segunda-feira, 14 de maio de 2012

CRESCIMENTO OU DESENVOLVIMENTO




Fala-se muito, às vezes mesmo demasiado levianamente, de crescimento como se este fosse a panaceia para todos os nossos males ou para os constrangimentos globais.
Será que podemos continuar, globalmente, a crescer como, durante todos os séculos XIX e XX e para lá deles, até aqui, exponencialmente, aconteceu?
Será que o Mundo, o ecossistema global, está em condições de aguentar uma tal pressão?
Será que, não o planeta mas nós, Humanidade, sujeita a uma tal pressão que o imparável crescimento se induz mais induziria, estaríamos em condições de lhe resistir e, sobretudo, com a qualidade de vida que, em vastas zonas do globo, já alcançámos?
Crescimento ou desenvolvimento?

Crescimento.
Que crescimento?
A degradação ambiental.
As alterações climáticas.
A escassez de água.
A pressão demográfica.
As novas vagas de refugiados provocadas por todas elas mais as sucessivas hecatombes, guerras incluídas, que lhes estão associadas.
A eventual validação de uma hipótese que, de há muito, equacionei e à luz da qual, todos estes fenómenos adquirem, não apenas outra plausibilidade, mas outra amplificação e urgência na sua decisiva quanto global abordagem?
E a Democracia, resistirá ela a tudo isso?

Democracia.
Quando falo, escrevo sobre a Democracia que não por acaso sublinho com maiúscula, refiro-me à democracia representativa e ao Estado de Direito sem o qual a primeira soçobraria, associada àquela que, participativa, a enriquece e melhor a valida sem a por em causa.
Estará ela e com ela a inegável qualidade de vida que consigo transporta, ameaçada?
Que inesperadas e incontroláveis convulsões, revoluções não estaremos, por falta de enfoque ou por, obstinadamente, se olhar a assobiar para o lado, a atear?

Revoluções.
O século XX foi delas fértil e com que terríveis consequências.
Ainda hoje delas estamos a pagar pesadas faturas.
O que aconteceria na ressaca de uma revolução que, pelo seu alastramento, se tornasse global?
Então!?

Como?
Como harmonizar, à luz da Democracia, tudo o que para trás, sistematicamente, tenho vindo, aqui como ao longo dos anos, a equacionar compatibilizando interesses individuais e coletivos, nacionais, regionais e globais com o anseio legítimo de crescimento?
De um outro crescimento?
Afinal, que desenvolvimento?

Sobra o aprofundamento da própria Democracia nas vertentes delimitadas atrás fazendo do Mundo um só por no um se ter de rever, já que ela não faz sentido sem o enfoque no singular e sem que este, à Democracia, num compromisso de honra e a ele amarrado que de há muito firmei, em suporte de papel e por mão própria, acrescido de toda a produção de prova que todos os meus textos constituem, sem em nada a beliscar, muito antes pelo contrário, reforçando-a.
Remate ou criação de uma câmara de ressonância do edifício democrático global no constituinte um, cidadão que, no topo dos traços fundadores da própria Democracia e que, por isso mesmo, nas soberanias se revê, num poderoso impulso que, por provas dadas no tempo e que sejam transparentes, avaliáveis portanto, não apenas contribua para a concertação global na preservação dos seus alicerces, repito, como conduza ao reforço de todo esse edifício tão laboriosamente construído.
Contribuindo assim, decididamente, para a criação de um Novo Paradigma, paradigma de desenvolvimento sem o qual tudo o que aqui foi enunciado pode desmoronar como um castelo de cartas de consequências imprevisíveis.
Abrindo as portas a um outro tipo de crescimento, de desenvolvimento e nos seus índices humanos muito em particular, sem os afetar que, esses sim, ao abrigo dos sobressaltos que sucessivamente nos assaltam seja sustentável e, por isso mesmo, democrático e duradouro.


no um, no cidadão o zero, o institucional, o global portanto
 



Jaime Latino Ferreira
Estoril, 14 de Maio de 2012

sábado, 12 de maio de 2012

QUANDO MORRE UM ARTISTA




Quando morre um artista é como se um rio fosse privado da sua foz e da nascente.
O rio continua a correr mas não corre da mesma maneira.
Priva-se dos sais minerais da sua circulação subterrânea e da salinidade do mar.
Do sal.
Não fossem outros artistas perpetuarem-no e parada, a água, putrefazia-se.

Quando morre um artista vai-se, com ele, a dimensão que na sua obra, do mundo, no que está ao seu alcance faz por perpetuar.
O que está ao seu alcance fazer perpetuar é a sua razão de viver.
A sua luta incansável, a sua razão de ser.
No que toca, pinta, escreve o artista, na ansiedade de partilhar o que vê, ou ouve ou sente, não tem tempo suficiente ou o tempo que tem é todo o tempo que lhe resta e quando morre …
… não fossem outros artistas perpetuarem-no e o tempo, sem eternidade, morria connosco.

Quando morre um artista, na eternidade que legou, acresce a imortalidade.
Desde que o artista seja perpetuado.
Enquanto vive, porém, nunca é devidamente reconhecido.
Assim o sente, assim o sabe e, por isso, não descansa.
Mas quando morre, porém, perpetuado que o seja, renasce em todo o seu esplendor.

Quando morre um artista, feito de nós sendo todos, na noite que em nós mergulha, no seu silêncio morremos um pouco.
Mas, pela mão de todos os artistas que o perpetuem, renascemos, alvorecemos também.
Mais pobres mas também mais ricos.
Perpetuado e ai se o não fosse, com ele, em nós o levamos para sempre.

O artista é um sol que gira.


na pessoa de Bernardo Sassetti, a todos os artistas quando morrem
 


( arrastado de mb )
 

Jaime Latino Ferreira
Estoril, 12 de Maio de 2012

sexta-feira, 11 de maio de 2012

900

solo



Novecentas páginas.
Completam-se hoje as novecentas páginas, mensagens ou postes, todos eles de originais deste meu blogue quando ainda não se perfizeram os três anos e meio da sua longevidade.
Sem falsa modéstia, estes novecentos textos não são textos quaisquer.
Entre poética e ensaística, multifacetados, da mais variada índole, incluem-se neles conteúdos ímpares e incontornáveis entrelaçados num fio condutor que os une.
Esse fio condutor sou eu próprio, solista no olhar que, quase diarístico, de mim mesmo do contexto no contexto se projeta.

Novecentas páginas.
Desde quando, impulsionado, entre outras, por Filomena Claro que a ele, a este blogue com o seu título, tão inesperada quanto generosamente, então, me o ofereceu, diria ter sido possível aqui chegar?
Uma vez mais, obrigado querida Amiga!

Novecentas páginas.
Novecentas páginas que, diariamente e tendo em conta o meu peso específico, porém, são visualizadas por uma média aproximada de mais de cem visitantes.
E pese como pesa a profundidade que a elas as caracteriza, também seria falsa modéstia não o admitir, a esta somada a música de fundo que não é, propriamente, da lista dos topten.
Novecentas páginas que, num rasto indelével, ao dispor de quem a elas se queira dar ao trabalho de percorrer, orgulhosamente me conduziram, perseverante, resiliente mesmo, até aqui.
Em voz solista e original.
Dialogando contigo que me lês ou com um interlocutor que não tu, alvo político silencioso, minha prisão agrilhoada, alimento desta minha verve que, eventualmente, me segue também.
Fazendo do nada tudo o que até aqui me trouxe.
Quantas mais páginas, na prossecução dos meus objetivos, a esta se lhe seguirão?


novecentos noves fora nada




Jaime Latino Ferreira
Estoril, 11 de Maio de 2012

quinta-feira, 10 de maio de 2012

POLÍTICA OU MONETARISMO




Consecutivamente, o Euro tem vindo, tendencialmente, a perder face ao Dólar situando-se já abaixo da barreira psicológica dos 1.3 dólares.
Talvez que, paradoxalmente, fosse bom que a crise se agravasse na Europa ao ponto de que a equiparação entre as duas moedas se estabelecesse de vez.
Porquê prolongar esta agonia?
O mesmo deveria acontecer, concertadamente, face às outras grandes moedas de referência em circulação.
A crise que dilacera a Europa e da qual o resto do mundo não está imune tem, pois, não apenas desvantagens.
Mas, porque não, assumir a equiparação, decidida e globalmente, artificialmente, isto é, politicamente de uma só vez?
Poupando a todos o dilacerar que ela mesma, pelo seu arrastamento, provoca?

Não é gratuitamente que se fala de mercado global único ou, pura e simplesmente, de globalização.
Estes, ou são para valer ou deixem de os invocar!
Se é para valer, então que sejam drasticamente reunidas as condições para que se realizem, isto é, que se efetive a equiparação monetária global.
Aí sim, seriam reunidas as condições que, contrariando as assimetrias regionais, a todas as regiões se colocassem em pé de igualdade que garantisse, verdadeiramente, um mercado único e livre poupando-nos a todos da angústia que o arrastar da crise apenas acentua.

Se, até um certo ponto, a guerra de divisas contribuiu para corrigir assimetrias, é tempo de estas se ajustarem equiparando-se entre si para que outras e avassaladoras assimetrias não se cavem e aprofundem.
Pela equiparação, uma só moeda ou todas equiparadas entre si num mercado verdadeiramente livre e global.
Talvez que aí, na tomada corajosa dessa iniciativa, a diferença entre estarem a Política ou o dinheiro, as divisas ao comando.
Todos perdiam alguma coisa mas os ganhos, que não apenas monetaristas, superariam em muito os prejuízos e mesmo as menos céticas expectativas.


uma só Humanidade, uma só divisa
 

 

Jaime Latino Ferreira
Estoril, 10 de Maio de 2012

terça-feira, 8 de maio de 2012

ESCRITA





Eu podia criar, entre mim e o que escrevo, o artifício da ficção, de uma linguagem irreal, mas não o faço.
Não sei mesmo se seria capaz de o fazer.
Não existe, nesta minha reflexão, qualquer sentido valorativo ou depreciativo em relação a esse artifício sem o qual não existiria arte, muito antes pelo contrário, sublinho.
Eu é que não sei se seria capaz de escrever senão assim, sem o recurso a ela.
Se entre mim e o que escrevo a esse artifício o interpusesse, certo é que o que escreveria não teria as mesmas características.
Entre mim e o que escrevo, existe apenas o artifício da própria escrita que, diretamente, aqui repousa.

Se entre mim e o que escrevo existisse o artifício da ficção tudo se teria desenrolado de outra maneira e não vale a pena especular sobre o que, assim sendo, se teria desenvolvido.
O que é certo é que a minha é uma escrita direta que hoje, nem tão pouco senão a este suporte virtual, despida o utiliza.
Entre mim e ti fica, portanto, a virtualidade da escrita suportada na sua própria visualização na relação com a imagem e a música, essas ficções que sempre a acompanham.
Como se lhe dando, à própria escrita, ressonância ou eco.
Profundidade.

Caso não fosse assim, se entre mim e o que escrevo outro artifício existisse que não os referidos, o resultado final sendo eu, não o seria exatamente e muito menos assim.
Sempre acompanhados da data, da possível contextualização e do meu nome, que é o meu e não um qualquer pseudónimo, a mim, tão diretos quanto o possível, os meus textos se unem.
Sem outros que não os referidos artifícios, o da música e o da imagem.
Numa diarística interventiva.
Transformativa porque interpretativa da própria realidade o que não quer dizer que a ficção a não transforme também.
Transforma-a sim mas de outra maneira.

Realidade esta a da minha escrita que, porque interpretativa, repito, à própria realidade a transforma.
Chama-se a isto, a esta capacidade, Política.
A Política é o que, por interpretar sem ficcionar tem, em si mesma, a capacidade de transformar.
Transformo independentemente do grau de adesão que recolho, antes apenas porque interpreto.
Basta que interprete.
A minha interpretação, no olhar que exponho, introduz na realidade e sem remédio uma nova variável, a minha.

Introduz mesmo e independentemente da importância que, num dado momento, se lhe possa atribuir.
É como uma hipótese qualquer!
Antes de ser formulada, a interrogação, o pensamento que leva à sua formulação não estava lá e, portanto, caindo-se no experimentalismo sem norte, pela ausência da mesma, não podia, senão às cegas, ser constatada.
Mas uma vez formulada, pode ser, nas ferramentas que pela interrogação a apetrecham, finalmente comprovada como não.
Eu manifesto uma intenção que pela prova do tempo, ela mesma se vai transformando em mais do que uma simples intenção.

Talvez que sim ou que não …

A prova do tempo, contudo, como experimentação em si mesma, é fundamental.
Há coisas que, apenas ela, a prova do tempo o pode demonstrar e aqui, pela maneira como, dilatadamente no tempo, escrevo, sem recurso que não ao artifício da própria escrita que aqui, no módulo final desta página, na vertical da primeira letra destacada de cada um dos seus módulos se conclui na própria palavra escrita, resume-se a escrita da minha própria convicção sem a qual não escreveria como escrevo.


na minha escrita o que politicamente, pelo olhar, sua virtualidade real, sou




Jaime Latino Ferreira
Estoril, 8 de Maio de 2012

segunda-feira, 7 de maio de 2012

BOULEVERSEMENT

moving to a peaceful land




On se bouleverse partout et alors, qui sait!?

E agora, interrogam-se, perturbados, todos os analistas diante das hecatombes eleitorais por essa Europa fora.
Quem governa é drasticamente penalizado e sobra o quê?
Ontem seguia os canais de televisão nacionais e, compreensivelmente, parecia que os atos eleitorais que tiveram lugar, sobretudo em França, tinham tido lugar em Portugal.
O destaque dado a este último contrastava com aquele outro, legislativo que, em pano de fundo, à Grécia a revirava do avesso e que, parecendo que não, ao primeiro o condicionava ainda mais arrastando-nos a todos consigo.

E agora?
E agora, perguntam-se todos os analistas sobre o futuro da Europa.
Que olhar do mundo sobre esta última?
Será ela dispensável no reequacionar de estratégias por esse mundo fora?
Olhar de dentro para fora ou de fora para dentro, pergunto-me eu.

Estamos todos inexoravelmente ligados e uma Europa sem voz, voz única e solidária por democrática o ter, decididamente, de ser é um mundo em imparável turbilhão com uma terrível incógnita pela frente:
Guerra ou Paz?
Esta é a interrogação que, dramaticamente, aos líderes mundiais, em surdina se põe.
A não ser possível a construção de uma Europa em paz e paz, aqui como onde quer que seja, é sinónimo de Democracia, concertação, o mesmo é dizer de solidariedade na sua irrecusável diversidade como laboratório desse imenso desidrato que o é e escrevo-o sem nenhum paternalismo, também não é possível aspirar-se à Paz Global sem a qual o Mundo, nos ingentes desafios sempre adiados que tem pela frente, se desfará em fanicos.


le tremblement en Grèce soulève la France, l’Europe et le Monde tous entiers




Jaime Latino Ferreira
Estoril, 7 de Maio de 2012

sexta-feira, 4 de maio de 2012

E AINDA

de um cartaz alusivo ao Dia Internacional da Mulher, Jornadas do Parlamento Europeu, 8 de Março de 2012


( … ) tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil e preciso de as reunir; elas ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só Pastor. ( … ) do Evangelho segundo S. João 10, 11-18

Da penúltima página, De 25 ao Dia 1, passando pela página anterior, Sagrado e Profano e culminando aqui, esta citação do Evangelho Segundo S. João, subiu de nota de rodapé para o meio da página e, agora, encimando-a por fim.
A diferença entre fundamentalismo ou uma visão crítica e ainda que crente ou crente por maioria de razão que se tenha, reside nas leituras mais ou menos literais que dela, duma, desta citação, se façam.
Uma visão fundamentalista não admite outra senão a leitura, a interpretação que a essa visão a enforma e assim, ao que está escrito retira-se-lhe toda a riqueza que lhe subjaz e que a muitas outras leituras permite fazer, razão pela qual, aliás, essa citação perdura no tempo.
É para mim claro, convenhamos, que duma, desta citação não se lhe pode fazer tábua rasa do que está escrito nem, muito menos, tábua rasa do contexto em que é proferida.

A não se terem em conta quaisquer destes dois fatores, a letra de forma como o contexto, cai-se no relativismo puro e duro.
A terem-se, contudo, ambos os fatores em linha de conta, induz-se a essa mesma citação a relatividade sem a qual ela não seria inteligível.
Compreensível à luz da razão plural, ela só pode ser plural e tanto mais quanto prenhe de metáforas o for, de uma determinada época.
Escrevo, na página anterior e de passagem, sobre o equívoco das cruzadas.
Uma vez acontecido, dele não há como voltar atrás, equívoco histórico relativo, portanto.
Acrescentaria aqui que desse equívoco, ainda hoje estamos a pagar uma pesada fatura!
Não nos esqueçamos que, ao tempo das cruzadas, o mundo muçulmano florescia civilizacionalmente como não acontecia com o mundo cristão e que a pedra que este, então, ao primeiro lhe lançou lhe recai em cima, agora e de volta, em islamismo militante …

Mas vamos ao ponto:
Na minha ótica, Cristo não se pretendia erguer contra os outros:
Nem contra o Império, nem contra os Judeus nem contra fossem quais fossem as religiões, à época, vigentes.
Cristo rebelava-se contra, essa sim, a práxis social e religiosa acomodada então vigente, que se poderia transportar para os nossos dias e mesmo para o interior do próprio cristianismo.
Ao proclamar-se filho de Deus rebelava-se contra o estatuto divino, único do Imperador e afirmava a natureza sem exceções e universal da Humanidade no seu conjunto.
Nesta proclamação, logo que enorme impacto político!
Do mesmo modo, ao referir as outras ovelhas que pretendia reunir e que não pertenciam ao redil, falava daquelas que permaneciam tresmalhadas.
Tresmalhado ou que está separado dos outros, como acontecia, no mundo de então, com as mulheres e como pelos séculos fora e ainda hoje se verifica!
A Mensagem de Cristo era, já então, e pesem como pesassem todos os etnocentrismos que às sociedades as dominavam e, tanto mais quanto sob o jugo do Império, uma mensagem universal e, nesse sentido, radical:
As mulheres tinham, à data, no interior do Império como nas sociedades sob o seu jugo, um papel tresmalhado, separado daquele do mundo dos homens e por mais elevado que fosse o seu estatuto.

A Sua mensagem, tanto mais radical, atual quanto etnocêntricas eram as sociedades de então, etnocentrismo que ainda hoje, por todo o lado, permanece latente, assentava numa matriz axial tão mal ainda que justificadamente, à luz da História porque ela desenrolou-se assim e não de outra maneira, interpretada ao longo dos tempos:
Revisita-te a ti mesmo e não apontes o dedo ao Outro, diria.
Ou, não caias na tentação de ver no Outro ou nas outras culturas o mal que a ti próprio ou à nossa a dilaceram e que numa fuga em frente do Outro, estando em nós, somos levados a querer extirpar e mesmo se de crentes se tratarem embora na nossa religião não se revendo.
Revisita-te a ti mesmo, individualmente considerado ou na cultura em que te integras e nesta, repito, à época, as mulheres, essas sim, eram ovelhas completamente tresmalhadas.
E ainda que, subliminarmente, porque esta minha possível leitura também está lá e pesem todas as demais interpretações, porque linhas tortas a História não se escreve (!), tendencialmente, por avanços e recuos, se vá caminhando para um estatuto de igualdade sem que este signifique, muito antes pelo contrário, o fim da História.

E não apenas entre nós!

Mas entre nós, a prevalência da ambiguidade de que escrevo é um perigoso impasse que à regressão pode conduzir:
Tanto à regressão social como ao tresmalhar do próprio rebanho!


Deus escreve direito por linhas tortas e a Igualdade, na Liberdade, é a Sua pedra de toque
 

 

Jaime Latino Ferreira
Estoril, 4 de Maio de 2012