terça-feira, 18 de dezembro de 2012

PRESÉPIO

Marc Chagall, A Sagrada Família, 1909
 

 
No Presépio está a sacralidade, isto é, a inviolabilidade da pessoa humana e tanto mais quanto perseguida o for, quer seja ela criança, mulher ou homem bem como, senão pense-se no paradoxo de Maria enquanto virgem mas mãe ou em S. José como pai adotivo substituto de um Pai, à luz dos cânones da época, inexistente ou incógnito, seguramente proscrito ou desterrado, nas modernas formas de organização familiar ou, então, em tudo o que os avanços científicos, hoje, já potenciam nesse permanente abrir da caixa de Pandora que nos caracteriza quando não, desde já e uma vez acautelada toda a prudência, anunciam.
Nesse extraordinário cadinho, o impulso do Presépio, Cristo seguiu, inflexível, um projeto de afirmação pacífico, também político, ao tempo do império da força e na assunção da blasfémia que não terá sido declarar-se, numa sua remota província, filho de Deus pelo que do imperador, um seu igual, portanto, quando Deus se confundia com o próprio imperador.
Sem ele, sem o Presépio e por linhas históricas direitas ou travessas, em círculos concêntricos, também não se teria chegado às declarações universais dos direitos do Homem nem da Criança e, muito menos, à Democracia tal como hoje a concebemos e na lógica não apenas da separação e da divisão de poderes como do seu crescente aprofundamento.
A simbologia que o Presépio encerra é, hoje, mais atual e premente do que nunca e o mistério que nele se guarda, precisamente pela sua acutilante atualidade e, logo, premonição, longe de se atenuar adensa-se cada vez mais.




 

BOAS  FESTAS
 

Jaime Latino Ferreira
Estoril, 18 de Dezembro de 2012
 
 
 

15 comentários:

manuela baptista disse...

diferente a sagrada família

por isso Sagrada e Família


tudo o que foge à regra, incomoda, a não ser assim, alguns anos depois não acabaria na cruz

Boas Festas para ti, também!

Filomena disse...

Jaime!

Não podia deixar passar este texto tão atual sobre um tema tão bonito, como o do presépio.
Gosto e, como qualquer simples mortal, ajoelho diante da beleza que deve ser a da Família.

Beijos de Bom Natal


Filomena

Jaime Latino Ferreira disse...

Meus Caros,

REFORÇO 1

A Sagrada Família não continha nada de tradicional ou costumeiro e, por isso mesmo, se escondeu numa manjedoura para fugir ao decreto do Rei Herodes que teria mandado matar todos os nascituros por medo de vir a perder o seu trono para o profetizado rei dos judeus.

Clandestinamente ela se cumpriu obedecendo a todos os requisitos que, hoje, poderiam corresponder àquilo a que, prosaicamente e é dizer pouco, se chama uma família nada convencional.

Jaime Latino Ferreira
Estoril, 20 de Dezembro de 2012

Jaime Latino Ferreira disse...

Caríssimos,

REFORÇO 2

Confundir família não convencional com família desestruturada constitui um grave equívoco.

Ele há famílias nada convencionais unidas pelos mais fortes elos do amor como há famílias convencionais que, desestruturadas, assentam no exercício das maiores arbitrariedades.

Outro equívoco consiste na ideia de género que assentaria, por oposição a fragilidade, na força física e não naquela que, em pé de igualdade, os faz comungar no amor.

Destes equívocos os maiores impasses persistem em prejuízo daquilo que sendo durável, perene, é fundamental, a saber:

Não há família sem amor e o resto é retórica e manobras dilatórias!

Jaime Latino Ferreira
Estoril, 20 de Dezembro de 2012

Jaime Latino Ferreira disse...

Prezados Leitores,

REFORÇO 3

Manobras dilatórias, de dilatório ou daquilo que se faz por adiar.

Adiar pode ser uma atitude inteligente quando, por exemplo, se relacione com a gestão política de uma situação delicada que envolva muitas sensibilidades e onde não se torne claro o sentido para que elas pendam, sobretudo, perante assuntos como aqueles dos costumes e das novas formas de organização familiar que, por isso mesmo, se tomam por fraturantes.

Assim, em nome da unidade se adiam clarificações.

Mas chega sempre uma altura em que adiar faz inverterem-se os termos da própria equação enunciada atrás.

Assim, nada garante que por persistir-se na ambiguidade, o que se quereria, à outrance, manter unido, afinal, não se frature ainda mais ou se estiole mesmo e, sobretudo, quando o persistente adiamento que se quereria tomar por impoluto mas que não passa de um teimosa renitência que nada tem a ver com princípios, faz recair sobre si mesmo as mais avassaladoras das suspeições.

Ambíguo?

Para quem saiba ler.

Jaime Latino Ferreira
Estoril, 21 de Dezembro de 2012

Jaime Latino Ferreira disse...

Mais que Prezados Leitores,

REFORÇO 4

Pretender à viva força manter unido aquilo que, ainda que em prejuízo dos princípios, como o azeite e o vinagre não se mistura, pode ser uma receita que produz os piores dos resultados.

Essa receita, embora mantendo à tona o azeite, a verdade ou o unguento purificador acaba por não neutralizar, no fundo e pela calada, a persistente acidez que os corrói e se despoleta, o mal viver consigo próprio em tudo contrário ao bem viver, ele sim, eixo axial e força motriz da disponibilidade e do amor que se têm a ver com a castidade lato senso considerada não se confundem com qualquer normativo castrador.

Não se estando bem consigo próprio, como se poderá estar bem com os outros?

A verdade é como o azeite, acusando a acidez vem sempre ao de cima.

Jaime Latino Ferreira
Estoril, 21 de Dezembro de 2012


Nota: A castidade é um lugar sagrado e íntimo, indeterminado em cada um de nós que nos mantém íntegros.

Jaime Latino Ferreira disse...

Prezadíssimos,

REFORÇO 5

Eu amo-te, que quer dizer isto?

Tal significa que no absoluto respeito pelo Outro, maior e igual, o que implica o não anulamento de um pelo outro, seja ele quem for, na fidelidade, com ele se quer partilhar tudo, os bons como os maus momentos da vida.

Significa estar disponível para o Outro e, ao está-lo, para todos os outros também se ficar disponível.

Quem sou eu, quem é o Outro?

Teremos de obedecer a um perfil ou a uma morfologia específicos?

Ou o Outro é tudo o que nele a mim me completa para lá de todas as nuances físicas?

O Outro, nele incluída a sua dimensão metafísica.

O Outro e eu não somos nem simples apêndices ou encaixes, nem meros sistemas reprodutores, somos muito mais do que isso.

Somos criatividade latente que de um no outro dá à luz.

Jaime Latino Ferreira
Estoril, 22 de Dezembro de 2012

ki.ti disse...

Não é reforço, é suplemento alimentar.

Jaime Latino Ferreira disse...

KI.TI


Nada como uma gata para por os pontos nos iis de ki.ti e não só!!!

Miiiau


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 23 de Dezembro de 2012

Silenciosamente ouvindo... disse...

Venho desejar um Feliz Natal a si
e sua Família.
Cumprimentos
Irene Alves

Jaime Latino Ferreira disse...

IRENE ALVES


Minha Amiga,

Reconhecido, para Si e toda a Sua família Lhe retribuo os votos que me deseja.

Com as melhores saudações, Feliz Natal


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 24 de Dezembro de 2012

vieira calado disse...

Olá, como está?
Venho expressamente desejar-lhe um Bom Natal!
Um abraço.

** Há um novo poema de Natal no meu blog

Jaime Latino Ferreira disse...

VIEIRA CALADO


Caro Amigo,

Para Si e para todos os Seus, retribuo os votos de um Bom Natal.

Com um abraço cordial


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 25 de Dezembro de 2012

Branca disse...

Jaime,

Depois do Natal passo para lhe desejar a continuação de Boas Festas e tudo de bom para o ano de 2013.

Beijos
Branca

Jaime Latino Ferreira disse...

BRANCAMAR


Branca, Querida Amiga,

Para Si e para todos os Seus Lhe retribuo os votos que me deseja no desejo de um ano de 2013 melhor do que o perspectivam.

Obrigado e beijinhos


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 27 de Dezembro de 2012