domingo, 4 de setembro de 2011

QUANDO NÃO SE SABE CALAR


BenHeine, Bla Bla



Há pessoas que se justificam ou são pagas para falar e que, por isso mesmo, falam.
Quantas vezes em excesso ...!
De tal maneira que, em vez de encontrarem pontes de entendimento as deitam, pura e simplesmente, a perder.
Assim é vê-las, a essas pessoas, a esgrimirem argumentos, as armas que têm à mão, puxando como podem dos seus galões e atiçando factos políticos perfeitamente escusados, picarescos mesmo, criando tempestades em copos de água e adensando de complexidade política a, já de si, cada vez mais complicada situação que se vive.
Há quem esteja em condições de ser equidistante de facto e há quem, pela sua própria posição e natureza, o não esteja de todo!
Se alguém, a mim me acusasse de parcialidade ou de, no meu discurso, não conseguir salvaguardar os interesses inter-classistas ou inter-geracionais, os interesses gerais, de fazer o jogo deste ou daquele ou tão só de funcionar como uma válvula de escape, não embarcaria, inflamado, na criação do escusado:  
Distanciar-me-ia e apenas em caso limite e caso disse houvesse necessidade, interviria tentando, nos bastidores, resolver os pendentes.
Em última instância, pronunciar-me-ia pelo silêncio escrevendo como o faço e nunca mais do que isso, e tudo sem atiçar uns contra os outros, arrebatar plateias ou incendiar multidões.
Os púlpitos estão-me, por minha própria opção, vedados!
Há momentos em que todos não somos demais para fazer face aos desafios mas para a realização desse papel potencialmente galvanizador, nem todos estão, pelo seu próprio percurso de vida, vocacionados.
Sejam eles jornalistas, comentadores, figuras públicas ou políticos oriundos de um partido qual seja …
Todos trazem e por muito que tentem salvaguardar a objectividade, cada vez mais, o seu sentir à flor da pele quando não o ruidoso diz que diz-se …!
E essa câmara de ressonância de que escrevo e para a qual me sinto, com provas dadas, vocacionado, vai-se tornando, cada vez mais e à escala global, indispensável!



quando se fala demais obtêm-se, quiçá, os resultados inversamente proporcionais aos pretendidos





Jaime Latino Ferreira
Estoril, 4 de Setembro de 2011

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

ARIDEZ DOS NÚMEROS



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Durante anos a fio tudo se baseou em como ter mais:
Mais de tudo, dinheiro, bens de consumo, regalias, privilégios, benefícios, mais e mais e mais de tudo.
Tudo se baseou na gestão do mais e em como ter mais mesmo se não tendo capacidade para o ter.
Uns emprestavam para ter mais e os outros, na ânsia de mais ter, endividavam-se!


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Subitamente ou assim não tão súbito como isso, ao mais sucedeu-lhe o menos na incapacidade de ter mais ou esgotado, ao limite, esse desiderato.
Então, como passar a ter menos com o mínimo custo possível!?
Com o mais possível …?
E não se ouve falar de outra coisa senão do menos.
Na busca da gestão ainda mais árida do menos logo por não ter mais, esgotam-se argumentos até à exaustão e tudo se passou a reduzir a mais que menos.


        


E porque não diferente?
Quem és tu mais do que eu!?
Serei eu menos que tu!?
Vivas onde quer que seja, como quer que vivas e tenhas-me como não emprestado dinheiro!?
O que quer que tenhamos feito, não terá sido em benefício mútuo!?
E se somos iguais nas diferenças que nos caracterizam e nos enriquecem, não será esse diferente mais, mais importante do que o menos que nos separa!?
A aridez dos números faz esquecer que não somos um deserto ou uma página em branco sobre os quais estes se possam aplicar linearmente, quer para mais como para menos.
A aridez dos números desertifica tudo à sua volta e o resultado … salta à vista!
Mesmo quando para ter mais, muitos tinham que ter cada vez menos …
E a Democracia, não tem ela um preço e tanto maior quanto o seu ensejo cresce por todo o lado?
Não é esse ensejo solidário mais mais do que menos e cada vez mais do que menos?
E quanto, não menos diferente mais, valerão as minhas palavras profusamente escritas …!?






Jaime Latino Ferreira
Estoril, 1 de Setembro de 2011

terça-feira, 30 de agosto de 2011

CONCLUÍDO ESTE JEJUM


Elling Reitan, Intermezzo



Conclui-se aqui este jejum a que me forcei, solidário ou ecuménico com o Ramadão que a fazer, aproximadamente, coincidir com a sua duração me coibiu de comentários ou de novas publicações que não aquelas que no meu blogue, com o passar do tempo, se iam, ao longo deste mês de Agosto, justificando.
Back to normal, este meu exercício, contudo, não foi nem é em vão:
Daqui para a frente passarei a ser mais comedido até porque, nesta frugalidade, crio outro e necessário distanciamento!
Assim, deixarei de responder por sistema a quem me comente, apenas quando por esta ou por aquela razão tal se venha a justificar;
Também e por sistema, deixarei de fazer comentários em suportes de terceiros que, aliás, muito estimo;
Não publicarei desabridamente no mural do meu facebook como, antes deste meu forçado e forçoso intermezzo, a mim próprio me impus.
Adoptarei, isso sim, um ritmo todo ele mais contido, distendido também, como se deduz desta experiência solidária aqui concretizada e em nome mesmo dos meus objectivos centrais, dos quais não me poderei nem quero desviar.
Mantenho, por ora, a moderação de comentários no meu blogue que, nem por isso, me impediu de a todos aqueles que me foram enviados os publicar, mas apenas até que entenda que esta  ainda se justifica …
E valeu a pena!
Para além do mais, tal permitiu-me descansar alguma coisa o que não é de somenos …
Só mesmo quem não saiba do esforço implícito ao acto de criação … o não reconhecerá!



Da minha carne me sai
o que dando me não trai






Jaime Latino Ferreira
Estoril, 30 de Agosto de 2011

domingo, 28 de agosto de 2011

O TRIÂNGULO DA MORTE



tráficos / terror / especulação

Sabemos que os tráficos, jogando com o que de mais sagrado existe, a pessoa humana, são uma forma de fazer dinheiro fácil e de arrecadar lucros astronómicos.
Sabemos, igualmente, que o terror, se delimita os  territórios dos primeiros cego e sem olhar a quem, sendo inominável é absolutamente gratuito.
A especulação, em si mesma, não tem mal nenhum, é uma forma como outra de fazer dinheiro igualmente fácil mas consentida, mas quando esta se reúne aos dois primeiros torna-se numa fórmula explosiva!
Diz-se que vivemos em economia de casino, de tal ordem que a sorte dos países e dos seus povos, chega a soçobrar  às mãos da especulação …
E já se terá pensado, não posso crer que não (!), na relação desta com os dois outros vértices aqui equacionados?
Sabe-se, aliás, que essa relação existe e a comprová-lo o que não faltarão são exemplos.
Nem toda a especulação, será sempre bom lembrar, tem uma relação com os vértices dos tráficos como com o do terror mas é sabida da relação cada vez mais promíscua entre o terror e os tráficos.
Os tráficos movimentam avultadas somas de dinheiro sujo que   uma vez lavado, para que possa transitar da economia paralela, imensa parte submersa do iceberg, para a economia real, nesta tem de ser posto a render tão rapidamente quanta a rapidez das somas propiciadas pelos mesmos.
E o dinheiro propiciado pelos tráficos, posto a render no jogo de casino com o qual tantas vezes se confunde a economia real, goza de sensores que lhe são fiáveis orientados pela estratégia subterrânea tanto destes como do terror, que pela mais vil batota distorcem a seu favor as regras da livre concorrência.
Este triângulo da morte, subvertendo as regras do mercado, ameaça colocar-nos a todos, subliminar e paulatinamente, nas suas sanguinárias e impiedosas mãos!
Na economia de guerra em que vivemos, como há quem a designe, em que mãos queremos, afinal, politicamente  ficar!?






Jaime Latino Ferreira
Estoril, 28 de Agosto de 2011

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

TUDO EM ABERTO




Sempre que escrevo a alguém e que desse alguém não obtenho uma resposta seja qual ela for, confronto-me com a maior embora já acostumada das perplexidades:
Será que a esse alguém lhe terei dito a maior das barbaridades?
A ser verdade, não seria normal que tal me fosse retorquido de volta e na cara, preto no branco e sem complacências …!?
Será que com esse alguém terei metido o pé na argola?
Se assim fosse, não mereceria eu que me fosse dito do porquê e nem que mais não fosse para que não voltasse a metê-lo …!?
Será que ao meu destinatário o terei calado, na sua  incapacidade em contra-argumentar-me?
Tenha sido esse o caso, não seria legítimo que o reconhecesse …!?
Será …?
É certo que aprendi que quando nos escrevem não devemos deixar ninguém sem uma resposta mas sejam quais tiverem sido as razões para não a receber e partindo do princípio que não teria cometido nenhuma indelicadeza o que não está, convenhamos, nos meus princípios, o que poderá, então e a não serem estes os casos, levar alguém a não me responder?
Diz-me a minha experiência que receber silêncio por feedback augura, calculem (!?), o melhor:
Se não fosse esse feedback, onde estaria a minha Obra cuja parte mais visível se desenvolve neste suporte!?
Foi graças ao silêncio que ela cresceu até chegar aqui …!
Se eu, diante dele, tivesse desanimado ou partido a loiça, que património teria para apresentar!?
E como se teriam esboroado as minhas defesas …!
Quando alguém, ao que escrevo me responde com o silêncio, tal tem, para mim, por regra um significado:
Está tudo em aberto!
Tão em aberto que nem sequer os contornos desta última constatação escrita, está tudo em aberto, delimitam o aberto em que tudo fica!



tráficos = terror tal como atentado em Monterrey, no México = atentado em Abuja, na Nigéria e assim, pelo que fazes dir-te-ei quem és






Jaime Latino Ferreira
Estoril, 26 de Agosto de 2011

terça-feira, 23 de agosto de 2011

DE LER A ESCREVER - III -




O espaço, o tempo, a palavra e a matemática … a música!
Na música a junção de todos eles na relatividade que os conjuga.
O espaço que se amplifica;
O tempo que se altera;
A palavra que nela se formata e a concentra;
A matemática que, intrínseca, também por sua via se exponencia.
A hieroglífica música tão imediatamente empática aos ouvidos e de decifração de acrescida e densa complexidade!
Nela, como se escreve e o que se lê, interpreta, como se ouve e o que, porque se pressente (!), logo se antevê …!
Num Bach universal que é de hoje como de sempre …
Nela as dimensões do espaço e as do tempo em inflexão conjugada.
Nela a relatividade integrada.
Nela o som primordial, o pulsar que nos transporta no tempo.
Num tempo elástico que passa e não passa, devagar como depressa.
Nela a arte do som, luminosa sonoridade … a condutibilidade imaterial da matéria!


quem vive a música por dentro tem dela tudo e o invento


 
Jaime Latino Ferreira
Estoril, 24 de Agosto de 2011

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

RUA ÁRABE




Povos coragem
que aos muros derrubam
imagem
de quem desconfia
a voragem
de à Liberdade a querer
apenas como uma miragem



A quem desconfia
sondagem
de concludente
metragem





na iminente queda de Tripoli e pese embora o Ramadão ou por maioria de razão





Jaime Latino Ferreira
Estoril, 22 de Agosto de 2011