igualmente corajosos ...!
As águas do rio em que como junco eu navego são, faço por que sejam cristalinas!
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no segundo dia da visita do Presidente Hu a Portugal
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 7 de Novembro de 2010

fotografia de f pedrosa

sábado, 6 de novembro de 2010

CARTA AO PRESIDENTE HU - I -


fotografia de f pedrosa
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Presidente Hu Jintao
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Sou como as águas de um rio
um rio que corre límpido
transparente
cristalino para o mar
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De cujos lábios sai assim
por impulso
como um poema
o que deles do coração vem
nas saudades que guardo da
China
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Do Império do Meio
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E que de meus lábios saindo
te saúdam quando nos visitas
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Assim aprendi a fazê-lo
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De coração apertado
agrilhoado como estará o coração de
Liu
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Olho para ti
e vejo-te homem como eu
com vontade de ser rio
e ir ao encontro do mar
das águas com sal
lágrimas que nos unem a todos
continentes fora
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Neste mundo pequenino
e que nos transfiguram e fazem iguais
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Iguais
na comunhão
de um comunismo
finalmente maduro
despojado do seu pecado original
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Olho para Ti
e resoluto choro
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coincidindo com a visita do Presidente da República Popular da China a Portugal
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 7 de Novembro de 2010

fotografia de f pedrosa

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

DEMOCRACIA VERSUS TOTALITARISMO - II -

Numa altura em que nos espaços geográficos em que prevalece a Democracia, como o sejam a Europa, e quando neles, por força das circunstâncias, se cortam a eito direitos que se tinham por adquiridos, torna-se legítimo perguntar quando e se, esses cortes, algum dia virão a atingir as liberdades fundamentais até porque, neles mesmos, indirectamente que o seja e quer se queira quer não, no exercício destas últimas entroncam e se reflectem.
Não estejam garantidas as condições de disponibilidade material que ao exercício das liberdades conduz e a que é que, na prática, estas se acabam por reduzir ou circunscrever ...!?
Quem, na desigualdade crescente que por via desses mesmos cortes se acentua, acabará por estar em condições, na asfixia crescente que aos cidadãos é imposta, de às liberdades, sem medo, as usufruir e exercer!?
Reforçar-se-á ou não, neste contexto, a convicção ou a percepção cada vez mais generalizadas de existirem cidadãos de primeira e outros de segunda!?
E que Democracia tenderá a ser essa, cada vez mais reduzida aos seus contornos formais, senão uma espécie de totalitarismo envergonhado ou apenas democracias mitigadas legitimadas, é certo, pelo exercício do sufrágio universal, fundamental mas o que é pouco, muito pouco, na substância que se tende a esvair pela impossibilidade física, material, que aos cidadãos os levará a absterem-se do exercício efectivo da própria cidadania e que neste, no sufrágio não se esgota!?
As fronteiras entre Democracia e totalitarismo são, sempre foram frágeis e muito ténues e nos tempos que passam, estas minhas interrogações assumem particular relevância, acutilância maior ...
... e tanto maior quanto o poder político estiver cada vez mais distante do cidadão concreto e comum!
Do cidadão comum, repito!
Como se este lhe fosse indiferente nos jogos de bastidores que sempre aos mesmos grupos os tendem a perpetuar e reproduzir no seu exercício e nos jogos palacianos que ao cidadão comum, anónimo, desprovido de exércitos ou tropas de choque, de capacidade de pressão, permanentemente o esquecem ou tanto o parecem omitir ...!
A fronteira entre uma coisa e a outra, entre Democracia e totalitarismo de tão frágil e subtil que é, quase que não se dá por ela e mais ainda quanto a situação verdadeiramente o exigiria que clarificasse, no draconiano das medidas que a todos, implacáveis, nos obrigam e tendem a subjugar ...!
Quem não é capaz de ver isto tem muito pouca cabeça ...
Cabeça ... falta cabeça a quem a não tem!
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desafiando a Democracia a mostrar não apenas a sua quantitativa mas a sua qualitativa diferença, qualidade superior, perante os constrangimentos em que há tantos anos vivo mas diante dos quais não deixo, por isso, de exercer integralmente a cidadania e o direito à indignação de que eu, como todos, somos usufrutuários herdeiros e portadores
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 5 de Novembro de 2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

CORTAR A EITO - I -

Desafiando o correr contabilístico dos dias, o rame-rame que se arrasta no sabor ácido dos números onde não passamos de estatística, o filme de terror como já houve quem lhe chamasse e onde uma implacável cortina se abate toldando espíritos e horizontes, aqui me mantenho teimoso qual balão de oxigénio ...!
Corta, corta e corta e volta a cortar, insistem economistas sapientes e qual deles julgando dizer a última palavra enquanto os políticos se assanham tentando, em vão, demarcar-se uns dos outros e enxotando para lá as responsabilidades que afinal a todos, repartidas e nas devidas proporções lhes assentam que nem uma luva, pela situação a que se chegou e tanto mais quanto no estrito discurso rasteiro dos números em que, sem que os devessem escamotear, porém, fazem, tão só, por persistir.
A todos incluindo àqueles que cultivando a oposição sistemática não deixam, de há muito, de ser serventuários de regimes, quiçá, à beira do precipício!
Corta, corta, corta por oposição a achar-se que não, que não existem obrigações internacionais a cumprir e que de há muito se adiam ou tentam camuflar, afinal, duas faces de uma mesma moeda que, qual sistema de vasos comunicantes, nos conduziu até aqui ...
Aprovem-se orçamentos restritivos e façam-se greves gerais ao mesmo tempo, sem os quais logo as segundas perderiam razão de ser, nisto se poderia resumir o paradoxo em que com cegueira acrescida se persiste para lá de toda a razoabilidade!
E neste quadro se amplia e melhor percebem todos os constrangimentos e debilidades de uma Europa sempre pronta a exigir maior bem estar, manietada por toda a ordem de corporações e interesses, de estrangulamentos também e na sistemática recusa em olhar para o Mundo envolvente e que a interpela a que a uma só voz, desejar-se-ia (!), mudasse de vida, conformando-se num olhar, simultaneamente, realista e prospectivo para o cada vez mais inadiável, o verdadeiramente Político e que parece cada vez mais ausente, omisso dos discursos.
Sim, porque é da Europa que falamos quando ao país A, B ou C nos referimos, feios, porcos e maus que o possam ser (!), já que da situação deles poderá, por arrasto, depender toda a sanidade económico-financeira de um espaço geográfico cada vez mais interligado à luz do qual e apenas à luz do qual, nos dias que correm, faz em crescendo e cada vez mais sentido falar ...!
Se exige que se fale!
Mudar de vida sem que irremediavelmente se ponham em cheque as especificidades que à Europa a moldaram, eis o desafio em que todos, europeus, refugiando-se, contudo, em tacticismos de vistas curtas, se obstinam em não querer encarar de frente ...
Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão!
Ou cada qual dela tem apenas uma ínfima parcela ...
... e o que resta saber é se solidários e reforçando a União nela dando, com determinação, um salto em frente, especificidade maior (!), os europeus terão ou não aprendido, politicamente, com esta lição que guardam da sua História!
À Europa ... o que lhe falta é cabeça!
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num olhar excepcional e especificamente europeu, aquele grande espaço em que, afinal, eu me integro
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 4 de Novembro de 2010

ABERTURA - III -

open windows, open spaces
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Nada de mais objectivo do que eu - venham dizer-me que o não sou (!) - e sendo eu objectivo sou, simultaneamente, logo no que de mim se espelha pela escrita, intrinsecamente democrático, plural, cromático, pluri-semântico, não confinável a um sentido apenas e, também, subjectivo.
Mas sem a subjectividade, a que lato senso poderemos, se quisermos, chamar Política, do objectivo não se chega a lado nenhum.
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por todas as ameaças do terror que têm sido neutralizadas com sucesso e na liminar condenação da pena de morte como bárbaro terror de Estado onde quer que ela se pratique, lembrando Sakineh Ashtiani cujo enforcamento se anuncia para hoje
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La Girondola
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 3 de Novembro de 2010

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

ABERTURA - II -

open windows, open spaces
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Há no que escrevo, a permanente perspectiva que tento cultivar de não dizer coisas redundantes e fechadas, antes sempre fazendo por deixar janelas, frestas entreabertas que sejam, que permitam a quem me lê, sem adulterar ou escamotear o que foi escrito, ir mais além do que explicitamente lá está.
Não escrevo, peremptoriamente, que é assim ou assado, interrogo antes se é assim ou assado ...!?
No texto anterior, do condicional, se eu não abrisse janelas, parto para a interrogação, que oportunidades daria a quem, lendo-me e para lá delas vendo, outras e mais as quisesse abrir?
Se a minha escrita fosse redundante, quem, a partir dela, outras interrogações, janelas, as poderia colocar ou abrir!?
Abri-las-á ...!?
A partir dela, da minha escrita, repito, e por mais objectiva que a ela a faça por cingir-se ...
Objectiva:
1. Lente que está voltada para o que se examina.
2. Linha que tende para o ponto que se quer atingir.
Objectivo:
1. Relativo ao objecto ...
2. Relativo a objectos externos a nós.
3. Procedente de sensações (em oposição a subjectivo).
4.
Que está voltado para o objecto que se examina (em oposição a ocular).
5. Diz-se da objectiva (linha).
6. Directo.
7. Alvo, fim, propósito.
8. Ponto, linha ou zona do terreno a bater pelo fogo (bombardeamento) ou a conquistar pelo movimento e pelo choque (ataque).
( in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa )
Objectiva, objectivo, em ambos os casos directo, havendo, naquilo que escrevo, uma linha de continuidade há um propósito que mesmo que se explicite, é sempre deixado ao critério de quem me lendo, por si próprio desoculte, conclua, contradite ou desenvolva em linha transversal que pelo impacto batido da escrita, no seu movimento ou choque, venha a conquistar ou seduzir.
Sem escrever explicitamente que deva ser assim ou assado.
Numa atitude intrinsecamente democrática!
Intrinsecamente porque interior à própria escrita.
E assim se abrem mais e mais janelas ...
... janelas que às oportunidades as desencadeiam ou estimulam ...
Eu, pelo menos, sinto-me estimulado a abri-las e a desencadeá-las!
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na eleição de Dilma Rousseff, primeira mulher Presidente do Brasil e no veemente repúdio por mais uma acção de terror contra uma igreja em Bagdad
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Cantabile
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 1 de Novembro de 2010

ABERTURA - I -

open windows, open spaces
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Se eu não abrisse janelas, que oportunidades daria a quem, através delas, por aqui as lendo e para lá delas vendo, outras e mais as quisesse abrir?
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a propósito de um diálogo
com intemporal, nele a todos os que não param de me incentivar e, com Istambul no coração, no repúdio pelo terror que estropia e mata, implacável, fechando janelas de esperança e de oportunidades
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Sanctus
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 1 de Novembro de 2010