quarta-feira, 29 de junho de 2011

HÁ UM LUGAR POR PREENCHER


a democracia só pode ser aprofundada confiando nela e eu nela confio

Há um lugar Político que se encontra, descobre, que não depende tanto de maiorias como de minorias, ele é, absolutamente, minoritário, singular, lugar esse cujo preenchimento, ele está por preencher cumpridos que sejam certos requisitos (!), apenas de quem o saiba criar e dele estar à altura depende.
Apenas é um favor …!
Na acção política que o candidato a esse lugar venha a prosseguir, resumem-se esses requisitos:
Ao integral respeito pela Democracia o que implica a valorização e a salvaguarda, sem beliscadura, da democracia representativa e do Estado de Direito;
À salvaguarda da equidistância sem a qual, esse lugar, não acrescenta nada de novo;
À criação dos fundamentos, tão globais e estratégicos quanto o possível, que a esse lugar, o candidato venha a desenvolver e o justifiquem de vir a preencher.
Aos requisitos somam-se as qualidades que, como os requisitos, apenas no tempo, no exercício sistemático da não violência, se tornam possíveis de aferir:
Constância;
Persistência;
Resiliência …
Eis apenas algumas delas das quais, apenas o tempo, repito, se torna seu exigente avalizador!
Vós, cada um de Vós que me seguis neste meu blogue tendes deles, desses requisitos e qualidades uma panorâmica muito abrangente embora eu não pare de Vos alertar tratar-se este, o meu blogue, apenas a parte mais visível de uma acção Política que, embora sempre pública e registada mas iniciada com outra discrição, se desenvolve de há mais de vinte e dois anos a esta parte.
Aos meus interlocutores, será bom de frisar, nunca lhes faltei ao respeito nem fui tomado pela intolerância nem me deixei toldar pela impaciência.
Paguei, é certo, um preço muito elevado quer pela minha frontalidade desabrida como pela ousadia em que persisto como persistirei, não desisti nem arrepiei caminho, dei provas da minha imensa flexibilidade e da capacidade de ajustamento ao fluir do tempo mas, no seu todo, a minha estratégia conserva toda a sua actualidade prospectiva …
Por maioria de razão, a sua imensa pertinência!
Sem querer ser catastrofista nem messiânico, atitudes que nunca cultivei e que, ao longo deste meu blogue logo se comprovam, há, no entanto, um lugar por preencher e que a não ser preenchido, o que não está nas minhas mãos (!), deitará a perder o aprofundamento da Democracia sem o qual esta se fragilizará no todo global, com custos de consequências cada vez mais imponderáveis como os tempos, aliás, o vão demonstrando!



matérias como os tráficos, o terror, a corrupção, a imponderabilidade económico-financeira ou a sustentabilidade democrática e ambiental ou são atacados política, global e concertadamente de cima para baixo ou, encarados como manta de retalhos, não o serão com efectividade






Jaime Latino Ferreira
Estoril, 29 de Junho de 2011




segunda-feira, 27 de junho de 2011

AOS POLÍTICOS DEMOCRÁTICOS DO MUNDO INTEIRO


A Vós me dirijo interpelando-Vos a que olhais para aqui!
Para aqui, para este meu blogue e já para não falar em tudo, o muito que o antecede e que corrobora, como não o poderia corroborar (!?), a tudo o que em manifesto, agora, Vos dirijo:
O Mundo patina, patina numa deriva económico/financeira que ameaça globalmente as próprias instituições democráticas.
Não apenas as daqueles países que, na linha da frente ou ditos periféricos se afogam na crise das suas próprias dívidas soberanas quando não em revoluções democráticas nunca antes vistas mas a de todos os que, por arrasto ou por contágio, como não poderiam deixar de ser contagiados (!?), a esses países não podem deixar de associar-se, tanto para o bem como para o mal …!
No meio disto tudo, partidos, indispensáveis que são à salvaguarda da Democracia pela representatividade que a ela lhe asseguram, partidos e os seus representantes, opinion makers incluídos, não param de alertar para a necessidade de se abrirem, de darem atenção à assim chamada sociedade civil e de a integrarem, de fazerem um esforço monumental para a reconciliação desta, da sociedade civil com as próprias instituições democráticas.
Como se estivessem a descobrir a pólvora …!
Há mais de vinte e dois anos que em acção política perseverante, para esse próprio divórcio me obstino em alertar e, hélàs, a criar antídoto.
Alerta consequente com uma praxis que, ela também, não paro de desenvolver!
Toda ela registada e tornada pública e mesmo aquela que a este blogue o precede, em acção política resiliente e que, nunca por nunca, aos representantes formais e legais da Democracia, imprescindíveis que são, os pôs em causa como não os porá!
Entretanto desenvolvi doutrina que ela mesma aprofunda a Democracia que na sua representatividade não se esgota embora se torne incontornável e que me obstino em nesta atitude persistir e desenvolver …
Preso à minha equidistância e independência, é um direito legítimo que me assiste estando certo que ambas, não me excluem de à Política a desenvolver, instilando-a da nobreza sem a qual, esta se reduz a politiquice com os elevados custos que, com o tempo, os vamos, irremediavelmente, todos pagando!
O Mundo já mal se compadece com esses custos ...!
Deverei eu continuar a ser remetido para um limbo cercado de aparente silêncio e omissão quando a minha acção se torna imprescindível a nela instilar, na Democracia, novo e acrescido endurance!?
Aqui Vos interpelo, uma vez mais e desafio à coerência de que me não podeis acusar de não ter!
Ao Vosso veredicto me sujeito sendo certo que a mim é que não me podeis acusar de em Vós não confiar.
Je, moi-même devant Vous!
I, I myself in front of You!


a propósito do XIX Encontro de Estudos Políticos, Curso de Verão – Estoril Political Forum 2011 – que se está a realizar sob o tema “ O Futuro do Mundo Livre “ no Hotel Palácio do Estoril



e


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 27 de Junho de 2011

sexta-feira, 24 de junho de 2011

INFLEXÃO GLOBAL É URGENTE

entre o frio …


Prolonga-se o braço de ferro.
Entre a ameaça do não pagamos e a forçada, tíbia solidariedade …
As duas faces de uma mesma moeda sem ir à raiz dos angustiantes problemas que a todos nos afligem …
O mesmo é dizer, entre o eu não tenho nada a ver com eles ou o lavar, daí, as suas mãos por um lado e, por outro, a ameaça, sempre enxotada do contágio …
Tudo aparentemente pela rama, na superficialidade de uma crise que se persiste em não olhar na sua profundidade.
Vamos lá a ver:
Se eu não pagar, a prazo e mais cedo do que tarde, também não receberei, ou poderei eu ter a leviandade de pensar de outra maneira!?
Se eu não exercer a solidariedade, o que implica quer pagar como emprestar sem ter em mira a ganância do lucro, alguma vez poderei, poderão, quaisquer dos lados ficar imunes!?
Como posso eu dizer não ter nada que ver com isso ou lavar daí as minhas mãos!?
Ou como poderei eu, sendo contribuinte líquido dos empréstimos que me venham a ser solicitados, sugerir estar imune a seja que tipo de contágio for!?
Estamos todos ligados, é o próprio Presidente do Banco Central Europeu ou, implicitamente, o Presidente da Reserva Federal que, em relação ao sistema financeiro que, para o bem como para o mal, se globalizou, o dizem na maior das apreensões …!
E persistimos em não nos enxergarmos prolongando o melodrama dramaticamente, obstinando-nos num enredo, ópera bufa, aparentemente, sem fim à vista!?
Para quando as decisões de fundo!?
Decisões essas que só podem ser Políticas!?
Decisões que têm de fazer corresponder o quadro financeiro que se globalizou com a realidade global, estamos, de facto, todos ligados (!) o que, por sua vez, remete para a criação de uma instância Política, ela também global e que reforce, aprofunde o endurance democrático que ameaça estiolar-se mas que não poderá senão sair, tendencialmente, reforçado e consagrado, sem tibiezas, à escala global!
Estamos todos ligados e não há como dar-lhe a volta!!!


… e o calor


 

Jaime Latino Ferreira
Estoril, 24 de Junho de 2011

quarta-feira, 22 de junho de 2011

FACEBOOK

 
 
Descobri, há poucos dias atrás, o facebook.
Descobri no sentido de dele me apropriar e me dar conta, pouco a pouco, é certo, das suas potencialidades.
Certo é também que, para mim, blogue e facebook não se excluem, antes podem ser complementares:
Têm, ambos, ritmos e densidades distintas ...
Por outro lado, a defesa que da minha escrita faço na página anterior, permanece e, digamos, medra:
Não excluo que o Professor junto do qual nesta me defendo não venha a aduzir novos argumentos que permitiriam que o nosso diálogo se desenvolvesse em acrescida profundidade.
Entretanto e como se já não bastasse, tenho vindo a entreter-me, soi disant, com as novas potencialidades que o facebook me abre ...
Tudo isto para Vos dizer que caso queiram continuar a interagir comigo ou a ler-me tout court e enquanto novas páginas a esta não forem acrescentadas, agora ou depois, podereis, na página do Google, escrever o meu nome, Jaime Latino Ferreira e procurar-me no facebook.
Se tiverdes dificuldades adicionais e já que eu não consegui aqui criar um link que a ele lhe desse acesso, podereis sempre propor-Vos como amigos desse meu novo suporte que eu não hesitarei em ao conjunto deles Vos adicionar.
Vosso

Jaime Latino Ferreira
Estoril, 22 de Junho de 2011

domingo, 19 de junho de 2011

DIÁLOGO TRAVADO ENTRE UM PROFESSOR E O MESTRE

Paula Rego, Tempo Passado e Presente

há quem encontre piada em coisas que não têm piada nenhuma

- O que tem a dizer do que de mim me lê? Mais concretamente, o que me diz da Réplica a Mudam-se os Tempos ...!?
- Acho muita piada …
- Pois eu digo-Lhe sem presunção: tem mais do que piada!
- O Jaime está sempre atento à sociedade e não deixa nunca de se manifestar contra a falta de ética, contra as tentativas de silenciamento ... E eu aprecio. Agora que utiliza um estilo muito rebuscado, lá isso utiliza. Preciso sempre de o ler duas vezes.
- Rebuscado!?
- Outras vezes, perco-me porque alguns posts estão associados a outros e nem sempre me consigo situar. Sim, rebuscado.
- Precisa de ler duas vezes!? Olhe eu cá, então, leio-me e releio-me encontrando-me sempre novas qualidades!
- Rebuscado, no sentido gongórico. Não é nenhum defeito!!
- Pois é ... há, no meu blogue, uma permanente remissão para o que já foi escrito, lá isso é verdade e, agora com o facebook, a coisa ainda se adensa mais! Está-me a chamar gongórico, não, não lhe vejo nenhum mal ...!
- De qualquer modo, está de parabéns pelo cuidado com que "organiza" cada post. Quanto tempo lhes dedica?
- Ah ... se Lhe contasse ... sabe, é o meu grande investimento!
- Investimento? Vai publicar um livro a partir do blogue? É uma hipótese. Eu estou a pensar fazer isso.
- Quando falo de investimento, querido Amigo, a resposta mais curta traduz-se em saber, ter a convicção de que o que escrevo chegará a bom porto, isso sim!
( ... )
- Jaime, esqueci-me de responder à sua questão sobre a réplica a Camões. Não está má; eu não faria melhor. Aliás, eu não seria capaz de fazer nada do estilo. Mas como sou professor de Português, perturba-me o ouvido a métrica que usa. Em Camões, os versos são de dez sílabas métricas, regulares em todas as estrofes. Camões é decassilábico. Os seus versos, porém, não mantêm essa regularidade. Mas pode tentar reformular algumas palavras de forma a consegui-lo. Fui mau?
- Não, Querido Amigo, mas havia de me ouvir a lê-la, à minha Réplica ...! De métrica, estrito senso, pouco sei, mas da métrica musical que nela, na minha réplica se condensa ... oh se sei, sei e está muito bem construído, perdoe-me! Mau não foi mas mantenho o que atrás escrevi! ( porque carga de água Lhe fui eu perguntar uma tal coisa ...! ) Já agora, desculpe-me voltar à carga mas, sabe, onde se condensa, com rigor, a Sua resposta é quando escreve que não faria melhor e que não seria capaz de fazer nada do estilo ...! Ainda quanto ao gongórico ou ao estilo afectado onde sobressai a metáfora, gostava de Lhe acrescentar, gongórico, a metáfora que se segue: O artista é o alquimista e, por sua vez, aquele que se refugia no rigor das supostas medições, na forma, anda de régua e esquadro e não ultrapassa as aparências. As aparências não passam disso mesmo, a alquimia é a permanente busca do elixir da vida ...! Mas há um ponto que Lhe concedo: é que, no meu soneto réplica, o meu amigo, pese embora, encontra-lhe novidade em relação ao soneto original e ainda bem que me o diz. Deixa-o, essa novidade, perturbado... ou não estivéramos no século vinte e um! Fui mau? Confesso-Lhe que não era essa a minha intenção … e só mais um pequeno e não irrelevante pormenor: que pena esta nossa conversa não ter tido lugar publicamente! E, rematando, muito pessoalmente: não é ao ouvido que Lhe perturba a métrica que utilizo é, antes sim, à vista ...!


se esta conversa tivesse decorrido em espaço público, imagino (!), não teria tido lugar
 

( inspirado numa conversa real onde, a itálico, fala o professor )



Jaime Latino Ferreira
Estoril, 19 de Junho de 2011

quinta-feira, 16 de junho de 2011

RÉPLICA A MUDAM-SE OS TEMPOS, MUDAM-SE AS VONTADES

De igual para igual ( porque não!? ) interpelo Camões, essa matriz inconfundível, e canto-lhe como tudo, de então para cá, mudou!


MUDAM-SE OS TEMPOS, MUDAM-SE AS VONTADES

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
 
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

( Luís de Camões )
 

RÉPLICA

CRESCE MINHA VONTADE

Passa o tempo ficam as saudades
transformo-me e encho-me de esperança
tudo muda cresce a confiança
não ficando iguais as qualidades

Olho para o teu tempo e vejo as novidades
que das tuas diferem na lembrança
magoada de um tempo o teu desesperança
isolamento perdido das vontades

De expectativa verde é o meu canto
diferente do teu em que seria
um grão perdido neste imenso manto

Tudo já muda e cresce como soía
quanto mais se mude o forte espanto
neste meu transfigurado canto em cada dia



( publicado, em primeira mão, no mural do meu facebook, hoje mesmo )




Jaime Latino Ferreira
Estoril, 16 de Junho de 2011

quarta-feira, 15 de junho de 2011

ACADEMISMO, DOENÇA INFANTIL DA MODERNIDADE

Van Gogh

O discurso academista é um discurso desprovido do eu e, exactamente por dele ser desprovido, faz tábua rasa do   singular, do cidadão comum individualmente considerado.
Tudo nele, na sua multifacetagem, bate certo menos essa omissão, a omissão do singular, do eu e do que a ele lhe escapa o que é a mesma coisa, a omissão insusceptível de lhe conferir humanidade e, logo, adesão à realidade.
Três dimensões deste discurso:
A dimensão política, a científica e a artística.
Dimensão política:
A política sem o destinatário concreto a quem ela se dirige, resumida às ideologias ou às doutrinas que a sustentam, despida, também, de quem as encarne, transforma-se em retórica sem emissor nem destinatário, fogo-fátuo sem ter princípio nem fim, princípios ou finalidade;
Dimensão científica:
O conhecimento científico, na sua metodologia, sem ter objecto nem finalidade, é um amontoado de hipóteses, tantas quantas as que se queiram formular desprovidas de seriação hierárquica, desprovida também, essa dimensão, da excepcionalidade que todos somos, hipóteses dispostas a confirmar como a desfirmar a regra que se tinha como segura e tanto mais quanto de ambos esse conhecimento estiver desenquadrado, do objecto como da finalidade;
Dimensão artística:
A arte, sem o seu autor e aquele a quem ela se destina, o outro autor, como nas dimensões política ou científica, podendo ser tudo, pode descambar em nada e ainda que, como fogo-fátuo, se transforme, circunstancialmente, em top de vendas ou de sucesso instantâneo.
O discurso academista, colado de citações postas entre aspas, biombo de quem o emite nele se escondendo e escudando, omitindo o eu, por muito certo que o esteja quando originalmente emitido na primeira pessoa, torna-se em vacuidade sem sentido descolado que fica da realidade.
Essa é a doença que aflige e constrange os nossos tempos à falta de quem, como eu, saiba conjugar na primeira pessoa …
… um eu que também és tu ou ele, nós, vós e eles!





Jaime Latino Ferreira
Estoril, 15 de Junho de 2011