domingo, 8 de setembro de 2013

GUERRA VERSUS PAZ

prisioneiro da Paz, fotografia de Jaime Latino Ferreira





a guerra traz mais guerra e a paz traz mais paz

mesmo quando a guerra ultrapassa todos os limiares violando todas as convenções ou atingindo o intolerável é pela paz na eficácia da retaliação concertada não implicando atos de guerra que se atingem os objetivos pretendidos

aqueles geradores de paz e não de guerra

que se quebre o enguiço neutralizando a guerra




war brings more war, peace brings more peace and above all what we need is peace

or/ou

acima de tudo é da paz que precisamos







Jaime Latino Ferreira

Estoril, 8 de Setembro de 2013



quinta-feira, 5 de setembro de 2013

DA PAZ

Picasso, l’homme en faveur de la paix






De há muito que ajo em prol da paz procedendo em conformidade, pacificamente portanto.
Em atos como em palavras.
Eu não sou o Estado, é certo e por isso o posso com tanto à vontade reiterar.
Um Estado é um Estado, assenta, ele próprio e por definição, num substrato de violência que o justifica e por mais democrático que o seja ou que se tenha vindo a tornar.
Eu sou eu e não exerço represálias nem a violência física ou psicológica que a um Estado, por natureza, sempre o caracterizam e, ainda que larvarmente, o acompanham.
Eu e só um eu se pode soerguer sem essa dilacerante mácula contaminante.
Eu pratico a Paz.
Um Estado não o pode fazer com o mesmo à vontade e, logo, ele não se pode tomar por impoluto ou acima dos outros Estados.
Eu sim e todos os Estados, em nome da paz, a um eu como eu se deveriam reportar e isto sem invalidar, muito antes pelo contrário, todo o edifício de concertação multilateral que a pulso e na arena internacional vai sendo construído e consolidado.
Um eu como eu com provas dadas e que se estendessem, perseverantes e resilientes, justificando-se e justificando-me tempo fora.
Um Estado é um Estado e eu não me confundo com qualquer um.
Com qualquer um e por mais democrático que o seja ou que se proclame!
Identifico-me com a Democracia, o caminho e a enchada para a paz.
Democracia que num contexto global se confunde, ela própria, com o multilateralismo e o concerto entre as nações.
Eu sou eu e respondo por mim:
Pela Paz!



remeto para Recomeço e Da Guerra e a propósito da Síria




Jaime Latino Ferreira

Estoril, 5 de Setembro de 2013



terça-feira, 3 de setembro de 2013

DA GUERRA

Salvador Dali, Premonition of Civil War





A guerra nunca é benfazeja mas será que se justifica nalguma circunstância?
A guerra pode-se justificar, por exemplo, para combater um estado de guerra.
O que é um estado de guerra?
É uma circunstância em que, ainda que latente, a guerra ameaça a paz.
Uma ditadura é um estado de guerra latente.
Uma guerra civil é um estado de guerra.
Uma situação em que se cometem crimes contra a humanidade tais como ataques químicos, em que se excedem, portanto, todos os limiares e convenções acordados pela comunidade internacional, pode, eventualmente, justificar a retaliação e, logo, a guerra contra a guerra.

Em que circunstâncias o desencadear da guerra contra a guerra se pode tornar admissível?
Nas circunstâncias em que esteja reunido o consenso necessário fundado no direito internacional.
Em nome de quem?
Em nome, portanto, da comunidade internacional corporizada, nomeadamente, na Organização das Nações Unidas.
E em nome de quê?
Em nome da Paz.

Nunca em nome de um Estado e dos seus melhores interesses, quantos não têm as suas mãos manchadas de crimes equivalentes, uma vez que qualquer Estado carrega consigo uma onda de suspeições resultante, precisamente, dos seus interesses específicos que nada garante coincidirem com o bem-estar geral e por muito que internamente o seu direito a intervir possa vir a ser legitimado.
Por mais poderoso que o seja ou por maiores que possam ser os seus pergaminhos, um Estado é sempre um Estado, é parte e não pode ser confundido com o todo, isto é, com o interesse geral.
Não há Estado que possa ser polícia senão dele mesmo e mesmo assim sabe Deus e o resto é propaganda.

A guerra nunca é benfazeja.
Traz consigo e por mais cirúrgica que em tese a possamos admitir, não apenas danos colaterais, isto, para usar a linguagem fria da guerra, réplicas que contra quem a pratica ou contra terceiros se viram bem como um coro de indignação e de indignidade contra quem a leva a cabo.

Podem os crimes contra a humanidade passar impunes?
Não, não podem!
Mas para os combater com eficácia, no respeito pela multilateralidade, é preciso reunir os consensos e a legitimidade internacional necessários.
E para os reunir a ambos é preciso ter a prova inquestionável da perpetração desses crimes e de quem os praticou.
É preciso dar tempo ao tempo e não fazer do tempo intolerável pressão sobre o próprio tempo.

Que fazer se as instâncias internacionais se mostrarem impotentes diante de crimes contra a humanidade tais como ataques químicos contra populações civis ou outras o são?
Agir a montante e preventivamente, tudo fazendo de tal modo que, pela concertação global, aquelas instâncias se venham a tornar operacionais e verdadeiramente efetivas.
Antes e não depois de a casa poder vir a ser assaltada.
Há quantos anos não se fala já da reforma das Nações Unidas?
E que efeito persuasivo contra a perpetração de tais crimes uma tal reforma não poderia vir a desencadear?



the best interest is not mine but ours  
or/ou
o melhor interesse não é o meu antes o nosso 





Jaime Latino Ferreira

Estoril, 3 de Setembro de 2013



domingo, 1 de setembro de 2013

RECOMEÇO

Picasso, l’homme en faveur de la paix




Durante o mês de Agosto publiquei, aqui, apenas um post subdividido em vários textos, longo, é certo, e tudo o mais desenvolveu-se no mural do meu facebook.
Neste último publiquei à volta de 17 textos.
O facebook adequa-se mais a um ritmo de férias.
Tal como publico os meus textos, sempre originais e acompanhados por música ou outros suportes áudio, o facebook tem uma instantaneidade que o meu blogue desconhece.
Não obriga a formatação, à escolha de imagens, a música de fundo, etecetera, etecetera mas, no seu espírito, em nada se antagoniza com o meu blogue.

Recomeço.
Regresso, no entanto, às origens e nem me sentiria bem se prescindisse desta plataforma que já há tanto tempo me acompanha.
Plataforma que tem uma dignidade muito particular.
Ambas as plataformas, blogue e facebook, sublinho, não são incompatíveis antes se complementam.
Assim, pelo menos, as entendo eu.
E regressando, por esta via, ao Vosso convívio, junto o útil ao agradável, a necessidade de comunicar, misto de prazer, com aquele de o bem, melhor fazer.
Nem me ocorreria que o prazer estivesse dissociado de bem-fazer.

Soam os canhões de guerra, o verão nórdico parece ser-lhes, recorrentemente, propício e transponho para aqui o que oportunamente já publiquei, agora revisto, no meu facebook:



SÍRIA


Há um povo que sofre
que o não merece
clamo de chofre
inviolável sacrário
santo lugar e berçário

Há um povo que sofre
tão estoico
quanto heroico
carne não é para canhão
amparo-o na minha mão

Onde há um povo que sofre
sofro eu em comunhão
é esse povo o meu povo
é o povo meu irmão



Post Scriptum


Presidente Obama,

Sois detentor do Prémio Nobel da Paz
Fazei tudo, mas tudo mesmo, por o merecer!






Jaime Latino Ferreira

Estoril, 1 de Setembro de 2013



quinta-feira, 8 de agosto de 2013

3 + 1

três, padrão de fundo




I

 TANGO  MAR

Replico-me a mim mesmo
povoando lugares ermos
viajo e vou-vos mostrando
o que me traz navegando

Minhas réplicas trauteando
enxaguam mar de tango
dança em que descrevo
o ondular do que escrevo

Réplicas a que me atrevo
intrépida rota relevo
ao destino o mapeando

Fio condutor minha âncora
que de enseadas zarpando
não se aquieta nos seus termos


Van Gogh, autorretrato

II

ENTRE  TUDO  E  NADA

Entre tudo e nada não se conhece meio-termo.
Ou bem que se tem uma duvidosa vocação messiânica ou bem que de nada serve o que se faça ou diga ou escreva que o mesmo é dizer fazer.
Ou bem que as audiências aferem do que façamos ou bem que, na sua ausência, o que façamos de nada serve.
Entre um extremo e o outro não prevalece o bom senso, ponta de razoabilidade.

Como critério aferidor do que escrevo, isto é, do que faço, não são nem as audiências nem a sua ausência que me balizam.
Não.
Tenho para mim que é na razão, ponderando os ângulos da questão abordada, daí o meu permanente auto-replicar, que reside o bom senso que me leva a emitir opinião.
Se me contraditam, ajudam-me nessa ponderação.
Se não me contraditam, o que quase sempre acontece, eu próprio faço por me contraditar limando as arestas ou unindo as pontas soltas que ao meu raciocínio ajudem a fundamentar tornando-o tão abrangente quanto possível o for.
E nesta demanda prossigo sem vacilar ou vacilando, desentorpeço a inércia que eventualmente se instale.
Há muitos anos que assim procedo quase sempre fazendo de mim mesmo contraponto ou advogado do diabo que ao que escrevo dê continuidade ou que à inércia, em mim mesmo, a desemborre.
Sou mais ou menos nada do que os outros?
Sou diferente, assumo e integro essa minha diferença.

Em democracia vale a maioria mas vale, também ou por isso mesmo, esse lado sempre escamoteado ou a diferença minoritária que a não ponha em cheque.
Ter esqueletos no armário, que admirável condição para atingir a fama e a glória!
Exaltam-se as audiências como se um disparate audível que se diga valesse por isso mesmo, por se tornar audível e remete-se para um limbo próximo do esquecimento a razoabilidade que prescindindo de soundbites ou de bitates não disparate a eito.
Vale, por isso, menos essa razoabilidade ou a ambição de a ter?
Ambição.
Por dá cá aquela palha citam-se os grandes autores que antes de o serem não o eram, outro pormenor que por sistema se esquece a propósito da ambição que acalentavam na perseverança que os caracterizava e depois, na prática, faz-se tábua rasa desses seus pensamentos que se citam.
Será legítima a minha ambição?
À democracia falta-lhe, quantas vezes, ser adulta ou, se quisermos, o reconhecimento daqueles que, minoritários, a contracorrente mas legitimamente remam sem esmorecer.
Ponho em causa as maiorias?
Não, alerto para as insufragáveis minorias nas quais eu me incluo e sem as quais as maiorias não fazem qualquer sentido.

Entre tudo e nada há sempre uma legítima e fundada, repito, fundada ambição que tem de prevalecer sob pena das maiorias se tornarem em intoleráveis e insanas, execráveis ditaduras.


retrato de Mozart

III

P  VERSUS  p

Vincent antes de ser Van Gogh, sendo-o não o era.
Wolfgang antes de ser Mozart, sendo-o não o era.
Fernando antes de ser Pessoa, sendo-o não o era.
Antes de os virem a ser, valiam, eles mesmos, menos por isso?
E ao que faziam, que valor lhes era atribuído?
Ou, dito de outra maneira, quem estaria em condições de aferir do valor do que faziam?

Retirados dos baús do esquecimento, todos os três, só muito tardiamente se transfiguraram de anónimos mortais em figuras imortais.
Com que obstáculos, todos eles, não se terão confrontado em vida a começar por todas aquelas variáveis que movidas pelos seus pares por inveja, por despeito ou por sentirem, pura e simplesmente, as suas autoridadezinhas ameaçadas, os mantiveram, quiçá tão longa e penosamente, na penumbra?
Ao tempo, quem diria que Vincent, Wolfgang e Fernando, alguma vez se viriam a transformar em Van Gogh, Mozart e Pessoa?

As pessoas têm sempre consigo um P maiúsculo que um p minúsculo delas próprias ou de terceiras partes, intencional e deliberadamente ou não, as faz por votar ao esquecimento embora, em simultâneo, as desafie a sublimarem-se.
E quantos Pês de tão maiusculíssimas pessoas não foram, ao longo da História e para sempre, obliterados?
Quando, em tempo útil, os melhores não são reconhecidos o que prevalece é a mediocridade que, já agora, em muito ajuda a explicar o ponto a que chegámos.
Esta história é tão velha como a História.


Alberto Caeiro / Fernando Pessoa

+ 1

há quem obtenha sucesso instantâneo mas a pressão deste é tão ou mais difícil de gerir do que a pressão do esquecimento e esta última, assim em tempo de vida útil uma na outra se consubstanciem, apetrecha-nos dos anticorpos da primeira




com exceção de + 1, os três primeiros textos foram publicados separados e em primeira mão no mural do meu facebook

continuação de boas férias





Jaime Latino Ferreira
Estoril, 8 de Agosto de 2013
António Correia, retrato de Jaime Latino Ferreira



sábado, 27 de julho de 2013

IDEAL POSITION

Kandinsky, Contrasting Sounds, 1924





I’m not compromised with any lobby neither with left nor with right political wings, neither with Republic nor with Monarchy so as with any nation in particular

I’m compromised with Democracy

publicly I don’t speak, I write and I’ve my private convictions, rights that assist me but yet and therefore, as you can testify all along this blog so as in my facebook and because of my fluent expression in my one native language, the Portuguese one, a cultural fact that can be worldwide translated, urgent as more and more it becomes, I’m in an ideal position to deeply promote the multilateral and cultural global dialog

yes I can




read Wings and Noise





Jaime Latino Ferreira
Estoril the 27th July 2013

Kandinsky, Black and Violet, 1923



quarta-feira, 24 de julho de 2013

NOISE

Etienne, Noise Collage B





the problem with most of the politicians lies in the difficulty they have to express themselves

therefore, the noise introduced in the system obstructs the spirit of negotiation and understanding that, by definition, characterizes Democracy








Jaime Latino Ferreira
Estoril the 24th July 2013

Etienne, Noise Collage A