quarta-feira, 27 de maio de 2009

O PEIXE-LUA E A MENINA ESTRANHA

Uma noite um Peixe-Lua cansado de nadar, veio dar a uma praia de conchas e areia fina.
Soprava um vento frio e o Peixe para se aquecer acendeu uma fogueira, com muito cuidado, para não grelhar as suas próprias barbatanas e ali ficou a brincar com a areia quente e com as conchas, a fazer uma espécie de bolas de sabão, mas que não eram de sabão, eram bolas de vidro brilhante e transparente.
O Peixe-Lua sabia que tinha talentos, mas fazer bolas de vidro foi uma revelação! As bolas de vidro subiam pelo ar levadas pelo vento, umas em direcção ao mar, outras pela terra dentro. O peixe pensou:
”Será que algum pescador as descobre e as captura nas suas redes, como se fossem peixes como eu? Será que algum menino as cobiça e joga com elas como se fossem um brinquedo?”
Adormeceu docemente com a música crepitante da fogueira e assim não viu uma menina pequenina espantada com aquela noite especial, que em vez de estrelas lhe oferecia uma linda e redonda bola de vidro!
A menina, além de pequenina também era um pouco triste. Às vezes, os adultos não a compreendiam muito bem e diziam:“Cada vez está mais bonita esta menina, mas é tão estranha!”
A bola era tão grande e maleável que a menina não teve dificuldade nenhuma em entrar nela e disse:
“Esta bola vai ser a minha casa secreta! Aqui guardarei os meus tesouros, aqui posso esconder-me dos meus irmãos, quando eles me baterem ou me puxarem os cabelos ou quando quiser faltar à escola”.
E todas as noites a menina viajava na sua bola de vidro, espreitando o mundo sem que ninguém a visse mas vendo tudo e todos com a nitidez das manhãs antes da chuva.
Nela guardava as coisas boas que possuía, as recordações que ia acumulando e que assim não se perderiam nunca e jamais seriam esquecidas.

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Ao Jaime digo,
a Matéria dos Sonhos também é a memória das coisas e das pessoas que mantemos vivas. Este texto foi escrito e dirigido à Isabel Venâncio a propósito da sua página "Dualidades",por isso pertence-lhe. Mas a matéria dos blogues também tem a sua dualidade, eles são como a menina, um pouco estranhos...
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Manuela Baptista
Estoril, 27 de Maio 2009

A MATÉRIA DOS SONHOS

Eis que exponho aqui, torrencialmente, a matéria dos meus sonhos.
Organizada em letras, palavras, frases e composições em que se conjuga ela adquire a consistência da matéria que embora não seja física na dispensa do papel não prescinde deste suporte que é físico, na virtualidade que o caracteriza, nem tão pouco biológica mas contém vida, aquela que deriva da sua conjugada leitura, escuta e interpretação.
Logo uma palavra, a palavra amor, por exemplo, consulte-se um bom dicionário, nas antinomias que a ajudam a definir, contém viva a História toda ...!
Quanto mais tudo o que aqui escrevo conjugado na sua profusamente dinâmica interacção ...!
A matéria primordial dos sonhos é a palavra.
O pensamento não a dispensa ...
A linguagem da ciência também não pois sem ela, não nos interrogaríamos e a interrogação assenta, logo de início, na palavra.
A da arte e das letras também nela assentam e por maioria de razão!
Oiço uma música e ela transporta-me à palavra e já para não considerar a sua linguagem cifrada, como tal, palavra em si mesma;
Ou os sentimentos que se exponenciam e que têm, eles também, tradução verbal sem a qual seriam uma mescla indecifrável, irracional;
Oiço uma história e ela é palavra;
Quero perceber uma fórmula matemática ou responder a uma hipótese científica ...
Ou decifrar um sonho ...!?
E é sempre a palavra que à realidade a transporta a um outro estágio realizador que do sonho o aproximam.
A vida ...!?
Ela também é matéria do sonho e este vai-se, por distanciamento no pesadelo, ou aproximações e nestas tendencialmente, realizando.
A matéria dos sonhos somos nós que acrescentamos ao real e este, em si mesmo, não é traduzível ...
Expliquem-mo pois, ao real sem a palavra e ainda que com simples sinalética mimada, palavra em si mesma!
Como veríamos nós sem a matéria dos sonhos e sua liga de campeões que é a palavra realizadora!?
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 27 de Maio de 2009

terça-feira, 26 de maio de 2009

IMPREVISÍVEL RETORNO

http://www.youtube.com/watch?v=uGAxAM5p0Qs
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Quando escrevo
matéria sonhada do real
ou realização do sonho
eu não sei
as reacções que desencadearei
e como
de volta
as receberei
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Elas são
por isso
sempre imprevisíveis
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Quando esperaria o riso
provoco o choro
se o aplauso
eventualmente
imenso silêncio
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Sei
no entanto
que num mesmo texto
ao ler e reler aquilo que escrevo
as minhas próprias reacções divergem
podem ir do choro ao riso
do silêncio à musicalidade transbordante
ao entusiasmo do aplauso íntimo
assim o leia agora ou depois
de manhã ou à noite
e em função do meu próprio humor
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Sei
portanto
que o retorno variará até ao inesperado do sonho
que
quantas vezes encontro
ao reler o que escrevi
logo à primeira
como à centésima vez
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Sei
finalmente
que nunca desperdiço aquilo que escrevo
e que cada vez mais o faço
directo
no suporte definitivo
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Depois
na ausência que se instala
descanso
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 26 de Maio de 2009

segunda-feira, 25 de maio de 2009

SEM PÁGINAS DE UMA ARTE

V- OS SAPATOS VERMELHOS
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O Lugar Onde Dormem os Sonhos
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A Professora gostava de sapatos vermelhos. Vermelhos como o fogo, como as cerejas de Maio, como o pôr-do-sol de Agosto, como o tomate maduro, como as fitas do cabelo, como o sangue, como a vida, como a alegria de um dia de sol.
Quando ela calçava sapatos pretos, os meninos que já a conheciam muito bem diziam:
"A Professora hoje está triste!"
Ou verdes:
"A Professora hoje está zangada!"
Ou azuis
"A Professora hoje está distraída!"
As outras professoras tinham inveja dos seus sapatos vermelhos, de laços, sem laços, de saltos, sem saltos, de pala, sem pala e cochichavam:
"Vaidosa, que mania esta de ter fogo nos pés!"
O director repetia:
"Vaidosa! Faria melhor se fosse mais discreta."
Os meninos sabiam que a Professora, muito mais que vaidosa, era sobretudo bondosa, sempre pronta a ajudá-los, a defendê-los, a lutar para que fossem os melhores e era uma alegria quando iam para as suas aulas e não tinham medo de errar, de entaramelar as palavras difíceis, de trocar o pelo quê.
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Num dia chuvoso de uma Primavera incerta, os meninos estavam irrequietos, dispersos, um pouco brigões e barulhentos. A gramática não os interessava e escrevinhavam uns textos sem nenhum entusiasmo.
A Professora cansada de os mandar calar e tentar que se concentrassem, deu um grito, saltando para cima da secretária e com as suas sapatilhas vermelhas, um pouco molhadas da chuva, executou três passos de dança e um rodopio. Fez-se um silêncio de espanto!
"Professora! Está a dançar!" disse incrédula uma menina chamada Clara .
"A Professora está a dançar!" disseram todos.
E a Professora tirando da mala um livro de capa colorida, onde se podia ler "Quebra-Nozes" de Hoffman, pediu a um dos alunos que começasse a ler e foi dançando cada linha do primeiro capítulo como quem desenha numa folha em branco.
Os meninos maravilhados e mudos assim ficaram até que o som estridente da campainha os acordou violentamente.
A Professora desceu da secretária e calmamente disse:
"Até amanhã!"
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Na manhã seguinte as crianças estavam ansiosas para que as aulas começassem e foram os primeiros a chegar à sala e sentaram-se calados e expectantes.
A Professora entrou, abriu o livro de exercícios e as crianças desapontadas repararam que os seus sapatos eram pretos.
Então Clara perguntou:
"E o Quebra-Nozes, Professora? Só lemos o primeiro capítulo."
E outro menino, a quem chamavam Rato por ser muito pequenino e esperto, disse:
"E hoje não dança, Professora? Foi tão bonito!"
"A Professora é uma bailarina!" disse um terceiro.
A Professora fechou o livro e com uma voz um pouco cinzenta explicou aos meninos que poderiam terminar a história da véspera, mas dançar, não dançaria, porque dançar era acordar um sonho que adormecera há muito tempo e que ela tinha ousado acordar e isso tinha-a entristecido.
"Os sonhos dormem?"- perguntaram.
"Dormem, quando não os podemos realizar."- respondeu a Professora.
"E qual é o lugar onde dormem os sonhos?" perguntou Luísa, irmã de Clara.
"O lugar onde dormem os sonhos é assim como um grande lago, só que em lugar de peixes, algas, nenúfares, rãs e mosquitos embala nas suas águas os sonhos que as pessoas sonharam e que não se concretizaram e ficam ali à espera de ser acordados ou a dormir para sempre."respondeu a Professora.
"A minha mãe também tem um sonho adormecido" -disse o rapaz chamado Rato.
"Ela gostava de viajar até à Itália e conhecer Veneza"-acrescentou.
"Eu também tenho um sonho!"-disse a pequenina Gisela. "Quando for grande quero ser pianista."
E as crianças começaram todas a contar sobre os seus próprios sonhos e os sonhos dos pais, dos avós e dos amigos e a Professora disse-lhes então:
"Para concretizar os vossos sonhos, para os acordar, é preciso lutar por eles, com paciência, com perseverança, sem desanimar, às vezes durante toda a vida. É mais difícil do que mil provas de matemática!".
"E a Professora, porque é que não quer acordar o seu sonho?" perguntou Gisela.
A Professora olhou com atenção para aqueles trinta pares de olhos onde brilhavam trinta pontos de interrogação e pensou que aqueles meninos eram merecedores de conhecer o seu segredo guardado naquele lago distante de que falara.
E contou como tinha aprendido a dançar desde pequenina, das suas sapatilhas vermelhas com que se apresentava nos exames, da sua vontade de ferro em ser bailarina e da dor que sentira um dia no pé esquerdo e no coração.
Uma dor dupla que a impedira de dançar nesse dia e nos dias seguintes, uma dor que médico algum curara, apenas minimizara a do pé esquerdo e aumentara a tristeza do seu coração. Podia dançar um pouco, mas nunca se tornaria bailarina profissional.
O seu sonho vivia há muito nesse lugar onde dormem os sonhos e tinha-se transfigurado noutros sonhos.
Contou também, como depois estudara e se tornara professora, que gostava de ensinar e de escrever histórias para lhes ler e era para recordar a dança, que quase todos os dias calçava sapatos vermelhos.
Ao ver a tristeza das crianças prometeu:
"Amanhã, vamos continuar a ler a história do "Quebra-Nozes". Preparem-se!"
E aquele "preparem-se" ficou a soar nas suas cabecinhas, dormiu e acordou com elas e cada uma sem contar nada às outras percebeu o que deveria fazer.
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Nessa manhã a Professora calçou os seus mais bonitos sapatos vermelhos, colocou na bolsa um disco com a suite "Quebra-Nozes" de Tchaikovsky e sem saber porquê sentiu-se leve e feliz.
Chegou à escola, disse "Bom dia!", ao porteiro, ao director, às colegas e a todos os alunos que por ela passaram e rapidamente entrou na sua sala.
As crianças sentadas nas suas cadeiras ordenadamente, levantaram-se e saudaram:
"Bom dia Professora!" e foi aí que a Professora olhou para os seus pequenos pés que não conseguiam manter quietos e viu que todos, mas todos, rapazes e raparigas, tinham calçado sapatos vermelhos!
Continuaram então a ler o "Quebra-Nozes", mas desta vez havia um papel para cada um com os personagens da história: Clara, Luísa, Fritz, o Rei dos Ratos, os soldadinhos de chumbo, as bonecas, o Astrólogo da Corte, o Relojoeiro, a Dama Rata Rabujenta, as Donzelas, a princesa Pirlipat e é claro o Quebra-Nozes!
E, como se fosse a coisa mais natural deste mundo, começaram a dançar a história e a sala de aula não era mais uma sala mas um palco, onde as cadeiras voavam, os lápis falavam, os papéis ganhavam vida e pintavam-se a si próprios, o quadro era um espelho brilhante e as borrachas eram nozes saborosas! E assim passaram os noventa minutos de aula.
O director, incomodado por um ruído qualquer, torceu o seu nariz afilado, começou a cheirar cada porta e parou justamente à porta da sala da Professora abrindo-a de repente, convencido que iria encontrar uma enorme confusão.
As crianças estavam sentadas, com os livros e cadernos alinhados à sua frente, apenas os olhos brilhavam, algumas gotas de suor escorriam pelas suas faces coradas e os sapatos vermelhos agitavam-se por baixo das cadeiras.
"Mas que bizarro"- resmungou. "Agora parecem todos bailarinos, onde é que andaram?".
E a Professora respondeu:
"Não se preocupe, para si seria muito longe! Regressámos do lugar onde dormem os sonhos."
Nesse dia o dono da sapataria verificou com espanto que os sapatos vermelhos tinham-se esgotado nas prateleiras.
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http://www.youtube.com/watch?v=aVxgjZKnRbU
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Celebrando:
- "The Red Shoes", Os Sapatos Vermelhos- 1948
Realizador: Michael Powell e Emeric Pressburger
Música: Brian Easdale
-"Fantasia" de Walt Disney-1940: The Nut Cracker suite
música: Tchaikovsky
-"Quebra-Nozes" de E.T.A. Hoffmann
ilustrações: Lisbeth Zwerger
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Manuela Baptista
Estoril, 25 de Maio de 2009

domingo, 24 de maio de 2009

PESSOAS

Pessoas são Pessoas e nada mais
Umas não são menos outras arrais
Que não devessem ter lugar a ser
Tudo o que mais são e basta ver
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Não as há de segunda e sem ter
O que outras mereceriam por saber
São todas o lugar para onde vais
Espaço aberto que é teu e donde sais
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Seria o que faltava não serem tais
Quais outras que encontre no meu cais
Ou menos que pudessem já morrer
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És tudo e tanto mais e o teu querer
Por mais que fosse muito o teu sofrer
Ou pobres sem o serem teus portais
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É preciso, urgente, centrar o debate no indivíduo, no indivíduo singular sem o que, partidos, corporações, classes e seus representantes não verão satisfeitos os seus legítimos interesses e a Democracia não se reconciliará com o cidadão.
O que é que surgiu primeiro, o ovo ou a galinha ...!?
O empregado ou o empregador?
Um desempregado é o espelho do insucesso público e uma coisa é certa:
Sem Pessoas não haveria nem um nem o outro!
Jaime Latino Ferreira
Estoril, 24 de Maio de 2009

sábado, 23 de maio de 2009

REDE

http://www.youtube.com/watch?v=XeotZFBl-Vw
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Desde o mês de Junho de 2008 que iniciei as minhas incursões pela blogosfera.
Antes disso, uma extensa Obra existe em arquivo, parte relevante dela depositada na biblioteca do Centro Nacional de Cultura em Lisboa e noutros arquivos institucionais e particulares.
Apenas em Janeiro do ano em curso, porém, me foi, inesperadamente e para minha agradável e reconhecida surpresa oferecido este que é o meu blogue, de minha mulher e de mim próprio, por Filomena Claro com quem, entretanto, me havia cruzado nessas incursões e que achou por bem com ele me presentear.
Até então, circulava mais ou menos por sistema noutros blogues que assim quis o acaso e as oportunidades, nos quais deixava as minhas reflexões e onde, por vezes, estas surgiam em destaque de primeira página o que sempre muito me gratificou.
Em rede, devo porém confessá-lo, o meu pensamento, aquele que se desenvolve na blogosfera, está, não apenas no meu mas nesses blogues arquivado, estrutura-se, entrecruza-se e complementa-se em interacção com eles também e para segui-lo tem de o ser com o sistemático que nesses blogues amigos encontrou acolhimento.
Cronologicamente, são eles:
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( Da página de 13 de Junho até ao seu terminus em Julho de 2008 )
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( Desde a página de 15 de Junho pela mão de Ana Cristina Venâncio )
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( Desde 3 de Julho de 2008 )
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( Desde o seu início em 21 de Outubro de 2008 )
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( Desde Novembro de 2008 )
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( Desde 12 de Março de 2009 )
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Em camadas sobrepostas ou sucessivas assimetrias simétricas, acima vos deixo os endereços de acesso a esses blogues na imodéstia contida de uma virtualidade lusitana.
O dever de transparência a tanto me obriga!
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http://www.youtube.com/watch?v=SzoB8ux5W8s
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 23 de Maio de 2009

sexta-feira, 22 de maio de 2009

CORAÇÃO E BOCA E TACTO E VIDA

Consumiu-se minha voz num extinto fio Que muito demorou sem dizer pio
No mar se contorceu qual caravela
Exposta às intempéries e à procela
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Murmúrio se fechou em sua cela
Vibração imensa sem ser rela
Que um dia se agigantou neste pavio
Aceso e a brilhar como se viu
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Mas foi preciso dar ao tempo a querela
O modo de vencer águas e rio
A força da razão para lá do cio
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Cair num fundo abismo onde ao trio
Levasse a cavalgar em minha sela
A voz que feita escrita estava nela
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http://www.youtube.com/watch?v=GgWgBwP1g1I
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 22 de Maio de 2009