domingo, 10 de fevereiro de 2019

INVISÍVEL VISIBILIDADE






fotografia de Manuela Baptista







O que escrevo está marcado por uma invisível visibilidade

Embora poucos me leiam, a palavra transparece como as multidões o não conseguem e ela é tanto mais transparente quanto permanece fiel

Fiel ao que diz e escreve, a si mesma, portanto

Atendei-a, pois, sob pena de nada valer

Atendei-a como marco de referência democrático sem o qual todos os outros ângulos da Democracia de pouco ou nada servem, valem ou fazem, sequer, qualquer sentido







com o coração constrangido pelos pontapés que, mundo fora, se dão na gramática, em prejuízo dos Povos, da Arte e da Dramática











Jaime Latino Ferreira
Estoril, 4 de Fevereiro de 2019





segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

DEFESA DA MINHA PÁGINA ANTERIOR













das entrelinhas que dela se abrem, abrem e não fecham


Do que me parece sobre o que, em diálogo com o Papa, Lhe escrevi na minha página anterior:
Ao seu apelo de oração por que se transmita a fé em diálogo com a cultura, respondo-Lhe com a questão essencial, primordial, chamei-lhe no meu blogue que, em simultâneo, sendo cultural é, também, uma questão de fé e/ou não fé, aquele a que chamaria o diálogo dos diálogos culturais.
De fé e/ou não fé já que uma não vive sem a outra e Deus sem ambas!
Havia mesmo de se invocar o Santíssimo se Nele não houvesse quem não crê-se e se, portanto, constituísse uma clamorosa evidência!
A questão de crer ou não crer que poderia ser considerada como estando na génese de toda a conflitualidade entre religiões e culturas, no meu curto texto, intelectual e/ou culturalmente, num ápice, a resolvo pondo a nu, essa sim, uma evidência e pleonasmo à parte, no induzido elogio da separação de poderes abrindo espaço, consagração reforçada à laicidade, nomeadamente, a dos Estados hoje tão questionada, vista a partir da perspetiva do crente e ao encontro dos desejos do Papa - não nos esqueçamos que é no Novo Mundo que reside o dilema com que a Igreja se defronta, tanto mais quanto na concorrência com outras que lhe vão levando a palma e que, simbolicamente, à eleição de um Papa sul-americano justificou - num breve texto que é, em simultâneo e em si mesmo, um ato de fé quanto de cultura sem deixar o encargo por mãos alheias!
E instando à Paz que, na laicidade, apenas nela lhe está implícita, neutralizando, intelectualmente que é por aí que tudo começa, o terror.
















Jaime Latino Ferreira
Estoril, 7 de Janeiro de 2019







quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

FÉ & CULTURA, DIÁLOGO PRIMORDIAL












em diálogo com o Papa cujas afirmações seguem por link e devidamente transcritas:



« Rezemos para que as pessoas comprometidas com o serviço da transmissão da fé encontrem uma linguagem adaptada aos nossos dias em diálogo com a cultura. »

Papa Francisco, Dezembro 2018





PAPA  FRANCISCO


Santo Padre,


Obrigado pela partilha que connosco faz!
É como dizeis:
De que adianta invocar o Santo Nome se cair em saco roto?
Dir-se-á que nunca cai em saco roto mas para um ateu, cai mesmo, melhor, só de O se ouvir pronunciar, afugenta-o.
Daí achar sempre que nada como O subentender sem O explicitar.
Sabe, Santidade, nas entrelinhas da complexidade de um texto, da palavra, portanto, a imensidão do Cosmos porque se um texto é plano, digamos ou sem profundidade, tudo o que dele releva é a evidência e mesmo se a Deus se O invoca, reduzindo-O ao que Ele, acima de tudo, não é:
Evidente porque se o fosse, a eterna questão de crer ou não crer, tal como Ele, não subsistiriam ad infinitum.
Implícito ao que aqui Lhe deixo e nas entrelinhas que deste meu curto texto se abrem, sempre e por suposto « … em diálogo com a cultura. », também eu e nelas mesmas, fé e cultura aqui presentes e coloquiantes, em conjunção, portanto, as sublinho!


Vosso e sempre













Jaime Latino Ferreira
Estoril, 9 de Dezembro de 2018





terça-feira, 13 de novembro de 2018

COLHEITA






 
Picasso, Pomba da Paz







Quem à palavra como arma
só usa em terra que se lavra
seus frutos colherá em tempo certo
nela amadurecidos a céu aberto

Por demais que a use com acerto
não imperará sem grande aperto
a montes e vales os revolverá
e às tormentas e intempéries lhes fará

frente sem esmorecer e opinará
sem hesitar dando-lhes conserto
como nesta amostra ou seu breve excerto

Antes de reunido o concerto
de todos quantos importa e que trará
pacificado consenso que vingará




sendo este o terceiro tempo de uma trilogia composta por três sonetos, nela incluídos Não São Demais e Haja Quem, quem pela palavra escrita se afirma é pela palavra escrita que se infirma, faceta tão subalternizada da Democracia




1, 2



PAX






 Jaime Latino Ferreira
Estoril, 13 de Novembro de 2018





segunda-feira, 12 de novembro de 2018

HAJA QUEM






Picasso, Pomba da Paz





Basta haver quem se alteie
e que por se elevar medeie
que aos demais trará o querer
que vença as inércias do ser

Se esse alguém se oferecer
perfilando-se sem mais ter
escreva ele tudo o que anseie
sem que a vanglórias hasteie

Na vontade delineie
sem pelo meio se intrometer
nem medo do que receie

olhar pois terá de ver
e no que veja franqueie
seu limitado saber




altear-se é erguer-se ou elevar-se e só quem, como descrito, o consegue fazer, de facto, está em condições plenas de pelo exemplo, apenas pelo perseverante exemplo mediar, por maioria de razão se pela escrita, forma sublime de comunicação








PAX







Jaime Latino Ferreira
Estoril, 12 de Novembro de 2018






domingo, 11 de novembro de 2018

NÃO SÃO DEMAIS






Picasso, Pomba da Paz





Aos princípios e aos valores
reafirmar sem ter temores
mais os preenchem se adstritos
ao um concreto em seus fitos

Não são demais estes ritos
mais a mais se em verso ditos
de um tronco comum como as flores
da substância dos clamores

De anunciados horrores
pelos lancinantes gritos
vertidos no que mais fores

Ai não são demais os meus escritos
expressos em quantos louvores
por todos e por tantos mais aflitos



na certeza de não ser possível, intolerável mesmo, deixar morrer a humanidade tal como a poética, irmãs inseparáveis que uma da outra são, andai – ANDA(i) na vertical das primeiras letras de cada estrofe - que se faz tarde





1, 2, 3



( no Centenário do Armistício )








Jaime Latino Ferreira
Estoril, 10/11 de Novembro de 2018






domingo, 23 de setembro de 2018

O SILÊNCIO E A PALAVRA














quem firme se mantém com toda a resiliência e sem desfalecer durante trinta anos, faltará pouco para se completarem, com o silêncio aprendendo a conviver na equidistância e na oportunidade dos factos e pela palavra escrita, não menos silenciosa quanto reflexiva, desta feita, se afirma, está em muito boas ou excelentes condições de à Paz a estabelecer e de no público silêncio, sem oralizar, portanto, se aguentar ao bulício dos intempestivos dias

eis o que mais falta faz

sem ceder à tentação dos soundbites tão conformes às redes sociais e do púlpito ou do microfone que são uma e a mesma coisa e, não menos, trampolins de demagogos e de populistas, assim como eu haja quem nessa postura cultivada ao longo de décadas, com toda a resiliência, repito, permaneça sem cessar

valorizando o que tão desvalorizado está:

o silêncio sem o qual não há música, apenas o ruído que é fonte de todos os impasses, dissabores, disrupções e rupturas

o silêncio gerador de Harmonia escrita com maiúscula ou entendida na sua mais lata aceção, isto é, para lá de toda a necessária quanto democrática dissonância





1, 2



no silêncio toda a música e a palavra






Jaime Latino Ferreira
Estoril, 23 de Setembro de 2018