quarta-feira, 20 de março de 2019

O QUE FALTA

















os fascismos de todos os matizes há muito que perceberam que, para se imporem e num primeiro tempo, há que ganhar eleições ainda que se democráticas forem

tendo em vista o seu enraizamento e aprofundamento e agindo em consonância, à Democracia e aos democratas em geral falta, por seu turno, aprenderem que há coisas que não se sujeitam ao sufrágio universal nem à lógica imanente às ruas ou
 às redes sociais

a saber, as questões de princípio que à Democracia a sustentam e salvaguardam e tanto mais quanto se sistematizadas em Obra que aqui, em parte, perseverante se patenteia no respeito integral pelas instituições democráticas o que congruentemente e sem tibiezas, há dezenas de anos e na primeira pessoa, essa que é o destinatário último dessa mesma Democracia assente na Declaração Universal Dos Direitos Humanos, na primeira pessoa, repito, persigo







de como a catástrofe ciclópica que se abateu sobre Moçambique, Zimbabué e Malaui na qual choro as suas incontáveis vítimas, incontornável, vai impondo o que com toda a oportunidade escrevi em Alta Política









Jaime Latino Ferreira
Estoril, 20 de Março de 2019








sábado, 2 de março de 2019

ALTA POLÍTICA







Partenon, Atenas








 Inclusiva
a Alta Política não aponta o dedo a ninguém o que, aliás e lá vaticina a Educação, é gesto muito pouco recomendado

a Alta Política e pelo exemplo aponta, isso sim, o caminho a seguir

pacificamente e pela palavra, sua arma de excelência, pelo exemplo e nele se resguardando na primeira pessoa, a Alta Política fala, em público só escreve em nome próprio indefetível, paciente e espera, desta feita, vir a reunir urgentes consensos políticos tão vastos quanto possíveis forem

em nome da Paz e do combate às alterações climáticas o que, bem vistas as coisas, são uma e outra face da mesma moeda

com toda a transparência e congruência, encarno a Alta Política e por Vós todos, em nome da Democracia sem a qual a Paz e o referido combate não passariam de um difuso anseio mirífico, conferindo plena soberania ao Multilateralismo, portanto, permaneço inamovível





Alta Política ou arte de reunir os mais vastos quanto universais consensos políticos









Jaime Latino Ferreira
Estoril, 2 de Março de 2019






domingo, 10 de fevereiro de 2019

INVISÍVEL VISIBILIDADE






fotografia de Manuela Baptista







O que escrevo está marcado por uma invisível visibilidade

Embora poucos me leiam, a palavra transparece como as multidões o não conseguem e ela é tanto mais transparente quanto permanece fiel

Fiel ao que diz e escreve, a si mesma, portanto

Atendei-a, pois, sob pena de nada valer

Atendei-a como marco de referência democrático sem o qual todos os outros ângulos da Democracia de pouco ou nada servem, valem ou fazem, sequer, qualquer sentido







com o coração constrangido pelos pontapés que, mundo fora, se dão na gramática, em prejuízo dos Povos, da Arte e da Dramática











Jaime Latino Ferreira
Estoril, 4 de Fevereiro de 2019





segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

DEFESA DA MINHA PÁGINA ANTERIOR













das entrelinhas que dela se abrem, abrem e não fecham


Do que me parece sobre o que, em diálogo com o Papa, Lhe escrevi na minha página anterior:
Ao seu apelo de oração por que se transmita a fé em diálogo com a cultura, respondo-Lhe com a questão essencial, primordial, chamei-lhe no meu blogue que, em simultâneo, sendo cultural é, também, uma questão de fé e/ou não fé, aquele a que chamaria o diálogo dos diálogos culturais.
De fé e/ou não fé já que uma não vive sem a outra e Deus sem ambas!
Havia mesmo de se invocar o Santíssimo se Nele não houvesse quem não crê-se e se, portanto, constituísse uma clamorosa evidência!
A questão de crer ou não crer que poderia ser considerada como estando na génese de toda a conflitualidade entre religiões e culturas, no meu curto texto, intelectual e/ou culturalmente, num ápice, a resolvo pondo a nu, essa sim, uma evidência e pleonasmo à parte, no induzido elogio da separação de poderes abrindo espaço, consagração reforçada à laicidade, nomeadamente, a dos Estados hoje tão questionada, vista a partir da perspetiva do crente e ao encontro dos desejos do Papa - não nos esqueçamos que é no Novo Mundo que reside o dilema com que a Igreja se defronta, tanto mais quanto na concorrência com outras que lhe vão levando a palma e que, simbolicamente, à eleição de um Papa sul-americano justificou - num breve texto que é, em simultâneo e em si mesmo, um ato de fé quanto de cultura sem deixar o encargo por mãos alheias!
E instando à Paz que, na laicidade, apenas nela lhe está implícita, neutralizando, intelectualmente que é por aí que tudo começa, o terror.
















Jaime Latino Ferreira
Estoril, 7 de Janeiro de 2019







quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

FÉ & CULTURA, DIÁLOGO PRIMORDIAL












em diálogo com o Papa cujas afirmações seguem por link e devidamente transcritas:



« Rezemos para que as pessoas comprometidas com o serviço da transmissão da fé encontrem uma linguagem adaptada aos nossos dias em diálogo com a cultura. »

Papa Francisco, Dezembro 2018





PAPA  FRANCISCO


Santo Padre,


Obrigado pela partilha que connosco faz!
É como dizeis:
De que adianta invocar o Santo Nome se cair em saco roto?
Dir-se-á que nunca cai em saco roto mas para um ateu, cai mesmo, melhor, só de O se ouvir pronunciar, afugenta-o.
Daí achar sempre que nada como O subentender sem O explicitar.
Sabe, Santidade, nas entrelinhas da complexidade de um texto, da palavra, portanto, a imensidão do Cosmos porque se um texto é plano, digamos ou sem profundidade, tudo o que dele releva é a evidência e mesmo se a Deus se O invoca, reduzindo-O ao que Ele, acima de tudo, não é:
Evidente porque se o fosse, a eterna questão de crer ou não crer, tal como Ele, não subsistiriam ad infinitum.
Implícito ao que aqui Lhe deixo e nas entrelinhas que deste meu curto texto se abrem, sempre e por suposto « … em diálogo com a cultura. », também eu e nelas mesmas, fé e cultura aqui presentes e coloquiantes, em conjunção, portanto, as sublinho!


Vosso e sempre













Jaime Latino Ferreira
Estoril, 9 de Dezembro de 2018





terça-feira, 13 de novembro de 2018

COLHEITA






 
Picasso, Pomba da Paz







Quem à palavra como arma
só usa em terra que se lavra
seus frutos colherá em tempo certo
nela amadurecidos a céu aberto

Por demais que a use com acerto
não imperará sem grande aperto
a montes e vales os revolverá
e às tormentas e intempéries lhes fará

frente sem esmorecer e opinará
sem hesitar dando-lhes conserto
como nesta amostra ou seu breve excerto

Antes de reunido o concerto
de todos quantos importa e que trará
pacificado consenso que vingará




sendo este o terceiro tempo de uma trilogia composta por três sonetos, nela incluídos Não São Demais e Haja Quem, quem pela palavra escrita se afirma é pela palavra escrita que se infirma, faceta tão subalternizada da Democracia




1, 2



PAX






 Jaime Latino Ferreira
Estoril, 13 de Novembro de 2018





segunda-feira, 12 de novembro de 2018

HAJA QUEM






Picasso, Pomba da Paz





Basta haver quem se alteie
e que por se elevar medeie
que aos demais trará o querer
que vença as inércias do ser

Se esse alguém se oferecer
perfilando-se sem mais ter
escreva ele tudo o que anseie
sem que a vanglórias hasteie

Na vontade delineie
sem pelo meio se intrometer
nem medo do que receie

olhar pois terá de ver
e no que veja franqueie
seu limitado saber




altear-se é erguer-se ou elevar-se e só quem, como descrito, o consegue fazer, de facto, está em condições plenas de pelo exemplo, apenas pelo perseverante exemplo mediar, por maioria de razão se pela escrita, forma sublime de comunicação








PAX







Jaime Latino Ferreira
Estoril, 12 de Novembro de 2018