terça-feira, 9 de junho de 2009

75

http://www.youtube.com/watch?v=7S3iW_sbqsA
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Pato Donald
sabias que
não fosse a música
a relatividade espaço/temporal
que no metrónomo ela personifica
não teríamos chegado a Einstein
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E que
se não fosses tu
mesmo em português
não seriamos hoje
ainda que potencialmente
mais felizes
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E pese embora
ou por maioria de razão
essa tua voz de pau carunchoso
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( nos setenta e cinco anos do Pato Donald )
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Life without playing music is inconceivable for me
( Einstein )

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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 9 de Junho de 2009

segunda-feira, 8 de junho de 2009

DIVERSÃO

Oiço música
interlúdio
soluçar
não sei se choro baixinho
se se expande o som do mar
se asas são de um anjinho
refúgio
ou o bem estar
é atracção não repúdio
diversão do meu cantar
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 8 de Junho de 2009

Frescobaldi

ELEIÇÕES E BOM SENSO

Um dia gostava que fosse declarada e independentemente do resultado, a vitória do bom senso ...!
No final do serão eleitoral das Eleições para o Parlamento Europeu e diante da enxurrada de comentários e declarações que nestas alturas sempre se proporcionam, não notícias (!), em rigor já nem sei, perdi-me (!), de que é que se esteve a tratar nem tão pouco se houve ou não vencedores, quais, como, por e para quê ...
Em si mesmos, os actos eleitorais deixaram, pura e simplesmente de contar.
Eles são e sempre, desvalorizados que estão, trampolins para qualquer outra coisa e o voto, o seu sentido também, de tal modo escalpelizado que a simples matemática dos números deixou de ter qualquer interesse objectivo.
Quando se vota para o Parlamento Europeu, está-se mas é a votar para as legislativas;
Quando para estas se vota, está-se mas é a penalizar quem está no poder;
Quando se vota para as autarquias ou para a Presidência da República o que conta, nestas perspectivas, é a sabedoria que leva os eleitores a distribuir os ovos evitando depositá-los a todos no mesmo cesto;
Os cabeça de lista e conforme as conveniências ou açambarcam, polarizam os votos ou são meros instrumentais dos verdadeiros visados, os chefes partidários;
A Política deixou, há quanto tempo (!?), de contar;
As sondagens, por seu turno, os verdadeiros aferidores, não os votos, embora elas saiam sempre a perder ...
E nestas permanentes derivas subjectivas, sentindo-se os eleitores escalpelizados, abusivamente violentados na multiplicidade de sentidos que se pretendem colar aos seus votos que são secretos, secretos repito (!), não espanta que a abstenção cresça e que já não se saiba, exactamente, é tal o ruído (!), para que é que se está a votar:
Omniscientes, os analistas dos números, em rigor, prescindiriam mesmo desse instrumento, do voto que afinal, às eleições as desvirtuariam ...
-.-
Desde o 25 de Abril de 1974 e como sempre, exceptuando uma única vez por estar fisicamente ausente do país e já lá vão muitos anos, fui ontem votar.
Sublinho o carácter universal, individual e secreto deste instrumento, arma singular da Democracia!
Não admito, portanto, que outros por mim e ao meu voto o interpretem assim como me reservo o direito de não dizer como votei.
Mas lá que votei, votei e essa é, em si mesma, uma vitória que, passados tantos anos, não deixo, não deixarei sempre de valorizar contrariando a desvalorização deste instituto para a qual, aliás, muitos não param, involuntariamente (!), de contribuir, responsáveis objectivos que desta forma se tornam pela crescente abstenção!
Greatfully, I'm not a spin doctor!
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 8 de Junho de 2009

Solitário em silêncio

sábado, 6 de junho de 2009

AS PALAVRAS

As palavras são para serem dissecadas, interpretadas.
Quem não quer, desse modo, ser interpretado, não se exprime, não fala, não escreve.
As palavras, para além de serem um dom em si mesmas, permitem que sejamos, através delas, dissecados sem o sermos, sem que, intrusivamente, nos violem a nossa intimidade, a nossa privacidade e desde, só desde que ao seu uso nos disponhamos.
As palavras não são inócuas e ai de quem pense que o são!
As palavras não são, também, simples retórica!
Através da poética, as palavras também só se realizam se não forem meras figuras de estilo!
Tal como as palavras, também a música, as artes, não são meras figuras de estilo ...
Todas elas nos mostram, dizem, cantam e gritam o que vem do fundo, do fundo de nós mesmos na tentativa de identificação, osmose, comunhão com o Outro!
De mil e uma maneiras ...!
E é na sublimação, por mil e uma maneiras, que se dão palavra, arte, a vida e se estampam para quem as queira ver, expostas e nuas e por muito que elas se encubram.
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 6 de Junho de 2009

LÁGRIMAS

Nobre México
Formoso Estado de Sonora
Cidade de Hermosillo
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Canto este som
Arrancado a uma prece
Silêncio que às crianças as guarda
Em meu peito
Acarinhadas
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 6 de Junho de 2009
Hermosillo

ESTERTOR

O que se arranca de mim
Que vai do princípio ao fim
Bolha de tempo que invento
E sopra para lá do vento
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Estampa-se no meu intento
No que escrevo neste tempo
No que arranco e ao que vim
Amostra que me diz sim
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Tecido de célula ruim
Que se extirpa num momento
Acorde e meu trampolim
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Queima-se em lume lento
Vontade de arlequim
É meu cantar e sustento
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 6 de Junho de 2009

Moisés, Michelangelo Buonarroti

sexta-feira, 5 de junho de 2009

VIAGEM

Pela voz
viajo tão longe
longe longe
que vejo da terra ao céu
do mar às estrelas
e destas tão mais
ao seu contrário
que quando me julgo no fundo
tocam no campanário
sinos com que me inundo
deste estertor ao berçário
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 5 de Junho de 2009