domingo, 17 de maio de 2009

ARTE E CIÊNCIA

Ambas, arte e ciência, não perdurariam nem se exponenciariam sem inspiração e sem técnica.
Inspiração ou criatividade que num caso, na arte a acrescenta de um sopro adicional e na ciência também, pela capacidade de interrogar o que se tem por adquirido.
Técnica, em ambas, sem a qual não seria possível representar tudo o que está para lá do que se vê, stricto senso e potenciando as linguagens que lhes são próprias, tanto à ciência como à arte.
Tanto a uma como à outra.
A ciência assenta na experimentação onde os factos, a sua apriorística observação confirma hipóteses em leis que se aplicam e transformam o real.
A arte, ao sujeitar-se à prova do tempo que a corrobora amplificando-a ou não e redimensionando, por sua acção também, a realidade.
Simétricos, num caso como no outro, à priori ou à posteriori, os factos as confirmam a ambas.
A arte informa a ciência e a ciência inspira a arte.
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Eu escrevo
e na escrita exercito a minha técnica
mas se não fosse a capacidade crítica
de me interrogar
criando
de muito pouco a primeira serviria
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" Não existe teoria, apenas escuta. A fantasia é a Lei."
( atribuido a Claude Debussy
)
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 17 de Maio de 2009

sábado, 16 de maio de 2009

NADA TER

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Nada ter é tão pouco, alguma coisa ou muito?
No vácuo existiria ainda um espaço não preenchido de matéria clara ou escura;
No vazio, um espaço sem matéria, sem campo ou radiação;
No nada, nem espaço existiria, seria a ausência de lugares, um não lugar que numa singularidade primordial deu origem a tudo o que existe.
Conseguiremos imaginar esse momento, antes dessa singularidade primordial?
Onde não existiria nem tempo nem momento, nem espaço ou coisa alguma mas que, no entanto, a tudo deu origem?
O caos ...?
A teoria do caos que para a física e a matemática explica o funcionamento de sistemas complexos e dinâmicos?
Nada ...
O que é o nada?
Nada são já quatro letras e ao tê-las já é alguma coisa!
Muito, pouco ou nada!?
Caos também tem quatro letras ...
E Deus!?
Outras quatro ...!
Que maravilhosas combinações de caracteres sem as quais, no princípio, no meio ou no fim, nada existiria!
Nada já é ter alguma coisa.
Já é alguma coisa!
Como quantificá-lo, qualificá-lo não menos!?
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 16 de Maio de 2009

Random Sphere

Onde a ciência inspira a arte e a arte informa a ciência

sexta-feira, 15 de maio de 2009

PARA ALÉM

Há uma pobreza incapaz de ver para além dos números ou da sua própria ostentação e ganância;
Há uma pobreza incapaz de olhar para além da politiquice vã na cobiça dos seus próprios interesses particulares e mesquinhos;
Há uma pobreza redutora, incapaz de admitir para além do seu saber específico, convencida que vive na superioridade inabalável das suas graduações que aos outros saberes lhes fariam sombra ou dispensariam de todo;
Há uma pobreza que vive agarrada ao seu estatuto e lugares, incapaz de se dar para além daquilo que tem e que julga seu, vitalício.
Há uma pobreza que não é capaz de sair para além da sua sobranceria aparentemente escudada em abertura, em suposta entrega também.
Há uma pobreza, porém, que é rica:
A que sofrendo anima;
A que cantando, pela Poética e como um mar, transvasa e irriga o Mundo;
A que não tendo dá e dá-se sem regatear e mesmo se, aparentemente, os outros dela fazem orelhas mocas;
Há uma pobreza que é rica, riquíssima e para além de tudo o que possa não ter e pareça ser.
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 15 de Maio de 2009

quinta-feira, 14 de maio de 2009

SERVIÇO AOS POBRES

O que é um pobre?
É aquele que carece de tudo o de mais elementar;
É aquele que não goza do direito ao trabalho;
É aquele que tem fome.
E, o que é a fome?
É a ausência do necessário alimento físico sem o qual a esperança se esboroa;
É a ânsia de Justiça, de Paz, de Liberdade e de Amor;
É a carência do alimento da alma, espiritual, sem o qual não nos sentimos saciados.
A oração, em si mesma, alimenta o espírito, a alma.
A Estética é, já de si, oração, sustentáculo da Ética e quer o seu Destinatário seja explícito, implícito e mesmo se, aparentemente, ausente.
Porque Ele está e valoriza-se, sem dúvida, pelo Belo!
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( Adaptado, foi publicado em primeira mão in Zimbórios a 14 de Maio de 2009 a propósito de um texto de Madre Teresa de Calcutá. )

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A guerra foi chão que deu uvas
E hoje
Sem luz
A luz da Estética
E longe de todos os constrangimentos
Não há intersecção bastante
Catálise tão pouco
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 14 de Maio de 2009

Caravaggio, Adoração dos Pastores ou retrato de mãe pobre com seu filho, 1609

quarta-feira, 13 de maio de 2009

CHAPELADA

Quis deixar passar o dia treze e assim fazer assentar as poeiras das minhas Guerras como o escreve com maiúscula a Filomena, dando também azo e espaço a que as reflexões se distendessem e desentorpecessem.
O último comentário da Filomena fez-me, porém, antecipar os movimentos, não fosse tudo descambar ...
Afinal, a provocaçãozinha ou o avacalhar não têm de ser inimigos da reflexão mais profunda que, longe de mim, não visa intimidar ninguém.
E da brincadeira não resulta, necessariamente e como se vê, a falta de respeito.
Alimento, aliás, sempre a esperança que reflexão profunda, longe de poder ser factor de contenção ou constrangimento, pelo contrário, desencadeie a reflexão viva, a polémica, porque não (!?), a discussão sem a qual, dificilmente se poderá fazer luz acrescida.
E agradou-me, olhando para a caixa de reflexões da página anterior, não apenas os comentários produzidos como também os cambiantes que progressivamente conduziram à brincadeira a que, não menos rica e sintomática, as minhas amigas estão sempre prontas e a que eu, confesso-Vos, também não resisto.
Chapéus há muitos e cada qual enfia os seus!
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 14 de Maio de 2009

terça-feira, 12 de maio de 2009

INTERSECÇÃO

Mulher
Senhora ou mãe
Maria
pousada do agora ao que seria
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Intercessão
intersecção
ventre
onde planos cruzam-se entre
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Filha de Maomé
de Jehovah vem
ponte o é
Jerusalém
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Aparição que se ergue em ermida
apelo à Vida
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Modéstia de um olhar
que querendo o Mar
sabe não perder o que levar
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http://www.youtube.com/watch?v=dRxcrPiT2k4
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 12 de Maio de 2009

ZÉNITE

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Zénite ou o exacto ponto acima da cabeça e projectado na abóbada celeste
intersecção da vertical superior do lugar com a esfera celeste
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Marco referencial de localização da rosa dos ventos em relação à posição do observador com os objectos celestes à sua volta
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Auge
apogeu
culminância
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Ilusão do lugar
do lugar escrito
fixa e simultaneamente fugidia sensação de realização
de plenipotência
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O belo
poesia
música
Deus
ou um eu
simultaneamente preenchido e logo dividido
entre um não e um sim
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Percurso sempre por refazer
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Efémero orgasmo
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Permanente busca
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http://www.youtube.com/watch?v=rz5midzzKpM
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 12 de Maio de 2009