quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O ENCOSTA





Conforme vem assinalado na coluna das efemérides do jornal W e no meio de todas as celebridades que hoje nasceram ou morreram, faz hoje anos a pessoa X de quem nunca tinha ouvido falar mas que por ser casada com a pessoa Y, tornada pública e conhecida por pertencer à organização Z, merece a honra deste destaque por encosto de matrimónio …
Que feitos se lhe conhecem?
Para além do dito matrimónio e não que os não possa ter … nenhuns …!
O que é que, então, neste aparentemente irrelevante episódio mas não assim tão fora do comum, merece ser destacado?
Aqui temos um bom exemplo, seguramente que não o único, do que para aí vai de encosta, encosta:
Mérito …
Como distinguir o mérito, aquele que numa efeméride mereça ser registado?
Tendo, para tal, o reconhecido mérito!
E como reconhecê-lo se pelo mérito se não for reconhecido?
Pertence, o emérito jornalista da coluna referida, aos quadros do jornal W, sabe-se lá se por mérito de pertencer a esses mesmos quadros ou se por ter sido contratado na base do encosta de quem conhece A, B ou C ou por ter sido apadrinhado desde sempre, oh que mérito maior (!), e rever-se, pois, em quem por encostado estar, desse mesmo encosto seja credor!?
Não que ache que um desconhecido X não seja igualmente merecedor de honras de efeméride …
O meu aniversário, afinal, vale tanto como outro qualquer, de celebridade, seu cônjuge ou não, seja ou não eu um comum e anónimo cidadão.
Mas o encosta …!
Essa pecha maior que ao mérito o encobre e no qual sempre se revêem os medíocres ao ponto de o espelharem num creditado órgão de comunicação social!
Essa nuvem de espesso nevoeiro que entre qualquer um de nós e a celebridade, pelo encosta, sempre se interpõe!!
A exigir padrinhos, intermediários, encostos e, em suma, perfilhamentos!!!
Como quebrar essa densa neblina sem que ninguém, escusadamente, caia com ela!?
E a estampar-se numa coluna, numa simples coluna de opinião interventiva que de tanto encosto, a escassez de mérito o não sabe nem consegue, como o poderia (!?), distinguir!?
Ah …
Se por casada com Y, uma qualquer pessoa se torna merecedora de celebridade efemérica, o mérito, esse, deve estar conspurcado na valeta!
Para quê tanta teoria pois se assim não espanta que tenhamos chegado ao que chegámos …!?
Sim, porque à custa de quanto encosta, encosta, a gordura do que é público ou os favores de quantos pretensos jornalistas para terem um lugar encostadinho ao sol!?
O encosta:
Robusta mesquinhez dos pequeninos!



se quiseres ser célebre encosta-te






Jaime Latino Ferreira
Estoril, 8 de Setembro de 2011

5 comentários:

BRANCAMAR disse...

Jaime,

Conclusão: vivemos num país de encostas. E que se tira disso? Nada.
Apenas nos dão vida os oásis que ainda vão existindo neste deserto e ainda bem que sobrevivem, mal, remendo contra a maré, mas sobrevivem.

É como uma fonte de água cristalina encontrá-los por aí...

E eu gostei de passar por aqui.
Beijos

manuela baptista disse...

um favorzinho
um empurrãozinho
um olharzinho
uma ajudinha
feche lá os olhinhos e deixe-me passar

e eu senhor doutor, dou-lhe um cabrito, um perú pelo natal, uma cadeira espalmada, um país a escorregar

e parabéns a todos os hoje fazem anos e não têm jornalistas a quem se encostar

ou é ao contrário?

voi, que sapete, tu, Jaime

mb

ki.ti disse...

Dos pequeninos?

Eu não vim aqui, para ser insultada!

ffffffffffffffff!

. intemporal . disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Maria João disse...

Jaime

Meu amigo,

Virado ao contrário está o mundo, quando o parecer se sobrepôs ao Ser.
O Homem tem hoje, mais necessidade de ser bajulado do que de gostar de si mesmo. Não creio, é que esta forma de viver o leve a algo que o faça, realmente, sentir feliz.

Um beijinho
Parabéns pelo texto!!