quinta-feira, 26 de junho de 2014

SÓ MAIS

ao cair do pano, fotografia de Jaime Latino Ferreira





I

DA  SIMETRIA  DAS  SIMETRIAS

o aparente silêncio, estática ou repouso do som que se projeta, simétrico, da imagem refletida no espelho está para a aparente imobilidade ou repouso, estática da imagem da escrita, ela também reflexo e, logo, simetria, assim como o movimento de uma, aquele da imagem refletida no espelho, está para o movimento do som, aquele dos conteúdos da escrita que, em si mesma, encerra, abre e dela, sobremaneira, se projetam


II

POSSÍVEL  DEFINIÇÃO  DE  ESCRITA

som imagético ou imagem sonora, neles fazendo-se coincidir as velocidades do som com a da luz e porque sendo mais do que aquilo que se vê ou ouve, lê, donde, pelas simetrias acrescidas resultantes da sintaxe e da semântica que nela se desencadeiam já que, por sua via, a luz é ultrapassada pelo som e sublinhando o pormenor acrescido e nada despiciendo de nela não existir uma superfície espelhada estanque e intransponível a separá-la da realidade, ela é, tout court, realidade como a não simetria fonética do registo o confere, a escrita constitui um processo ímpar de comunicação desde logo porque, simultânea e mais precisamente, é já um ensaio por via do qual entre ambas as velocidades, a da luz como a do som e reflexivamente, invertendo-as, ao seu ponto relativo de torção/inflexão se racionaliza ou dele se fornecem pistas, ei-las, quiçá e que uma vez cientificamente determinado, à nossa escala e dimensão, ao espaço/tempo o venha a permitir desblindar ou descodificar e abrir


III

DA  MÚSICA

linguagem universal ou som luminescente, exercício aplicado da relatividade e função trigonométrica do Diálogo, o outro, tu e eu ou dos três lados do triângulo de que se compõe, é na música que a globalização encontra a sua primordial, central e incontornável matriz comum



tanto pela música como pelo texto, é pela velocidade do som, já e logo aqui ao nosso alcance, que se ultrapassa aquela da luz










Jaime Latino Ferreira

Estoril, 26 de Junho de 2014



7 comentários:

ki.ti disse...

ai regressaste,
só para o fim de semana, suponho

quem ora soubesse, ainda bem

porque eu já estava com saudades destas músicas

Kika disse...

Kriu?

..."é na música que a globalização encontra a sua primordial, central e incontornável matriz comum"

Sabemos tão bem disso... Basta assistirmos a um debate quinzenal no Parlamento!

Kriu!

disse...

Olha, olha, mesmo carregadinha de cera a bichana tinha saudades...

. intemporal . disse...

.

.

. jaime,,, .

.

. meu amigo .

.

. fez.nos falta . sabia ? .

.

. faz.nos falta . porque nos ajuda a "olhar" o mundo . através dos Seus textos . que nos edificam . e de que maneira .

.

. grato . (muito) . pelo Seu regresso .

.

. abraço.O .

.

.

manuela baptista disse...

e a gente sabe lá,

a que planeta arribámos, assim explicado e ao alcance da mão

é tal e qual uma enxaqueca, cheio de pontos luminosos, mas sem a dor :))

Filomena disse...

Jaime!

ainda arfante do jogaço... bom regresso... e agora vou ler o texto


beijo


Filomena


Jaime Latino Ferreira disse...

- esboço de uma defesa –

EM DEFESA DO MEU POST SÓ MAIS


Luz e som são refrações de uma dimensão maior que envolve o espaço/tempo e que em nós, desdobrando-se, neles se cristalizam.

Não escrevo metafísica antes astrofisicamente.

A luz viaja a uma velocidade astronómica e à nossa escala inconcebível de, aproximadamente, 300 000 quilómetros por segundo;

O som, pelo contrário, viaja a uma velocidade que nós próprios, por via das velocidades supersónicas, já ultrapassamos de mais coisa, menos coisa, 2 000 quilómetros por hora.

Entre uma e o outro, aparentemente, vai um abismo intransponível ou inultrapassável.

Tão intransponível como quais Alice, termos o desplante de pretendermos atravessar para o outro lado do espelho.

A luz que nos chega do espaço, do Sol, por exemplo, tem uma décalage aproximada de oito minutos o que significa que se ele deixasse, neste momento, de brilhar, à sua luz a continuaríamos a ver durante mais esses tais oito minutos.

Quanto ao som, esse, confere à luz uma profundidade abissal.

A luz tem uma instantaneidade que só pode mesmo ser comparável à profundidade, isto é, à ancestralidade ou poder de antecipação, paradoxo nos termos, do som.

Tal como é legítimo estabelecer a nada inócua equação prévia que nesse meu texto estabeleci na sua primeira parte em DA SIMETRIA DAS SIMETRIAS, uma vez chegados ao reflexo da escrita …

Nela se condensa esse rubicão que a ambas as velocidades as invertendo, pelo som que na imagem ou luz da escrita, estática ou cristalizada se encerra, poderemos encontrar a via que nos conduza, literalmente, à conquista do espaço sideral.

Convenhamos que é chegado o tempo, até em nome da nossa perpetuação, de nos concentrarmos na criação das condições de uma verdadeira Diáspora Global para a qual as nossas investidas, até hoje e perdoai-me a presunção, não passam de uma necessária embora frustrante brincadeira.

Vamos atrás da luz errónea porque ilusoriamente sem pela escrita a dominarmos, poucos, aliás e com profundidade o conseguem fazer, porque é a escrita e não a matemática que antes de mais confere às coisas uma dimensão ou escala humanas, situando-as no terreno, e numa instantaneidade cada vez mais alucinante sem nos darmos conta de que o caminho é, precisamente, o inverso como a escrita, no seu ritmo próprio, logo o sugere:

Pelo som da escrita a luz como, aliás, a música, definição que constitui a terceira parte do texto, o demonstra, porque é fácil demonstrá-lo, e reforça!

Falsas modéstias à parte, aqui tendes o esboço da minha fundamentação e dizei-me se, enquanto síntese, a Trilogia em apreço não é digna, quantas outras que eu já escrevi, de merecer o maior dos destaques.

Até mesmo e nem que mais não fosse em nome das línguas, da escrita e da leitura ou da literacia tout court.

Obrigado pela Vossa paciência e atenção, sempre ao dispor


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 8 de Julho de 2014