quinta-feira, 21 de julho de 2011

IRMANDADE



Tempestade na Europa
onde está tua vontade
correm ventos
potestades
falta-lhe majestade


Falta-lhe quem tenha idade
de gritar à irmandade
que sem ter pulso
saudade
de a sentir
como Cidade

De a sentir sem ter idade


 hoje mesmo e não por acaso, por ocasião da Cimeira do Eurogrupo




Jaime Latino Ferreira
Estoril, 21 de Julho de 2011

domingo, 17 de julho de 2011

ENTORSE

   


Entre o real e o Real uma tremenda entorse confunde,  baralha cada vez mais acentuadamente todas as coordenadas.
Volto à carga:
Repego na reacção que um amigo meu teve, respondendo à pergunta que lhe fiz sobre se tivéssemos atravessado um Buraco Negro, à qual ele me respondeu que o mais certo seria termo-nos desintegrado!
Ter-nos-íamos desintegrado, assim, de um momento para o outro!?
Respondo-Lhe eu, uma vez mais:
Poder-nos-emos desintegrar, isso sim, se continuarmos a olhar para tudo e a agir como se tal não tivesse acontecido!
Entorse:
Distensão súbita e violenta dos ligamentos e das partes moles que rodeiam as articulações, diz o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa …
Distensão ou tensão violenta ou forçada, torção, acto Ato ou efeito de torcer …
E figuradamente:
Efeito da torcedura sobre o que se religa no articulante ou estrutural conferindo-lhe novas ou insuspeitas qualidades.
E que dessa distensão não nos dávamos conta ou que nos obstinávamos em continuar a agir como dantes.
O que poderá acontecer a uma distensão não tratada?
A ela somando distensão sobre distensão?
Da crise ambiental à política, desta à económica e por aí fora ...!
Acentuando a torção em vórtice ou turbilhão, redemoinho, furacão ou voragem?
Não instantânea mas paulatinamente no tempo até um ponto de não retorno?
Match point a partir do qual impossível se tornasse reverter a situação?
Entre o real e o real, uma tremenda entorse persiste na abordagem do … Real.
Até onde e até quando!?






Jaime Latino Ferreira
Estoril, 17 de Julho de 2011

terça-feira, 12 de julho de 2011

TRÊS POR TRÊS


I

ABERTURA

Tudo o que se pede é, apenas, outra abertura com outro grau de adesão à realidade.
Tudo o que se pede é o aprofundamento da Democracia …
Aprofundamento que cole com a realidade, isto é, que permita a recuperação da iniciativa Política estratégica que a evidência desta mostra ir sempre e cada vez mais tragicamente a reboque!






II

DO  TRÁGICO, DA  MORTE  E  DO  HERÓICO

A música dá-nos as dimensões mais profundas da vida.
A dimensão do trágico de uma voz cantada que pela morte se reabilitou na escrita e a dimensão heróica que nestas duas, como matriz, se baliza.
As incontornáveis dimensões do um susceptíveis de aprofundarem a Democracia e que no todo revificam, se projectam, potenciam e revêem!






III

FECHO

Há que preencher um vazio institucional global que pela não violência e pelo desenvolvimento da praxis e do consequente doutrinal, democraticamente o remate e feche para que se abra de par em par, conferindo-lhe a agilidade que falta e que à Política, pela musicalidade a instile de democraticidade acrescida.

trilogia criada tendo por pano de fundo uma entrevista dada ontem pelo Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso,  à RTP 1 e editada, faseada e em primeira mão, no mural do meu facebook




Jaime Latino Ferreira
Estoril, 12 de Julho de 2011

sexta-feira, 8 de julho de 2011

RATE / RATING


frederic sommer


Tanta conversa fiada e nem se vai ao dicionário, bastara um simples dicionário escolar de Inglês/Português para desanuviarmos as ideias ...
Num simples dicionário apenas se encontrará a palavra rate.
Que quer ela dizer?
Para além dos significados que se prendem com avaliação, com qualidade ou razão, ali, no fim, quase discreta e despercebidamente, eis que aparece, para ela, o significado de descompostura.
Do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa retiro para descompostura:


1. Desalinho; desarranjo; desordem.
2. Indecência; insulto.
3. Reprimenda; desanda; censura acrimoniosa.

Já alguém se teria dado conta disto!?
Já alguém se teria dado conta que, por vezes, se dá crédito a quem, afinal, se designa por descomposto!?
Àquele que diz não estar aqui para enganar ninguém!?
E que ao escarrapachar-se assim, logo no nome e pese embora, confunde toda a gente!?
I'll rate you!
De facto, só lhes dá crédito, sabeis a quem, quem se deixa ratar!
Ratar:

1. Dentar, roer à maneira de rato.
2. Cortar na casaca de alguém.

( a este texto, corrigido e anotado e que foi publicado, em primeira mão, no mural do meu facebook, tive o cuidado de me cingir à objectividade dos conceitos sem ser mais expresso do que isso, deixando aos leitores, como é norma da inteligência, desta e da ironia não menos inteligente, a capacidade, a vontade de aos conteúdos os desvendarem )



Jaime Latino Ferreira
Estoril, 8 de Julho de 2011

quarta-feira, 6 de julho de 2011

DEMOCRATICIDADE

Joaquin Sorolla


Democraticidade …
A democraticidade garante o sufrágio universal e secreto sem o qual não há Democracia digna desse nome mas ele não é, em si mesmo, suficiente para a garantir:
Eleito não é, apenas, aquele que por sua via se torna elegível mas, também, aquele que por seus méritos, méritos esses associados à defesa da Democracia, se consagra.
A democraticidade garante a democratização do Ensino que deverá ser universal e tendencialmente gratuito, mas ela não é, em si mesma, suficiente para a garantir:
Implica, ela também, o tratamento diferenciado, isto é, que não se trate de forma igual o que é, por sua própria natureza, desigual.
A democraticidade garante igual acesso à Cultura mas nesse igual acesso aos bens culturais, sob pena de ele se tornar desigual, há que garantir:
Tratamento diferenciado em função das provas dadas que logo se aferem pelos conteúdos dos bens culturais criados.
A democraticidade aplicada nestas que diria serem as suas três vertentes axiais e já para não falar dos direitos ao emprego e à saúde sem os quais elas não são almejáveis, implica, ela também, a democraticidade nas suas vertentes económica e financeira:
As derivas em que estas duas últimas vertentes, por hipótese, descambem, não poderão afectar a prossecução daquelas outras que sendo axiais, a elas as sobrelevam.
Nem só de pão vive o homem e a acharmos que sim, não o realizando, tão pouco, a esse desidério, estão criadas as condições de fazer regredir a Democracia não sei para que recuado patamar …
Este é um desafio que se põe à Comunidade Internacional no seu conjunto e que não há como contorná-lo.
Eu a ele Vos desafio!
De outro modo acabará por imperar a ditadura dos números o mesmo é dizer … uma qualquer e ainda que subliminar e sinuosa ditadura!





Jaime Latino Ferreira
Estoril, 6 de Julho de 2011

domingo, 3 de julho de 2011

EXCELÊNCIA



A excelência tanto está em quem cria como em quem interpreta e quem interpreta é tanto quem executa como o destinatário dessa execução.
Eu crio, tu tocas ou lês, transmites, interpretas o que eu criei e ele, como receptor, também interpreta o que lhe foi transmitido.
Se a algum dos elos deste triângulo, digamos, lhe faltar a qualidade da excelência, o processo fica por concluir.
A criação pode ser da máxima excelência mas se aos intérpretes, tanto o transmissor tal como o receptor, igual excelência lhes faltar, não é a criação que fica em causa mas antes a excelência dos seus intérpretes.
Os intérpretes podem ser da máxima excelência mas se à criação igual excelência lhe faltar, esta nunca ficará à sua altura, será de qualidade inferior.
Como se afere a excelência?
Antes de mais, pelos conteúdos da obra criada.
Quantos mais os tiver, quanto mais em aberto ela se demonstrar ser pelas leituras escondidas que em si mesma se encerrem, isto é, quanto menos definitiva e em aberto ela se der, tanto ao intérprete transmissor como ao intérprete receptor, mais a obra se afere, no tempo, conservando a sua qualidade, exigência perene, actualidade, mais nela se afere, escrevia, da sua excelência.
Quanto aos intérpretes, a excelência na interpretação de uma obra, essa afere-se pela capacidade, sejam eles o intérprete transmissor como o receptor, pela capacidade que tenham de a esses conteúdos os serem capazes de desvendar, de trazer à tona.
Neste sentido, a criatividade está tanto do lado do criador como dos intérpretes transmissor e receptor, eles mesmos não menos criadores, melhor dizendo, recriadores.
Pergunto-me:
Reconheceria, rever-se-ia Mozart na qualidade, exigência interpretativa posta aqui, por Mitsuko Uchida, de um seu Romanze...?
E tu, rever-te-ás nela, acrescentando-lhe valia!?
Se, em simultâneo, eu for capaz de ser eu, tu e ele, os três num só, recriador da recriação da criação, ela mesma, já de si, recriação, não subestimando nenhum destes três elos, estão criados os ingredientes capazes de à obra, dando-lhe plena dimensão, a transfigurarem em Obra que é o que a obra de Mozart, de facto, em si mesma o é.
Chama-se a esta capacidade o trinitário mistério revelado da criação artística!
Na interpretação de Mozart a que se tem acesso no link abaixo, de que lado está a excelência criativa ...
... do dele, do teu ou do meu!?



aqui adaptado, este texto foi publicado, em primeira mão, no mural do meu facebook






Jaime Latino Ferreira
Estoril, 3 de Julho de 2011

sexta-feira, 1 de julho de 2011

IMAGINE-SE



Imagine-se um país democrático em crise, em crise política, económico-financeira, em crise de identidade ameaçado de insolvência, de falência onde as instituições democráticas caem num crescente descrédito e cuja crise, por arrasto, ameaça tantos outros para não dizer o sistema financeiro global de crescente contágio, descalabro e ruptura.
Imagine-se, não o será difícil de imaginar, o descrédito crescente em que persistem essas mesmas instituições, um pouco por todo o lado.
Imaginem-se, para ir ao fundo da questão, as crescentes alterações climáticas, essa maior crise que subjaz em pano de fundo e que, elas mesmas, para bom entendedor, logo obrigam a mudar de vida (!), que não conhecem fronteiras nem países, nem, tão pouco, grandes espaços geográficos, dependentes e ao sabor das conveniências eleitorais daqui ou dali, encaradas de acordo com um determinado sentir e consciência críticas, por avanços e recuos e sem estratégia global de ataque ou de enfoque que a elas concertadamente presidisse.
Imagine-se tudo o que, em nota de rodapé, na minha página anterior, Vos pus à consideração …
Imagine-se a escassez de água, aquela que já é apontada como a fonte de todas as disputas que a este século constrangerá …!
Imagine-se que teríamos atravessado um Buraco Negroquem nos poderá garantir do contrário!?
Imagine-se como tudo o que vou equacionando interpela, directamente, a Democracia e como esta, à falta de concertação global se encontra ameaçada de, no mínimo, vir a deteriorar-se pela perca crescente de confiabilidade no ataque, com êxito e pacífico, a todos estes reais, porque não imaginários, desafios …!?
Prefiro encará-los como desafios …
Imagine-se a premente necessidade de à Democracia a aprofundar para que se enraíze, reveja noutra sustentabilidade e enriqueça …
Imagine-se …!
Imagine-se que, em nome de tudo o que atrás foi dito e muito mais alguém se levanta e nos termos já referidos, numa atitude de confiança a ela, à Democracia, na pessoa das suas instituições e representantes e à escala global, assim, resiliente, persiste em se afirmar!?
Imagine-se, por fim, que, também à escala global, a esse alguém lhe é dada resposta, consagrando-o, pela não violência e Serviço creditados a seu favor, num lugar por preencher
Imagine-se o impacto global que tal teria!?
Como à Democracia seria instilado novo e redobrado crédito!?
E que catarse não teria lugar, à escala global, repito, na reconciliação que se geraria entre as instituições democráticas e o cidadão comum
… o cidadão que como todos nós, afinal, é um cidadão do mundo!?



clássico … há coisas que não são mera obra do acaso






Jaime Latino Ferreira
Estoril, 1 de Julho de 2011