A força do que não se vê é maior, suplanta aquela do que se vê.
Mas ela tem de estar, residir implícita naquilo que se vê.
Naquilo que se escreve.
Escrever sabendo remeter para o que não se escreve, eis o que pode caracterizar uma luminosa trilogia!
Um escrito cheio de oculta complexidade, de luz …!
Escura luminosidade …
Escuridão que irremediavelmente atrai!
Absorve …
Tal como um Buraco Negro e do qual, dessa outra coisa maior (!), afinal, também se torna, a escrita, num seu reflexo.
Buraco que, uma vez por ele apanhados pelo seu raio de atracção, nos tornamos no objecto da sua acção e não em meros observadores a ele imunes e dele distanciados.
Na nossa sistemática cegueira que, numa persistente teimosia, insiste em fundar-se, basear-se apenas no que se vê e, nem mesmo quando o próprio conhecimento científico admite não estarmos em condições de desenvolvimento tecnológico suficiente que a tudo permita ver, nem aí o estamos dispostos a admitir …!
Sabe-se que um Buraco Negro apenas se detecta, não porque se veja, ele não se consegue ver no estado de desenvolvimento tecnológico em que nos encontramos, mas pelas reacções que à sua volta desencadeia e que a ele, implicitamente, escondido o sugerem.
Assim, apenas pelo reflexo do reflexo e do reflexo, estando nós no centro da sua acção que por maioria de razão não conseguimos ver, pelas manifestações por ele desencadeadas, seus reflexos, poderemos estar em condições de a ele, na sua travessia, o admitir:
Reflexo que as alterações ambientais, somadas à predação do Homem, em si mesmas o são já;
Reflexo que a aceleração histórica o sugere;
Reflexo que a economia, no afundamento e na desintegração em que patina, apenas o é;
Reflexo que a política, ela própria o traduz, não apenas pela fragilização crescente das plutocracias mas pela própria fragilização do sistema democrático de representação política;
Reflexo que, por exemplo, a osteoporose enquanto manifestação patológica da fragilização da massa óssea o induz!
Reflexo de reflexo de outro e outro mais reflexo num encadeado factual a manifestar-se sem fim …
Fenómenos que nos obstinamos em observar isoladamente caindo num crescente mio-estrabismo crónico!
E se se sabe que a massa absorvida por um Buraco Negro permanece do outro lado ao qual se deixa de ter acesso a não ser sendo dele o objecto da sua acção e que nela apenas se altera, ligeiramente, a sua organização, quem nos garante não estarmos a olhar para o conjunto dos reflexos aqui elencados mas aos quais muitos outros lhes poderiam ser somados, de uma forma anti-sistémica completamente errada exactamente por nos recusarmos a admitir essa hipótese o que nos incapacitaria de os atacar, no seu todo, devidamente!?
E com que irreparáveis consequências a prazo …?
Jaime Latino Ferreira
Estoril, 1 de Junho de 2011
Estoril, 1 de Junho de 2011







