quarta-feira, 18 de maio de 2011

SE EU FOSSE MUITO PODEROSO - I -

o que aqui escrevo em tese parte do pressuposto de um espaço democrático assente na divisão de poderes e no Estado de Direito, onde as instituições funcionem regularmente

 

Há coisas que são inomináveis e que cabe, tão só, aos tribunais apurar mas se eu fosse, em tese, muito poderoso ou se guardasse expectativas de poder ainda maiores, se essas coisas me seriam, como são, logo em consciência e enquanto cidadão comum interditas não quereria, melhor, não poderia, tão pouco, dar-me ao luxo de ser incauto.
Incauto de falta de cautela ou de imprudência, atributos prejudiciais, contrários ao exercício do poder.
Como tal, factura que se paga, sem dúvida, mas que se assume ou não, desejaria estar permanentemente protegido em nome da minha própria integridade e em nome do exercício estável do poder que me viesse a ser ou estivesse confiado.
Integridade …
Quando falamos de integridade, falamos de integridade física tout court mas também de integridade em sentido amplo, da integridade indispensável ao exercício dos cargos que nos sejam delegados.
Deste modo a protecção permanente que me fosse garantida se impede a agressão à minha integridade física dissuade que contra ela se armadilhem situações que à minha integridade, enquanto pessoa, a pudessem vir a questionar.
Não me poderia, pois, comportar como um cidadão comum ou pretender andar por aí à vontade, de dia ou de noite.
Não poderia, tão pouco, ter assomos de liberdade que as opções por mim feitas, elas próprias livremente por mim feitas, denegariam.
Assim exigiria, vinte e quatro sobre vinte e quatro horas por dia, ser tratado como um prisioneiro, de excepção, sem dúvida, mas cujos passos fossem permanentemente vigiados assim como, não menos importante e implicitamente, testemunhados!
Deste modo e neste sentido, dissuadido seria de fazer o que não devo, o que não posso, o que liminarmente condeno e por incauto é que não poderia ser tomado.
Eis um dos preços que se pagam, hélàs, pelo exercício do poder, preço tanto maior quanto o poder o possa vir a exigir.
Não se pode ser, em simultâneo, poderoso e gozar da liberdade de um cidadão comum.
Provavelmente … hoje mais do que nunca!



Jaime Latino Ferreira
Estoril, 18 de Maio de 2011

segunda-feira, 16 de maio de 2011

DESTE LUGAR


Deste lugar que criei
o que vejo semeei
um pé na terra e no ar
o outro que os faz andar

Dois na terra rastejar
léguas sem fim nem lugar
circular em que rondei
o que não mais encontrei

Um na terra o que guardei
seiva com que alimentei
tudo o que dou e que sei

No ar pé do meu sonhar
com o qual não vou parar
como flauta de tocar


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 16 de Maio de 2011

sexta-feira, 13 de maio de 2011

O PLANO QUE CRIEI - III -


fotografia de Manuela Baptista, hEra

Que lugar, pelo mérito demonstrado, garantia maior em que ao fim de vinte e dois anos persisto como persistirei e pesem todas as omissões (!), me deveria ser emprestado!?


Empréstimo …
O Mundo foi-nos dado por empréstimo e do que dele façamos, aquilo que merecemos!
Nada do que tenho, senão transitoriamente é meu.
Tudo o que venha a ter, apenas transitoriamente será meu …
… meu por usufruto!
Falta este meio termo entre a propriedade pública e a privada, a usufrutuária ou aquela que se detém apenas em função do mérito escrutinado e apenas enquanto este não prescrever.
Tal como o lugar de que falo na citação acima e que não poderia senão ser encarado como um empréstimo transitório debitado em função do mérito permanentemente escrutinado.
Valor de negatividade abrangente.
Negatividade de numeração negativa, esse potencial económico por explorar em contraponto do ter cada vez mais e do que sendo público, neutro, sendo de todos não é de ninguém quando não fica a saque!
A ser usufruído pelo mérito e apenas em função dele reconhecido, merecido.
Tal como o Mundo não é meu nem nosso, apenas nos foi emprestado, também a minha Obra a estender-se por décadas já e até aqui nunca contraditada (!), não é verdadeiramente minha.
Ela é-me, pelos meus dotes, eles mesmos emprestados, debitada a meu favor
Não a registo, dela não recebo direitos nem recorro, por minha iniciativa, a outra intermediação que não a deste blogue, é nossa e sem esse sentido de pertença, de usufruto universal, sem esse espírito de Serviço perderia também todo o seu sentido.
É por empréstimo que usufruirei de um lugar residual mas global de representação exercendo o público silêncio, esse bem em escassez absoluta mas, todavia, permanentemente escrutinável e não faltam mecanismos democráticos para o fazer, lugar que não será meu mas do Povo, eu dele apenas e enquanto merecedor usufrutuário, actor imprescindível ou imperador do silêncio público pelo exercício da palavra nos bastidores ou por escrito em última instância, ao qual todo este exercício a que me tenho livremente sujeitado me empresta essa dívida creditada (!), ao dispor da Humanidade.
Da Humanidade no seu conjunto!
Plano ...
Um palco sem púlpito, musical ... silencioso.



Jaime Latino Ferreira
Estoril, 13 de Maio de 2011

terça-feira, 10 de maio de 2011

O PLANO QUE CRIEI - II -


fotografia de Manuela Baptista, lique(n)feito

a todas estas garantias uma outra ter-lhe-á de ser acrescentada, à Democracia, qual cereja em cima do bolo e garante das minorias tão minoritárias quanto estas se revejam no próprio indivíduo singular ou garantia da sua máxima diversidade, um poder residual de influência não sufragável no sentido estrito mas escrutinado à lupa e a confundir-se com o cidadão comum.

Não há minoria mais minoritária do que aquela que se revê no próprio indivíduo singular e cumpridos que sejam os preceitos da Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão.
É nele que as suas garantias, as garantias das minorias, a outra face mais esquecida da realização da própria Democracia mas indissociável do cumprimento da vontade da maioria, se revêem:
Se à luz dessa mesma Declaração a soberania, sagrada, inviolável, reside na nação esta não se realiza, também, sem que no primeiro, no cidadão se reveja e tanto mais quanto este àquela, na sua integralidade, a salvaguarde.
Assim e tal como a soberania das nações é inviolável, sagrada esta apenas se cumpre na sacralidade, na inviolabilidade da soberania singular.
E é aqui, no cumprimento, enchimento deste sistema de vasos comunicantes, que falta, que urge aprofundar a Democracia!
Sob pena da acção política se esvaziar de conteúdo ou seja, desta perder o enfoque na deriva que a desumaniza, isto é, que à pessoa humana que ela tem de ter por meta a atingir possa, tenda a esquecer.
E o cidadão, esse não se sufraga:
Ou é ou não é!
Ele não se divide em partes:
É!
Escrutina-se, quanto muito, e tanto mais quanto este a isso voluntariamente se disponha:
Expondo-se publicamente e dando-se a aferir;
Numa prova a estender-se no tempo e dispondo-se, a contra-corrente, a uma longa travessia do deserto que o teste e ateste.
Num tempo de globalização acelerada e varridos todos os confins de um Mundo, finalmente, a descoberto, também nação adquire um significado particularmente abrangente:
O Mundo, ele próprio, se transforma na nossa Pátria, Pátria das pátrias nas pátrias, Culturas, línguas, nações que perfilhamos.
E estas mais não têm do que coexistir pacificamente nos desafios que com crescente acuidade, perante as alterações climáticas que o interpelam e que se reflectem na evidente escassez e carestia de recursos energéticos, alimentares e da água, essa acuidade fundamental (!), esses bens universais que não podem ser alienados.
Alienados do seu fim, objectivo essencial:
O indivíduo, o cidadão, a pessoa humana a quem eles se destinam sem exclusão de ninguém, e a quem antes de mais e universalmente, têm de beneficiar nas fronteiras que a crise ambiental não conhece e diante de cuja escassez de recursos as disputas nacionais, elas próprias tendem a tornar-se, verdadeiramente, imorais.
O universo confunde-se e remete, deste modo e aqui também, com e para o próprio cidadão!

 
Jaime Latino Ferreira
Estoril, 10 de Maio de 2011

sábado, 7 de maio de 2011

O PLANO QUE CRIEI - I -


fotografia de Manuela Baptista, hEra

Como escrevia na página anterior, daqui em diante fixar-me-ei pois, mais e mais noutro plano, aquele que eu próprio criei e dele não faço tensões, em princípio, de me retirar.
Esse plano tem o tamanho da minha ambição, da minha legítima ambição …
Vamos pois considerar:
Imaginemos que a Democracia para ser plenamente aprofundada, realizada, não basta embora seja indispensável, que nela se realize a vontade da maioria que apenas pela sua representatividade conseguida através do sufrágio universal e do sistema pluripartidário pode ser garantida;
Não basta que seja salvaguardada a divisão de poderes que se traduz, não apenas nos planos autónomos mas interdependentes dos poderes representativo, legislativo, executivo e judicial garantindo a implementação de um verdadeiro Estado de Direito;
Não basta que seja, ainda, salvaguardada a separação entre o poder temporal e o intemporal ...
Mas que a todas estas garantias uma outra lhe seja acrescentada, qual cereja em cima do bolo e garante das minorias tão minoritárias quanto estas se revejam no próprio indivíduo singular ou garantia da sua máxima diversidade, um poder residual de influência não sufragável no sentido estrito mas escrutinado à lupa e a confundir-se com o cidadão comum.
Que exigiria deste uma prova a estender-se, implacável, no tempo, pondo, não apenas à prova a sua resiliência na fidelidade constante, perseverante à própria Democracia mas desafiando-o sem que lhe fosse dito, implicitamente portanto e deixando-o por sua conta, a aprofundar, quanto mais globalmente, abrangentemente melhor, a Doutrina Política dando-Lhe, à Democracia, ao sistema democrático e global um rosto, personalização, carácter;
Individualidade;
Raízes;
Num sistema abrangente de valores que abrisse uma nova era …!
Que se desenvolvesse por meios pacíficos e consistentes!?
E que eu tinha atingido essa meta sem guerras de qualquer tipo, sem exercer violência física ou psicológica, sem tropas de choque ou de pressão na salvaguarda e no respeito pela pessoa humana, expondo-me publicamente e para lá de quais fossem as colorações políticas ou outras desde que democráticas, mantendo sempre a equidistância em relação a todos os poderes e instituições!?
Na salvaguarda da equidistância entre República e Monarquia Constitucional, na Coisa Pública que aqui, exposta, se afirmasse!?
Equidistante de Nações, Povos e Culturas como câmara de silêncio para a qual, agora, mais e mais me predispusesse …
Que lugar, pelo mérito demonstrado, garantia maior em que ao fim de vinte e dois anos persisto como persistirei e pesem todas as omissões (!), me deveria ser emprestado!?
Será que o mérito não tem de ser globalmente reconhecido na catarse que, implícita, pela confiança desabrida no sistema induziria!?
E será que todos e a começar pelo sistema democrático global, não teremos a ganhar com isso, com essa consagração!?
Imprescindível Actor, aqui transparentemente aberto ao contraditório e à mão de semear …!
Esse foi o plano, o Plano Político que criei e do qual não faço tensões de me retirar, desviar muito menos!


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 7 de Maio de 2011

terça-feira, 3 de maio de 2011

DAQUI EM DIANTE


Madu_lopes, Cidadeando

Daqui em diante e depois de me ter visto forçado a replicar Camões e a pronunciar-me, não o poderia ter deixado de fazer (!), sobre a morte de bin Laden, passarei a espaçar no tempo as minhas páginas de tal maneira que, apenas em última instância as publicarei!
Durante estes últimos dois anos e cinco meses e como o escrevi no meu perfil, senti-me na obrigação de me desdobrar quase diaristicamente com vista a que este, o meu perfil, fosse, no meu blogue e publicamente, rápida e de forma suficientemente abrangente desvendado …
Podereis consultá-lo, ao meu perfil, lendo-me de fio a pavio!
Cumprida essa meta, outro ritmo se impõe, sob pena de me ver, eu próprio, arrastado, engolido pelos acontecimentos coisa que em tudo faço como sempre fiz questão de salvaguardar, eis a minha marca de água (!), assim como de não me confundir com um simples comentador ou analista.
E deixo, na primeira pessoa e de há três páginas a esta parte, a soar:

Quem ora soubesse
que o semeasse
não vi em meus anos
que muito durasse
quem ora soubesse
que o semeasse
não vi em meus anos
que não magoasse

… como se me impusesse a mim mesmo, como diz a legenda da ilustração que encabeça esta página, o lema quem ama deixa livre!
Livre de por amar … saber delegar!
Nem sobre os constrangimentos que se anunciam aos meus concidadãos, meus próprios também (!) e sobre cujo enquadramento geral não me coibi de exaustivamente sistematizar, me irei, em princípio, pronunciar já que haverá, não o duvido, quem sobre eles, no concreto, mais habilitado esteja do que eu para o fazer …!
Situar-me-ei pois noutro plano, aquele que eu próprio criei e dele não faço tensões, em princípio, de me retirar.
Aqui fica para Vosso cabal esclarecimento apelando, em simultâneo, à Vossa paciência e compreensão!
Estarei atento por aqui, Convosco sempre atencioso, Vosso


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 3 de Maio de 2011

segunda-feira, 2 de maio de 2011

BAIXA


O terror sofreu uma pesada baixa simbólica com a morte de Bin Laden.
Quando, a 11 de Setembro de 2001, este se tornou globalmente conhecido, todos nos sentimos atingidos e independentemente de sermos ou não americanos ...
... ou todos nos sentimos americanos!
Todos nos sentimos por ele feridos e manietados e independentemente das nossas crenças, culturas ou ideais.
Todos nos sentimos amputados na nossa capacidade de amar, reféns que dele nos colocou e virando-nos uns contra os outros, no inominável do terror perpetrado e que na sequência deste atentado, em réplicas sucessivas, com muitos outros nos atingiu em vagas anestesiantes e inqualificáveis.
O terror sofreu uma pesada baixa simbólica!
Mas não nos equivoquemos:
Com ele foi aberta uma nova era de meandros subterrâneos, sinuosos e mutantes, sempre prontos a virarem-nos uns contra os outros e a subverterem, fragilizando-os, os alicerces da convivência democrática, cosmopolita e global.
O subterrâneo do seu território privilegiado de acção é aquele que tenta subverter a soberania individual e que dela, não fora pouco (!), apenas se destrinça pelos meios utilizados, meios esses que fazem a diferença no reconhecimento do singular e susceptíveis de ao terror o poderem neutralizar.
Neutralizar sim porque não se pense que este, o terror, pode ser eliminado!
Escrevo, entenda-se (!), sobre a neutralização política e não logística do terror!
Pensar de outra maneira seria desarmarmo-nos na luta desigual que contra ele travamos …
Com a morte de Bin Laden o terror sofreu uma pesada baixa simbólica!

declaração oficial do Presidente Obama

Jaime Latino Ferreira
Estoril, 2 de Maio de 2011