immortal longings -
Existe um elo real, anseio, vínculo, forte conexão entre o que neste meu blogue escrevo e a minha vida quotidiana.
Se escrevo sobre uma face oculta, tal significa que a minha face, cara permanece oculta, por ora, no meu perfil.
Se escrevo sobre o inconformismo, tal significa, também, que exerço uma atitude inconformista que não se conforma com o facto de, por esta via, poder ou não vir a ser avaliado com todas as consequências que daí possam advir.
Se escrevo, por outro lado, que o autor é, parafraseando Manoel de Oliveira no Dia do Autor e no já longínquo ano da graça de 1989, que o autor é, assim ele o escrevia, um ladrão subtil, é porque a essa afirmação a integro como fazendo parte de mim próprio enquanto autor e deste meu blogue em particular ...
O autor é um ladrão subtil que surripia, qual antena, o que ao seu dispor lhe apraz e detecta e que sendo do domínio público, disponível, usufrui, transforma e recria como se a ele próprio lhe pertencesse, dando-o sempre de volta.
E nesse elo real que logo por escrito o é, forte conexão que o constrói e cimenta, o autor, sendo real, tempera-se e mede forças com a realidade exterior com que se confronta.
Sendo inesgotável a realidade e na sua medição, confronto com o inacessível, por outro lado, o autor calibra-se e põe-se à prova.
E pode, assim, dizer basta ou inconformar-se mais ainda, na fresta aberta que vai deixando entre o real imaginário e o imaginário real que sempre permanecerá aberta, logo o queira, como quem diz:
Qualquer semelhança com a realidade é mera mas real, Real, imperiosa coincidência e tanto quanto mais, persistente e inconformado, o tempo passa, naquele ponto fino, fugaz e volátil, subtil em que sempre se faz, me faço por balancear!
Se o elo é real, a conexão torna-se, então, de tão inesgotável e perene porque subsiste no tempo, imortal!
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 9 de Fevereiro de 2010








