terça-feira, 10 de novembro de 2009

TENTAÇÕES

Há muros que não são de esquerda nem de direita, são muralhas que nos toldam os discernimentos:
O muro que se ergue e que vê, subliminarmente, superioridade moral à esquerda desprezando a direita ou o muro que se ergue e à direita a vê como força moral não explicitada mas que não residiria à esquerda, por exemplo, o que inquina, balcaniza as lateralidades obstruindo exponenciar as energias acumuladas.
É como pensar, unilateralmente (!), que alguma coisa poderíamos ser anulando qualquer uma das nossas lateralidades ou branqueando a História!
É como não perceber que a Leste da Europa é a esquerda que faz o seu luto como a Ocidente a direita pelas tentações totalitárias em que ambas se deixaram, historicamente, enredar e que se tendo desmoronado à Europa a continuam, sem muralhas físicas, no entanto, a dividir e a assolar ...!
O que importa, urgentemente, resolver!
É na assumpção de uma relação de osmose simétrica que a estas barreiras urge, pelas lições da História e que a própria tradição cultural, a Oriente como a Ocidente tende, logo pelos alfabetos como por uma certa tradição religiosa que em simetria se afirmam, quantas vezes, a obstaculizar, na Europa como, estou certo, no Mundo, que importa, escrevia, ultrapassar:
Sem cair em tentações totalitárias que vêem no oponente não apenas rica e meritória contradição mas irremediável antagonismo, herança ainda não completamente partilhada da Guerra Fria e daquilo a que chamo de Guerras Civis Mundiais, consolidar as diferenças e potenciar as multilateralidades nas suas também múltiplas perspectivas quer individualmente como no Todo Global consideradas!
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( À Linda Simões que me deu a dica, na caixa de comentários da página anterior, para escrever aquilo que aqui sintetizo )
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 10 de Novembro de 2009

Kleber Galvêas, Vida

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

ESCALADA

Escada acima
subo a tempo
com a escalada
do vento
alpinista
quanto invento
escalo a vida
sem sustento
escala
oitava
instrumento
subo
se paro um momento
olho a vista
e nem comento
pois se falasse
não via
morria o instante
que fito
sem silêncio
e num tormento
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Caem os muros que cegam
a vista do que eles não negam
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( Nos vinte anos sobre a Queda do Muro de Berlim )
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 9 de Novembro de 2009

domingo, 8 de novembro de 2009

CARTA A JOSÉ FERREIRA

JOSÉ FERREIRA
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Meu Caro Amigo,
Resolvi responder-te às perguntas que compõem, na Sua coluna lateral, o teu blogue, Zebracial, http://zebracial.blogspot.com/, uma a uma e tim tim por tim tim:
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O que é que pertence à essência da experiência?
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Tu como eu, pertencemos à essência da experiência no que de essencial, primordial ela tem.
A tua como a minha existências no seu pensar e sentir e dos quais, sem escamotear nem um nem o outro, no composto do que daí resulta te fornece como a mim o que de ímpar, como testemunhos, possamos partilhar e logo, acrescentar à existência pertencem à essência da experiência.
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Que é uma coisa?
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Uma coisa ...
Uma coisa é o que é sem que o seja ainda ou sem que nos apercebamos tratar-se de um ser.
Uma coisa é, por isso, um estado transitório do conhecimento que no inanimado não vê, ainda, mais do que isso ou que neste ainda não descobriu quão animado pode ser e revelar-se.
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Ser culto é melhor que ser uma pessoa com carácter? Ou, uma pessoa ter carácter com cultura, é melhor do que ser uma pessoa sem carácter cultural?
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A estas duas perguntas juntei-as às duas como, aliás, elas o sugerem.
Saber-se se o carácter é geneticamente transmitido ou socialmente adquirido é um tanto como responder se Deus existe ou não mas, em todo o caso:
Se é adquirido e é-o sempre também, as circunstâncias moldam o carácter, é, em si mesmo, um dado cultural.
Não há, pois, carácter sem cultura.
O que se pode é discutir a natureza do carácter, se íntegro ou não e como.
Também nos podemos referir à cultura a partir de inúmeras perspectivas mas, em todo o caso:
A cultura e por mais vasta que seja não é, em si mesma, garante de um carácter íntegro mas se a uma vasta e sólida cultura se puder reunir um carácter íntegro, tanto melhor.
Resumiria pois a minha resposta às duas perguntas comentando que sempre mais vale uma pessoa de Carácter!
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O que é a amizade sem verdadeiros Amigos ?
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A amizade é sempre um desidério mas não me parece que se possa sustentar sem verdadeiros amigos.
No entanto, um verdadeiro amigo tem muito que se lhe diga e encontrá-los está muito mais nas nossas mãos do que em esperar-se que eles nos caiam do céu porque, se é verdade que é nas dificuldades que estes se revelam, por vezes, essas dificuldades têm muito mais a ver com os problemas de comunicação que nas amizades sempre se geram e aí, desfazer os nós ou os mal entendidos que surjam está muito mais nas tuas como nas minhas mãos do que aquilo que se é tentado a pensar na irresistível tendência de logo atribuirmos essas responsabilidades ao Outro num fraco exame de consciência que de nós próprios façamos.
A amizade é pois uma promessa, uma esperança, uma vela que se acende ...

José Ferreira, Candle

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Serão o Facebook, o Twitter, Hi5 etc. meios efectivamente ideais para fazer 1.758 amizades, reais, verdadeiras? Ou serão antes, uma montra de vaidades, um escape desesperado à solidão?
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As ferramentas, suportes de comunicação que sugeres são ferramentas, isso mesmo, como quaisquer outras, como, por exemplo, um blogue.
Pese embora já ter sido aliciado para o Facebook e o Hi5, a verdade verdadinha é que não consegui ainda entrar na sua linguagem e no seu manejo, por isso vou acumulando potenciais amizades sem, contudo, saber como utilizá-las, às ferramentas, aos suportes, evidentemente.
Mas são ferramentas, suportes e eles podem ser utilizados, como sabemos, para tudo.
O que não faço, por sistema, é generalizações!
Como ferramentas, suportes que são, no entanto, podem, estou certo, ser utilizados para fazer amizades reais, verdadeiras.
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Não sei se as minhas respostas te agradam, te preenchem mas, certo é que me deu imenso gozo tentar responder ao desafio que através delas, das tuas perguntas, aos teus leitores e logo a mim me lançaste.
Um Grande Abraço, Teu
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 8 de Novembro de 2009

sábado, 7 de novembro de 2009

PEDRADA

Ai falsa modéstia e mau perder
ai apagada lanterna sem ter sábio
juízo e força de querer mais aprender
saber o que não saia de meu lábio
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Vontade que não me falte de ouvir
o Outro em tudo o que tenha de seu rasgo
a acrescentar a mais ao meu sentir
que rompa a inércia do que em mim pasmo
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Pedrada que se atire a este charco
que agite em ondas densas sem ser parco
estagnado que esteja o lago em que eu nado
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E toque no fundo deste meu ser
em acorde saciado de tanto rir
irónico do que em mim mesmo saiba ver
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( A propósito de um lembrete de José Ferreira, em comentário da página anterior, onde me recorda palavras em que Shakespeare diz que a modéstia é a lanterna do sábio )
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 7 de Novembro de 2009

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

POR QUEM SE TOMAM

Por quem se tomam aqueles que, puxando dos seus galões, afirmam não receber lições de ninguém!?
Dito isto por quem assim se toma, está tudo estragado!
E não é que se ouve, amiúde, tal invectiva!?
Como professor que sou, quando das mais insuspeitas vozes oiço tal pronunciamento, logo me arrepio, não de emoção estética mas do seu contrário, de arrepio anti-estético como nota que se denuncia desafinada, mostrando por parte de quem assim se toma toda a sua mal disfarçada arrogância.
Isto, logo porque digo que professor que nada mais tenha a aprender, nomeadamente com os seus alunos, é professor que nada mais tem para lhes ensinar e, portanto, automaticamente deixa, de facto, de o ser!
Mas quando, cúmulo bem revelador de arrogância anti-democrática, se ouve amiúde e na Sede da Democracia, o Parlamento, a alguém, ilustre deputado ou governante dizer não ter lições de Democracia a receber de ninguém, por quem se tomará (!?), tocam os sinos a rebate e fico verdadeiramente siderado!
Por quem se toma quem tal se atreve a pronunciar?
Se a Democracia não é uma permanente aprendizagem onde todos ensinam e aprendem, dão e recebem, o que é que ela será?
Coisa estática e parada no tempo onde uns, por quem se tomarão (!?), sabem, quem avaliará que assim deva ser e os outros aprendem!?
Será o voto condição sine qua none para que assim, tomando-se por quem (!?), deva ser?
Tais afirmações são bem ilustrativas de uma forma fechada de exercício do poder e que na arrogância da sua perpetuação pelos seus intermináveis corredores nem se dá conta das figuras tristes e denunciadoras de tiques autoritários que nem pejo tem em os conter e que tantas outras prepotências as ajudará, eventualmente, numa cultura arreigada de arrogância, a explicar!
Por quem se tomam!?
Se se é democrático não se é unívoco, está-se pronto a admitir poder com o que os outros dizem aprender qualquer coisa de novo que ainda não se tinha apreendido e independentemente dos currículos de cada qual.
Tais afirmações, por quem se tomam (!?), denunciam o carácter autoritário, arrogante de quem as pronuncia e envergonham, seguramente, a Casa da Democracia!
Não foi a primeira nem a segunda mas oxalá tenha sido a última vez que se ouviu a alguém dizer, nessa Casa, tamanha alarvidade!
Por quem se tomam!?
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 6 de Novembro de 2009

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

RELATIVIDADE

Na perspectiva relativista não há padrão ou melhor, há tantos padrões, tantos quantos os indivíduos que impossível se torna entendermo-nos em função de um mínimo denominador comum.
Naquela da relatividade, porém, valorando-se o indivíduo e as perspectivas que o enformam, espaço há, todavia, para um mínimo denominador que a todos os congregue.
Partindo uma vez mais da fórmula de Einstein, E = mc2, energia igual a massa vezes velocidade da luz ao quadrado mas transpondo-a para a esfera da interacção individual em que, como já o escrevi anteriormente, a energia resulta do processamento cerebral elevado à potência de dois, a interacção que pelo Diálogo e multiplicada pela massa resulta em energia acrescida e que se desenvolve a uma velocidade dificilmente ultrapassável, logo se intui que neste, no Diálogo ou na liberdade de expressão que concede soberania ao desenvolvimento dialéctico do contraditório, no Diálogo, escrevia, a Democracia surge logo como mínimo denominador incontornável sem o qual este não se pode exponenciar e libertar em energias acrescidas.
O que aqui escrevo não se trata de uma simples metáfora ou alegoria, retórica tão pouco ...!
Tu e eu em interacção profícua e que aqui no meu blogue já por tantas vezes nesse factor acrescido se patenteou, libertamos pela massa sem a qual não poderíamos escrever e, portanto, desenvolver o contraditório, energia acrescida que ao próprio blogue o alimenta.
Nesse mínimo denominador, a Democracia que no Diálogo se traduz, se encerra o que de fundamental, diria eu, nos deve congregar.
Independentemente das mundivisões que a cada um de nós nos enformam e que, evidentemente, às nossas respectivas e individuais perspectivas as caracterizam, é pelo Diálogo que a outras e insuspeitadas energias as potenciamos e ao fazê-lo, dar-nos-emos conta (!?), distendemos em vez de crisparmos e libertamo-las a essas energias tornando-nos mais e mais disponíveis para o Outro.
Sendo um mínimo denominador, o Diálogo não é, porém, errático, tem regras como a música, ele já é musical (!), estético e logo mais do que uma fórmula matemática tout court, regras sem as quais este não pode ser fecundamente desenvolvido.
A energia não se cria subtraindo mas somando ( + ), acrescentando a tua à minha energias e por mais contraditórias que possam parecer!
Se eu não te ouvir, dificilmente poderei contra-argumentar no pressuposto do que, o que digas ou escrevas, em si mesmo se contém, e não em intencionalidades ou pressupostos sempre subjectivos que no que quer que queiras dizer ou escrever logo o armadilha e escamoteia.
E o inverso também é verdadeiro.
Na delimitação que pela definição das águas em que nos movemos se faz, nós não nos anulamos antes acrescentamos redobrada valia uns aos outros no mar comunicante em que incontornavelmente turbilhamos!
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 5 de Novembro de 2009

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

TU E O MUNDO

Qual é a diferença entre ti e o Mundo?
Tu és um um cheio de tus, um mundo.
O Mundo é uma imensa diversidade de tus, uns, cheia de ti.
É por isso que digo que conseguindo chegar a ti, de certa forma chego ao Mundo inteiro!
Repara:
Não te olho diferente de mim próprio ou melhor, sendo todos nós diferentes, em todos existe a diferença, a diversidade que a cada um nos caracteriza, me caracteriza também.
Diversidade pressupõe contradição e contradição desdobramento.
Eu sou eu próprio e o contrário de mim mesmo sendo que esse contrário não é o meu, seu contrário absoluto.
Haja embora uma diferença considerável entre palavras e tu ou eu, o que é certo é que de palavras também somos feitos e elas condicionam-nos.
Assim, como uma palavra que consultemos no dicionário, vejamos:
Ela é quer a sinonímia, quer a antonímia de si própria sendo que entre ambas pontes se estabelecem que nela, nessa palavra se fixam e histórica, etimológica e semanticamente nela desaguam até noutra, eventualmente, se fixarem.
As palavras são sorrateiras, em si mesmas profundamente dinâmicas e a tal ponto que, em cada uma se pode dizer que está a História, o Mundo todo.
O mal:
No mal está também o bem e vice-versa e este, o bem, seria inexplicável sem o mal.
A dor:
Na dor se pressupõe, inevitavelmente, o prazer e este último tornar-se-ia incompreensível, imperceptível sem a própria dor.
Como a vida, esta seria ininteligível sem a morte ...
Quer isto dizer que, assim sendo, vale tudo!?
Não, não vale!
Não vale porque se valesse cairíamos num relativismo tal, não relatividade mas relativismo (!), que eu me confundiria contigo e com o Mundo de tal maneira que, dispensando-nos uns aos outros, não sobraria espaço para ninguém nem para o Mundo e já nos teríamos extinto de vez.
Em rigor, se assim fosse, nem se justificaria o que aqui escrevo nem este meu blogue, tão pouco, que visando contigo comunicar, ao Mundo o não perde de vista e a ele, portanto, pretende também chegar.
Achas presunçoso da minha parte?
Em que conta, afinal, te tens a ti mesmo?
E é ou não, essa conta em que estimado te tens, legítima!?
Dependendo dos meios que se utilizem ...
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És tu mesmo uma barca
um mundo verde que abarca
que deste é para o outro lado
nas suas margens reinado
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 4 de Novembro de 2009