quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
A PALAVRA III
III -
A PALAVRA COMO POTENCIADORA DE ENERGIAS LIMPAS E SEMPRE RENOVÁVEIS
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Aqui falo, escrevo e cavo um sulco, traço bem distinto e marcado que ao leitor o interpela e leva a reagir, desafio a que o faça, pois que sim ou que não e porque sim ou não no corroborar ou negar do que escrito está e dos porquês em busca de saídas para quantos impasses que nos possam bloquear.
Uma vez desbloqueados esses impasses, se é que estes meus textos para tal concorrem, o que acontece?
Janelas se abrem, de oportunidade como soi dizer-se e logo essas janelas se abrem ou escancaram dando aso, oportunidade à libertação de energias que, acumuladas e aparentemente sem saída, concorriam para o sobreaquecimento que encontrando, finalmente, por onde se escapulir, libertando-se, a novas e renovadas energias talvez as potenciem e façam desabrochar.
Escrevo que talvez sim e tu, escrevendo que não ou na assertividade de um sim peremptório, fundamentado, porque é na fundamentação que o justifique que se descobrem, desvendam, assertivas, novas e insuspeitadas forças, logo estas revertem a teu como a meu favor potenciando o que até aí, sob pressão, não tinha por onde sair, se revelar e afirmar ...
Porque não há que temer:
A minha verdade não teme a contradita, invoca-a!
Deseja-a mais do que tudo porque nem Deus, em Quem acredito a teme ou não O seria.
Acreditar não se confunde com o medo!
Nem confiar, tão pouco!
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Acredito
e em ti confio
desdobro-me como um fio
aceso neste pavio
novelo
que neste cio
se se exalta no que é dito
não se extingue no que ao vê-Lo
morrer queria mais sê-lo
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 8 de Dezembro de 2009

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
A PALAVRA II
II -
A PALAVRA COMO DESPOLUIDOR
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Palavra puxa palavra, escrutinada porque me sujeito ao escrutínio público, em permanência desanuvia, despolui.
Desanuvia e logo despolui desde que estejamos receptivos à crítica, fundada crítica que logo por o ser é construtiva, não destrutiva como tantas vezes somos levados a pensar, o que em permanência acontece a quem, ao abrigo do seu poderzinho fátuo julga poder dispor e ter a faca e o queijo na mão.
Polulam esses poderzinhos ao ponto de, quantas vezes, me interrogar se vivemos ao abrigo do estado de direito por todos invocado ou do direito de estado, do poder de quem, a ele agarrado, quantas vezes nele se alcandora com unhas e dentes, contra todos e contra tudo.
A palavra não desautoriza senão a quem é autoritário e funda a sua suposta autoridade no seu posso, quero e mando!
A palavra, desde que assumida e mesmo que no exercício autocrítico, reforça a autoridade, desanuvia e despolui, facilita a respiração no seu duplo movimento que à inspiração pede a expiração num pulsar que se perpetua sempre e mais como o diálogo franco e aberto, não viciado.
Por exemplo:
Eu detenho o poder sobre este meu blogue e nele poderia, à primeira vista, fazer o que entendesse mas não o faço.
Assim sigo, escrupulosamente, alguns preceitos:
Não elimino comentários nem os submeto a censura prévia, a eles lhes dou toda a atenção como acho ser minha obrigação, aceito de peito aberto a crítica, crítica no sentido de ser fundamentada o que sempre implica sentido autocrítico e mesmo que ela não surja explícita, eventualmente destaco em primeira página comentários que entenda dela serem merecedores, dou sequência aos mesmos comentários que, quantas vezes, me têm orientado, quais deixas que de página para página me inspiram e por aí fora ...
Perderei autoridade por afirmar preceitos que quantos negam!?
Julgo que não e por assim achar, desmintam-me (!), contribuo para um ambiente desanuviado, despoluído, facilitador da respiração que a comunicação, o diálogo logo a é!
Quantos poderes fátuos bloqueadores da palavra e pervertores da Democracia, poluentes, eles também, têm fortes responsabilidades, não falo de cor (!), na poluição geral e nas drásticas alterações climáticas que nos agridem e ameaçam, sufocam e asfixiam ...!
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 7 de Dezembro de 2009

domingo, 6 de dezembro de 2009
A PALAVRA I
No pano de fundo da Cimeira de Copenhaga que se inicia amanhã e na sequência do que para trás ficou escrito e que a ela não é alheio, reflicto agora sobre a importância da palavra em três e decisivos planos ou dimensões, a saber: A palavra enquanto escudo, a palavra como despoluidor ou factor de desanuviamento e a palavra como potenciadora de energias limpas e sempre renováveis.
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I
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A PALAVRA COMO ESCUDO
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Um escudo protege e abriga.
Protege de ofensivas exteriores e constitui instrumento preventivo que nos coloque ao abrigo de inesperadas investidas que nos possam destruir.
A palavra é um escudo!
Imaterial, por assim dizer, a palavra fornece-nos uma percepção do real que logo dela se acrescenta e sem a qual o próprio real, extrínseco como intrínseco, seriam inconcebíveis, irreconhecíveis, ininteligíveis.
Que seria da realidade, interior como exterior, sem todas as palavras que inevitavelmente usamos para a descrever?
E dos saberes, mais ou menos exactos, da matemática à filosofia, da religião à arte, sem a palavra, instrumento axial sem o qual nem o racional, nem o que está para lá dele seria cognoscível?
A palavra é um escudo qual invólucro, película ou filtro e tanto mais resistente quanto escrita ela o for, susceptível de à realidade e a nós próprios nos transformar, a nosso favor, o mesmo terá de querer dizer a favor do nosso habitat, já que não somos vírus que ao seu próprio o degrada e aniquila, ou seremos (!?), de tal forma que por força dela, da valia que ela acrescenta, encontremos os instrumentos bastantes à nossa sobrevivência com acrescida qualidade de vida.
Pense-se:
Que seria do saber, de todo o saber individual como colectivo, sem a palavra?
E da realidade, que seria dela sem a palavra?
E do pensar, que seria dele sem essa capacidade, a capacidade de organizar as palavras sem a qual, onde estaríamos?
Na base, nosso pé, sustentáculo ou fundação, a palavra é um escudo que nos transportará com sucesso para lá da espuma dos dias e dos impasses e incógnitas que nos angustiam mas que serão ultrapassados.
Como um escudo ou invólucro, a palavra passará!
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 6 de Dezembro de 2009
sábado, 5 de dezembro de 2009
PAUSA
Uma pausa faz sempre bem! Diga-se, aliás e em abono da verdade, que este ritmo, o ritmo que tenho mantido e na intensidade e diversidade de produção que aqui se patenteia, me tem obrigado a um esforço que não é em vão que se desenvolve ...
Traduz-se ele e por mais generoso que possa ou não ser e parecer, em tensão, stress que importa, pelo menos de quando em vez, desanuviar o que, nestes dias após a publicação da última página e da pausa que se lhe seguiu, me tem, pese embora não ter deixado de estar presente, inegavelmente, descomprimido.
Que poderei, a título de provisório balanço, sobre o que escrevi na página anterior, concluir?
Primeiro que, sendo-me aquelas palavras de ordem muito queridas e pesem embora as pequenas alterações que foram, ao longo do tempo e sobretudo se atendermos ao facto que nelas persisto há uma boa vintena de anos, delas não desarmo e independentemente do reconhecimento que lhes seja, explicitamente, consagrado;
Depois que a página, sendo ela o que se desenvolve a descoberto e no interior da sua caixa de comentários, neste última não constatei reacções que, directamente, ao que em primeira página escrevi, o questionassem;
É só percorrer toda a caixa de comentários para que de tal se possa aferir!
Seguidamente, gostava ainda de sublinhar que o que nela foi escrito tem toda a urgência, quer da perspectiva da contenção da pandemia como da inclusão daqueles que, infortunadamente, são vítimas do flagelo e em particular no que toca à convicção que me faz reafirmar que a palavra, como anti-viral, como difusor de anti-corpos a todos nos poderá munir das ferramentas que, na salvaguarda da privacidade de cada qual, nos poderão instilar de maior qualidade de vida;
Se a minha pausa foi necessária, como interpretar o silêncio ou a pausa daqueles que, sendo autoridades no assunto, aqui se inibem de deixar o seu registo, desautorizando-me como não!?
Passou-lhes despercebido o que aqui escrevi?
Tratar-se-á de um perfeito disparate aquilo que reafirmo?
E porque o reafirmo tão denodadamente?
Porque, pese embora o tempo que passou sobre o deflagrar da pandemia, como bomba-relógio, os sinais da sua evolução não deixam de, nos nossos dias, nos interpelar a todos e logo como no Seu comentário, Ana Cristina se encarrega de nos alertar.
É incómodo o tema aqui tratado?
Sê-lo-á mas tal não é razão que me faça desmobilizar e deixar de chamar à colacção o que, verdadeiramente e na minha modesta opinião, ainda não foi colocado, decididamente, à luz do enfoque que as palavras de ordem que reafirmo exigem e sem o que a bomba-relógio que o flagelo da SIDA constitui à escala global, também não poderá ser devidamente atalhado.
Por uma vez repito-me e dou-me ao luxo de correr o risco de parecer, à primeira vista, monótono.
Reafirmo:
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PREVENIR A SIDA
PALAVRA É VIDA
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PREVENT AIDS
WORD AID'S
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E contudo
a palavra vive
mexe connosco
e move-se
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 5 de Dezembro de 2009

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
A PALAVRA COMO ANTI-VIRAL
Da consulta de um dicionário comum da língua portuguesa ou outra poder-se-á constatar ser a palavra vírus, no seu sentido informático, uma instrução ou informação, conhecimento ou saber, contra-informação parasita que introduzida num programa se torna susceptível de provocar diversas perturbações num sistema e assim ser capaz de o contagiar, neutralizar ou mesmo destruir. Figurativamente, o mesmo dicionário dirá tratar-se de princípio de contágio moral.
Vem isto a propósito do que, na caixa de comentários da página anterior se desenvolveu por ontem também se ter comemorado o dia mundial da SIDA que logo aproveitei para, de novo e recorrentemente, de há muitos anos a esta parte, ter sugerido como palavra de ordem bilingue na prevenção da doença, aquela que, em português como em inglês, se segue:
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PREVENIR A SIDA
PALAVRA É VIDA
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ou
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PREVENT AIDS
WORD AID'S
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E, logo na sua fundamentação, acrescentava:
A palavra é dissuasora;
A palavra pode também ser invocada na assumpção ética que nos obriga a não termos duas ou mais caras na consideração que devemos ao Outro;
A palavra é um precioso auxiliar de comunicação;
A palavra é vida porque, nela própria, a vida, como anti-viral se contém podendo ajudar a prevenir a difusão da pandemia.
Assim, a palavra, consoante nos envolva ou não, na ética que a perpasse, pode contribuir como não para a resolução como para o bloqueamento, o baralhar da informação ...
E continuava:
Não escrevo aqui sobre o preservativo que sei ser instrumental incontornável na prevenção do alastrar da pandemia embora encontre inúmeros obstáculos, civilizacionais, culturais, religiosos e outros pela frente, escrevo antes de uma atitude que tem de ter o Outro no centro e diante do qual ela obriga ou deveria a eticamente obrigar a tê-lo na máxima consideração ao ponto de achar e não estou sozinho que este é, fundamentalmente, um problema de saúde pública que entronca no exercício da cidadania, na salvaguarda e no respeito pelos direitos humanos!
Chegou o tempo em que as palavras de ordem que há muito elaborei se impõem de maduras ao ser, o problema da SIDA colocado no exacto plano, não o de qualquer moralismo serôdio mas no plano ético, naquele da cidadania e da defesa intransigente dos Direitos da Mulher como do Homem!
Queria, por fim, acrescentar, a propósito do ponto em que reafirmo ser a palavra vida por logo nela a vida, como anti-viral se conter:
O que é dito ou nos envolve ou não e se nos envolve então obriga-nos a ser consequentes com ela ao ponto da constatação e da plausibilidade do ditado, sabedoria popular, não casuística (!), que nos diz que o que sai pela boca menos hipóteses terá de sair, desregulado, por outro lado qual seja.
Assim, tudo o que possa dizer e logo porque é dito ou escrito, concorre também e ainda que por antinomia ou paradoxo, para a prevenção da pandemia e de quanto mais for dito mais ela própria se contém.
Acresce que a SIDA é sexualmente transmissível e que esta se espalha tanto mais quanto menos do sexo se falar, quanto mais tabu este o for e, logo também, desregulado se tornar ...
Senão, desafio-Vos a nesta caixa de comentários tudo dizerdes, escreverdes sobre o que a propósito desta temática e sem papas na língua, Vos possa ser sugerido, já que todos os dias são dias mundiais da SIDA!
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 2 de Dezembro de 2009
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
AUTONOMIA E INDEPENDÊNCIA
Neste dia 1 de Dezembro em que se encerra a XIX Cimeira Ibero-Americana, em que, em Lisboa entra em vigor o Tratado de Lisboa que vem dar outra agilidade à União Europeia e em que, em simultâneo e sublinhem-se as coincidências não casuísticas (!), se celebra a Restauração da Independência de Portugal em 1640 e tudo isto tendo por pano de fundo e meta próxima a Conferência de Copenhaga sobre as alterações climáticas a ter lugar entre os dias 7 e 18 de Dezembro do ano que corre, importa reflectir sobre estes conceitos, autonomia e independência, reflexão que na modernidade se impõe como decisiva, estratégica mesmo. Como sobreviver com qualidade de vida?
Independentes ou autónomos e em rede?
Eu coloco estas perguntas assim, interpelando cada uma das nossas consciências individuais porque só assim a reflexão se reporta, seriamente, a cada um de nós e ganha, desta forma, outra acutilância que, essa sim, nos interpela directamente e ajuda a perceber os ganhos que ao nível da superestrutura, das instâncias internacionais, afinal, já assume decisiva consciência e massa crítica.
Eu não sou independente mas antes sim, interdependente, dependo de terceiros e a mais não posso ambicionar senão à minha autonomia!
Ser livre não é fazer o que entender sem medir as consequências dos meus actos, até porque eles, em ricochete, digamos, se abatem, mais tarde ou mais cedo, positiva ou negativamente, sobre mim próprio.
Ser livre, verdadeiramente, é ser autónomo na medida em que se tal pressupõe direitos, estes estão indissociavelmente ligados aos deveres que tenha e logo no respeito pelo Outro, sem cuja resolução o direito à cidadania se restringe e condiciona sem verdadeira e crítica, ética, possibilidade de afirmação.
Eu sou autónomo como logo no uso das novas tecnologias se constata pela impossibilidade de comunicar que não seja em rede e essa rede é universal e vai muito para lá desta realidade que sendo virtual, apenas reflecte aquela que é global!
Na multilateralidade dos grandes espaços geográficos que se enraízem e tenham voz, numa só voz que os saiba balancear, a rede das nossas incontornáveis interdependências nas desejáveis autonomias que se constituam e afirmem, se poderão atalhar com verdadeira efectividade os elos fracos que à nossa sobrevivência, com a qualidade de vida herdada, possa garantir e sustentavelmente aprofundar, o que pressupõe, também, globalizar.
E na realização desse desidério, a Paz é incontornável!
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 1 de Dezembro de 2009

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