terça-feira, 13 de outubro de 2015

A SILENCIOSA PRISÃO DA LIBERDADE




Picasso, La Paloma De La Paz sendo que a Paz é livre ou não a será de todo








vivo na silenciosa prisão da Liberdade






porque a palavra escrita é silêncio prenhe de expressividade ao ponto de se poder converter, organizado, no seu simétrico sonoro ultrapassando as aparentemente intransponíveis fronteiras da superfície espelhada que em si mesma é



porque à palavra assim dada me encontro amarrado num encadeado que às masmorras as fazem zombar de inveja uma vez que esta última é um sentimento próprio de quem à Liberdade a amesquinha



porque a minha prisão silenciosa, feita em nome de e pela Liberdade, é livre, logo, auto consentida




e ao viver assim a troco de quantos custos, só eu e os meus mais próximos o sabemos, as algemas quebram-se e o pensamento, verdadeiramente, flui tão solto que ao mundo e às estrelas do universo os abarca

tão mais solto quanto pelo silêncio escrito, presente sim, pelo silêncio omisso, ausente não, fica preso, amarrado, agrilhoado à Liberdade












Jaime Latino Ferreira
Estoril, 13 de Outubro de 2015




terça-feira, 6 de outubro de 2015

SOBRE A HUMILDADE DEMOCRÁTICA




iluminura (?)






ainda que subliminarmente e de todas as partes, o discurso político vive barricado e impregnado da diabolização do oponente como se qualquer dos lados não carregasse consigo máculas, os outros sim, maniqueísmo que não conduz a lado nenhum muito antes pelo contrário

independentemente de em todos os campos os poder haver de uma ou de outra estirpe que sempre os há e tanto mais quanto filtrado pelo repentismo mediático, espremido, o discurso político reduz-se ao preto e branco:

- uns conspiram, os outros não -

- uns são maus, os outros bons -

- uns serão o diabo, os outros deus –

no meio disto tudo onde fica, efetivamente, a separação essencial entre os poderes temporal e intemporal ou, prosaicamente falando, a humildade democrática?

eis o que na arena política está por resolver e que logo à cabeça a envenena na certeza de que a minha afirmação não tem de passar pela diabolização de quem seja











Jaime Latino Ferreira
Estoril, 6 de Outubro de 2015




quinta-feira, 1 de outubro de 2015

PALAVRA



dando a cara







música por excelência, o conjunto das minhas palavras é o meu grupo depressão e apenas este, na palavra dada, me condiciona




no Dia Mundial da Música












Jaime Latino Ferreira
Estoril, 1 de Outubro de 2015




terça-feira, 22 de setembro de 2015

SER OU NÃO SER ESCRITO EM NOME PRÓPRIO



dando a cara







o problema de nos refugiarmos em generalidades, ideologias ou ao abrigo do institucional, do coletivo que é a mesma coisa, não que não sejam fundamentais porque o são, por mais cruas e pertinentes que possam ser as questões que por sua via se apontem ou denunciem tais como a corrupção consiste, precisamente, em que nessas generalidades, ideologias ou ao abrigo institucional, as questões denunciadas encontram sempre endémicas fugas de escape

agora, quando essas questões e tanto mais quanto globalmente consideradas, são interpeladas a partir de uma perspetiva unipessoal. em nome próprio, portanto e na palavra assim dada, quem interpela ou se compromete a si mesmo, efetivando-o a começar por si próprio ou não o fazendo, a denúncia cai pela base pondo em cheque e irremediavelmente aquele que as levanta poupando o institucional à exposição e, logo, ao erosivo e rápido desgaste que perigosamente não para de se acentuar

a minha palavra, nas provas dadas anos e anos a fio, de há muito me compromete por inteiro - por inteiro, repito - pelo que aí reside toda a diferença que como fator de dissuasão dessas mesmas questões, valia acrescida no seu combate e suplemento anímico do institucional, até pelo simples facto do cidadão singular nele, no institucional poder vir a encontrar eco e consagração ou lugar num outro institucional supletivo a criar e tanto mais quanto realizado sem recurso a quaisquer forças de pressão que à partida o condicionem, importará considerar

a corrupção, aliás, combate-se de forma muito mais efetiva pelo exemplo que frutifique e, logo, encontre eco no institucional do que por decreto

eis a assunção do meu fardo ou, se quiserdes, da minha cruz e quanto a esta, sendo certo que a perspetiva cristã tradicional a encara no peso depressivo e sacrificial, derradeiro, estrito senso considerado uma vez que à morte ninguém escapa e nesse sentido essa é a cruz que todos carregamos, por maioria de razão os mais velhos com ela convivem e nela se revêm e projetam, no entanto e já para não falar na relação da cruz com o sinal +, mais ou positivo que matematicamente ela simboliza, por exemplo, numa perspetiva aerodinâmica, não fora o formato em cruz, o avião e nenhum de nós, hoje em dia, conseguiria voar ou sonhar, ambicionar mais (+), aqui e outra vez em sentido metafórico, desejar o melhor que é o que os jovens, jovens de espírito ambicionam pelo que ela, a cruz não se antagoniza com a felicidade, a felicidade possível de alcançar, muito antes pelo contrário





refletindo a partir da entrevista concedida pelo Papa Francisco à Rádio Renascença nos desafios por Ele lançados, neles incluídos os ecológicos e, nomeadamente, quanto a saber se se quer uma Igreja quanto uma Europa avós, quer dizer anquilosadas ou antes mães e, por isso mesmo, abertas ou recetivas e atuantes



duo 






Jaime Latino Ferreira
Estoril, 22 de Setembro de 2015



quinta-feira, 17 de setembro de 2015

EM NOME PRÓPRIO




dando a cara







Aqui planto e em nome próprio
meu pensamento prosaico
que não confunde o arcaico
sendo laico e sendo sóbrio

Escritura não é nem estatística
nem grande número sem alma
na persistência e na calma
do que resiste e tem mística

Sendo o que escrevo micróbio
de um vírus tem o mosaico
da palavra sem ser óbvio

No singular minha palma
é da criação artística
o que no concreto se espalma


sendo eu, sou eu e o mundo





remeto para 1, 2, 3, 4









Jaime Latino Ferreira
Estoril, 17 de Setembro de 2015




sexta-feira, 11 de setembro de 2015

REFUGIADO
















Na minha terra sou um estranho
da guerra fujo desde antanho
desarmadilho os receios
semeio o verbo em canteiros

Na minha língua seus veios
não têm limites fronteiros
com ela me aparto e retenho
o refúgio do assanho  

Por abismos ribanceiros
revolvo a terra e a um lenho
limo arestas que são freios

Abre-se a terra e o meu senho
descanso dá aos forasteiros
na paz que buscam e a que venho



dos refugiados que nós todos, afinal, o somos ou não estivéssemos por cá de passagem





remeto para 1, 2 e 3








Jaime Latino Ferreira
Estoril, 11 de Setembro de 2015




terça-feira, 8 de setembro de 2015

A MÚSICA DAS PALAVRAS




primeira fotografia de capa de A Música Das Palavras







A música das palavras
é a safra do que lavras
o que nela colhido te soa
por ti bate e mais ecoa

Não é tanto o desenho que destoa
da palavra sua forma que ressoa
é o que dela transpira e não travas
nem reduzes aos contornos em que a encravas

A música das palavras
não é uma cantilena escrita à toa
tão pouco a melopeia que trauteavas

É meu fio-de-prumo e uma loa
matriz de minha vida que sopesavas
moldada num soneto erguido à proa






dedicado ao Papa Francisco sublinhando a existência de uma terceira carta escrita à data da Sua tomada de posse, carta essa, entretanto, obliterada mas aqui, de novo, reposta









Jaime Latino Ferreira
Estoril, 8 de Setembro de 2015