Um dia gostava que fosse declarada e independentemente do resultado, a vitória do bom senso ...!No final do serão eleitoral das Eleições para o Parlamento Europeu e diante da enxurrada de comentários e declarações que nestas alturas sempre se proporcionam, não notícias (!), em rigor já nem sei, perdi-me (!), de que é que se esteve a tratar nem tão pouco se houve ou não vencedores, quais, como, por e para quê ...
Em si mesmos, os actos eleitorais deixaram, pura e simplesmente de contar.
Eles são e sempre, desvalorizados que estão, trampolins para qualquer outra coisa e o voto, o seu sentido também, de tal modo escalpelizado que a simples matemática dos números deixou de ter qualquer interesse objectivo.
Quando se vota para o Parlamento Europeu, está-se mas é a votar para as legislativas;
Quando para estas se vota, está-se mas é a penalizar quem está no poder;
Quando se vota para as autarquias ou para a Presidência da República o que conta, nestas perspectivas, é a sabedoria que leva os eleitores a distribuir os ovos evitando depositá-los a todos no mesmo cesto;
Os cabeça de lista e conforme as conveniências ou açambarcam, polarizam os votos ou são meros instrumentais dos verdadeiros visados, os chefes partidários;
A Política deixou, há quanto tempo (!?), de contar;
As sondagens, por seu turno, os verdadeiros aferidores, não os votos, embora elas saiam sempre a perder ...
E nestas permanentes derivas subjectivas, sentindo-se os eleitores escalpelizados, abusivamente violentados na multiplicidade de sentidos que se pretendem colar aos seus votos que são secretos, secretos repito (!), não espanta que a abstenção cresça e que já não se saiba, exactamente, é tal o ruído (!), para que é que se está a votar:
Omniscientes, os analistas dos números, em rigor, prescindiriam mesmo desse instrumento, do voto que afinal, às eleições as desvirtuariam ...
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Desde o 25 de Abril de 1974 e como sempre, exceptuando uma única vez por estar fisicamente ausente do país e já lá vão muitos anos, fui ontem votar.
Sublinho o carácter universal, individual e secreto deste instrumento, arma singular da Democracia!
Não admito, portanto, que outros por mim e ao meu voto o interpretem assim como me reservo o direito de não dizer como votei.
Mas lá que votei, votei e essa é, em si mesma, uma vitória que, passados tantos anos, não deixo, não deixarei sempre de valorizar contrariando a desvalorização deste instituto para a qual, aliás, muitos não param, involuntariamente (!), de contribuir, responsáveis objectivos que desta forma se tornam pela crescente abstenção!
Greatfully, I'm not a spin doctor!
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 8 de Junho de 2009
Solitário em silêncio