terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

HÁ MOMENTOS

Kandinsky, aquarelle, La Grande Porte de Kiev

Há momentos nodais de indecisão.
Momentos em que parece tudo se ter esgotado …
Momentos onde mais não sobra do que um nó a estrangular-me a verve.

Há momentos como este em que, pelo simples facto de reconhecê-lo expressamente, o nó parece que se desfaz.
Como se da sua simples expressão e reconhecimento os horizontes se alargassem de pronto.
Teimosa e consequentemente …
Momentos em que, uma vez mais, desfeitos os seus constrangimentos, me disponho a retomar o meu caminho.

Há momentos em que parecendo ter chegado ao limite de todos os limites, o espaço/tempo, de novo, se expande.
Em sempre crescentes e prometedores inesperados.
Aqui, ao dobrar da esquina …
Aqui onde as barreiras físicas, parecendo insuperáveis, se desmoronam num ápice.

Há momentos.

Há momentos como este.
E logo me apresto a prosseguir …
Doa o que me venha a doer e venha o que estiver para vir.

Há momentos assim.
Fugazes, quase impercetíveis …
E é nesses momentos em que, dando-me conta das responsabilidades e das expectativas por mim mesmo criadas, desfaço o nó e um portal grande se abre convidativo e acolhedor.






Jaime Latino Ferreira
Estoril, 21 de Fevereiro de 2012

4 comentários:

manuela baptista disse...

as portas entendem muitas linguagens

porque se abrem

no tempo de todos os momentos

Fernanda disse...

E assim todos os nozes se desfazem e ar puro leva os momentos indesejáveis.

Beijinho, Jaime.

BRANCAMAR disse...

Gostei muito Jaime.

Pois que muitas portas se abram, em todos os momentos.

Beijinhos

Filoxera disse...

Quando atingimos os limites de todos os limites, criamos novos.
É a chave da sobrevivência, e do crescimento.
Beijinhos.