sexta-feira, 5 de junho de 2009

RAPSÓDIA

Fragmento
de um momento
rapsódia
do meu invento
é épico
o tormento
é a nau
de meu sustento
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Intrépido
para lá do cento
sucede-se
meu lamento
é a vontade do dia
da noite o instrumento
sarau
de minha alegria
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rapsódia, fragmento poético, epopeia
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 5 de Junho de 2009

quinta-feira, 4 de junho de 2009

EU E A VIDA

http://www.youtube.com/watch?v=1nzXGHqI_zQ
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( Rainha dos blues, assim era conhecida, Koko Taylor morreu hoje ... )
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Hesitei se deveria titular esta página assim ou Eu e a Morte ...
Optei, no entanto, pela primeira fórmula e logo por me parecer ser essa a mais positiva.
Não há vida sem morte e também não há morte sem vida.
Quando de uma se fala, em rigor, é a ambas que se aborda!
No entanto, qual dos dois antípodas prevalece?
Eu entendo que é a vida e não apenas porque acredite nesta para lá da própria morte, não!
Há também quem não acredite na vida para lá da morte e que entenda, tal como eu que, assim sendo, há que valorizá-la enquanto dura ...
Como há quem, por acreditar na vida para lá da morte, a esta vida a desvalorize e deprima antes da morte acontecer ...
Sinto-me, confesso, muito mais próximo de todos os que a valorizam, crentes, agnósticos ou ateus, que os há (!), do que daqueles que por acreditarem, os seus percursos os levam, todavia, a desvalorizar esta vida que é, em si mesma, um dom.
Dom sem o qual, aliás, creio que as pontes para o depois tenderão imperceptível mas paulatinamente a desmoronar-se!
Pois se eu não acreditar e nada fizer para zelar pelo que nos é comum, o que deixaremos para os vindouros!?
E se eu acreditar mas também nada fizer para aliviar o aqui e agora comum, que peso específico na restrição do acesso ao depois não recairá então sobre aqueles que acreditam que nele, no depois reside a nossa Esperança!?
E, assim sendo e se assim fosse, as pontes quebrar-se-iam ...
As da Terra e as dos Céus porque umas passam, inexoravelmente, pelas outras!
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 4 de Junho de 2009

O TRÁGICO

Quantas tragédias se passam, diariamente, no Mundo e não são reportadas!?
Tragédias provocadas por causas naturais, por acidentes e, pior ainda, por vontade deliberada dos homens!?
Quantas, de dimensões colossais, apenas de raspão são noticiadas enquanto outras, de menor (!?) dimensão mas por terem lugar entre aqueles que nos estão mais próximos, aparentemente mais iguais que Outros (!?), são amplificadas até à exaustão!?
Haverá vidas que valem mais do que outras!?
Às vezes parece que sim ...!
Mas se eu não celebrar, homenagear, a morte dos que me são mais próximos, como celebrarei a dos que me estão mais longínquos!?
Uma vida que se extingue é, em si mesma, uma tragédia!
É um testemunho, uma história viva que se interrompe, uma visão única, ímpar que se esvai!
Um relevo, um ângulo multiplicador que se subtrai ...
E nessa angular única posso sempre homenagear, prestar o meu preito como se a todas, nela eu as celebrasse.
Celebrasse ...
Celebrasse a Vida em toda a sua imprevisibilidade inviolável, trágica e fascinante!
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Brahms desejou que esta obra, mais do que o Requiem Alemão fosse um Requiem Humano

( in YouTube, Ein Deutsches Requiem, Sir Simon Rattle )
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 4 de Junho de 2009

Sebastião Salgado, campo de refugiados, Tanzânia

quarta-feira, 3 de junho de 2009

228

Laços quebrados
perdidos
assim consumidos
levados
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Nós usurpados
sumidos
sem serem ouvidos
rasgados
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Nas duzentas e vinte e oito pessoas vítimas do voo 447 da Air France, em sua e em memória de todas as que nos deixam sem deixar rasto
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 3 de Junho de 2009

PULSAR II

http://www.youtube.com/watch?v=vUL69b4jTEU
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No meu coração
O pulsar
Indicia
Alegria
Animação
Fantasia
Vontade de partilhar
O meu querer
É saber
Não se dispersa no ar
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 3 de Junho de 2009

El Greco, Coroação da Virgem

terça-feira, 2 de junho de 2009

HEMICICLO DE ESTRELAS

Cidadãs e Cidadãos da Europa
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Já que a Europa constitui a melhor almofada para a crise não permitis que Ela seja sequestrada pela abstenção

A Europa, enquanto entidade política e que tem vindo a afirmar-se por avanços e recuos desde o final da Segunda Guerra Mundial, podereis duvidar mas o facto é que tem permitido que este contexto geográfico, o espaço europeu, conturbadíssimo ao longo de toda a sua história, há mais de sessenta anos se vá, progressivamente, impondo como lugar onde a Paz se vai consolidando.
Onde à saciedade e na diversidade de culturas que à Europa a caracterizam, se demonstra que tal é possível!
A Paz acontece porque na Europa, tendencial e nomeadamente através do Parlamento Europeu, os nacionalismos se vão exorcizando!
Uma coisa são as culturas nacionais e que adquirem personalidade através das línguas que as formatam, em que a Europa é rica e mais ainda neste quadro maior de afirmação identitária e comum, outra os nacionalismos ou as disputas territoriais, geográficas que apenas toldam os juízos pelo sentimento de posse que suscitam e que impede, sempre impediu a convivência pacífica e solidária entre e em prol dos povos.
Na entidade política a que se chama União Europeia e paradoxalmente, as línguas nativas encontram um quadro propício à sua afirmação e logo também as Culturas e, em simultâneo, as fronteiras físicas esbatem-se na construção de pontes que a esses nacionalismos serôdios os diluem na constatação universal e única do género humano.
Por isso, as eleições para o Parlamento Europeu têm tudo a ver com cada um de nós, e logo a começar, porque não há bem mais precioso do que o da Paz!
E, assim sendo, as perspectivas de abstenção que se vaticinam constituem o mais paradoxal de todos os sinais, no egoísmo desmemoriado da História que pela negativa, em si mesma, simboliza e em que a cidadania não se revê.
Por isso, votai, votai em massa e em quem ou como quiserdes mas votai, afirmando-Vos como Cidadãos deste espaço maior ao encontro humanizado de um só mundo e já que a União e a Paz fazem e são a nossa maior, mais preciosa riqueza.
Nossa, da Humanidade!
O concerto das nações é unânime em proclamar que, tal como a música, a Europa é factor de universalização.

Votai!

http://www.youtube.com/watch?v=bU681o8BlZs

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Janela sem véu
Minha amada
Faz o céu
Da cor estrelada
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 2 de Junho de 2009

segunda-feira, 1 de junho de 2009

SEM PÁGINAS DE UMA ARTE

VI- O FUTURO RADIOSO
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No conto dos Irmãos Grimm "O Flautista de Hamelin" os habitantes da cidade de Hamelin, avarentos e maus pagadores são castigados por um flautista, que com as ternas melodias da sua flauta encantada, enfeitiça todas as crianças transportando-as para longe dos pais em direcção a um futuro incerto ou a uma ausência de futuro.
Atravessado que foi o século da criança em que esta passou de objecto de mais ou menos valor ao estatuto de Pessoa com direitos, em que Pais, Pediatras, Pedopsiquiatras, Psicólogos, Educadores e uma quantidade infinita de técnicos se debruça, estuda, disseca, vira e revira a condição infantil, sabemos que é sobre elas, crianças, que continuam a cair as maldições dos feiticeiros, a maior parte das vezes encarnados na pessoa de quem as deveria proteger de todo o mal.
Os laços de ternura, são então substituídos por cordas que apertam, que mutilam e que chegam a matar.
As crianças são protegidas, se os adultos se sentirem seguros, são amadas, se os adultos souberem amar, são felizes, se os adultos forem felizes.
Clamar pelos direitos das crianças é lutar pelos direitos da Humanidade e se tal não for feito, os dias comemorativos são papel celofane a embrulhar equívocos.
Durante trinta anos trabalhei ao lado e do lado das crianças, não estive sozinha e esta página é uma homenagem a todos os que não perderam o seu coração de criança, aos que ainda sonham com fábricas de chocolate e que se derretem com uma canção de embalar.
Os que entre os humanos, são capazes de encontrar aquele lugar onde nascem os sonhos de um futuro radioso, onde a infância não seja apenas uma memória que perdura.
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Celebrando:
- "O Futuro Radioso" - The Sweet Hereafter - 1997
Realizador: Atom Egoyan
- "Inteligência Artificial" - A.I. Artificial Intelligence - 2001
Realizador: Steven Spielberg
- Paula Rego
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Manuela Baptista
Estoril, 1 de Junho de 2009