fotografia de Manuela Baptista, hEra
Como escrevia na página anterior, daqui em diante fixar-me-ei pois, mais e mais noutro plano, aquele que eu próprio criei e dele não faço tensões, em princípio, de me retirar.
Esse plano tem o tamanho da minha ambição, da minha legítima ambição …
Vamos pois considerar:
Imaginemos que a Democracia para ser plenamente aprofundada, realizada, não basta embora seja indispensável, que nela se realize a vontade da maioria que apenas pela sua representatividade conseguida através do sufrágio universal e do sistema pluripartidário pode ser garantida;
Não basta que seja salvaguardada a divisão de poderes que se traduz, não apenas nos planos autónomos mas interdependentes dos poderes representativo, legislativo, executivo e judicial garantindo a implementação de um verdadeiro Estado de Direito;
Não basta que seja, ainda, salvaguardada a separação entre o poder temporal e o intemporal ...
Mas que a todas estas garantias uma outra lhe seja acrescentada, qual cereja em cima do bolo e garante das minorias tão minoritárias quanto estas se revejam no próprio indivíduo singular ou garantia da sua máxima diversidade, um poder residual de influência não sufragável no sentido estrito mas escrutinado à lupa e a confundir-se com o cidadão comum.
Que exigiria deste uma prova a estender-se, implacável, no tempo, pondo, não apenas à prova a sua resiliência na fidelidade constante, perseverante à própria Democracia mas desafiando-o sem que lhe fosse dito, implicitamente portanto e deixando-o por sua conta, a aprofundar, quanto mais globalmente, abrangentemente melhor, a Doutrina Política dando-Lhe, à Democracia, ao sistema democrático e global um rosto, personalização, carácter;
Individualidade;
Raízes;
Num sistema abrangente de valores que abrisse uma nova era …!
Que se desenvolvesse por meios pacíficos e consistentes!?
E que eu tinha atingido essa meta sem guerras de qualquer tipo, sem exercer violência física ou psicológica, sem tropas de choque ou de pressão na salvaguarda e no respeito pela pessoa humana, expondo-me publicamente e para lá de quais fossem as colorações políticas ou outras desde que democráticas, mantendo sempre a equidistância em relação a todos os poderes e instituições!?
Na salvaguarda da equidistância entre República e Monarquia Constitucional, na Coisa Pública que aqui, exposta, se afirmasse!?
Equidistante de Nações, Povos e Culturas como câmara de silêncio para a qual, agora, mais e mais me predispusesse …
Que lugar, pelo mérito demonstrado, garantia maior em que ao fim de vinte e dois anos persisto como persistirei e pesem todas as omissões (!), me deveria ser emprestado!?
Será que o mérito não tem de ser globalmente reconhecido na catarse que, implícita, pela confiança desabrida no sistema induziria!?
E será que todos e a começar pelo sistema democrático global, não teremos a ganhar com isso, com essa consagração!?
Imprescindível Actor, aqui transparentemente aberto ao contraditório e à mão de semear …!
Esse foi o plano, o Plano Político que criei e do qual não faço tensões de me retirar, desviar muito menos!
Jaime Latino Ferreira
Estoril, 7 de Maio de 2011