quinta-feira, 1 de setembro de 2011

ARIDEZ DOS NÚMEROS



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Durante anos a fio tudo se baseou em como ter mais:
Mais de tudo, dinheiro, bens de consumo, regalias, privilégios, benefícios, mais e mais e mais de tudo.
Tudo se baseou na gestão do mais e em como ter mais mesmo se não tendo capacidade para o ter.
Uns emprestavam para ter mais e os outros, na ânsia de mais ter, endividavam-se!


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Subitamente ou assim não tão súbito como isso, ao mais sucedeu-lhe o menos na incapacidade de ter mais ou esgotado, ao limite, esse desiderato.
Então, como passar a ter menos com o mínimo custo possível!?
Com o mais possível …?
E não se ouve falar de outra coisa senão do menos.
Na busca da gestão ainda mais árida do menos logo por não ter mais, esgotam-se argumentos até à exaustão e tudo se passou a reduzir a mais que menos.


        


E porque não diferente?
Quem és tu mais do que eu!?
Serei eu menos que tu!?
Vivas onde quer que seja, como quer que vivas e tenhas-me como não emprestado dinheiro!?
O que quer que tenhamos feito, não terá sido em benefício mútuo!?
E se somos iguais nas diferenças que nos caracterizam e nos enriquecem, não será esse diferente mais, mais importante do que o menos que nos separa!?
A aridez dos números faz esquecer que não somos um deserto ou uma página em branco sobre os quais estes se possam aplicar linearmente, quer para mais como para menos.
A aridez dos números desertifica tudo à sua volta e o resultado … salta à vista!
Mesmo quando para ter mais, muitos tinham que ter cada vez menos …
E a Democracia, não tem ela um preço e tanto maior quanto o seu ensejo cresce por todo o lado?
Não é esse ensejo solidário mais mais do que menos e cada vez mais do que menos?
E quanto, não menos diferente mais, valerão as minhas palavras profusamente escritas …!?






Jaime Latino Ferreira
Estoril, 1 de Setembro de 2011

4 comentários:

manuela baptista disse...

os povos que neste momento lutam pela democracia

têm a minha solidariedade


mas eu sei porque é que luta este nosso país, na aceitação conformada de ter sempre cada vez menos

BRANCAMAR disse...

As suas palavras Jaime, valem tudo quanto de positivo nos dizem e tudo quanto nos denunciam com enorme lucidez.
E que esse ensejo solidário que estimula possa ser tão contagioso quanto necessário.

Beijos e um bom fim de semana.

Jaime Latino Ferreira disse...

MANUELA BAPTISTA


Sabes tu quanto sei eu ...

... mas a verdade é que não somos um oásis no meio do deserto ou, se o somos, é ele que nos justifica!


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 3 de Setembro de 2011

ki.ti disse...

Se é assim, tão árido, deixa-me duas tigelas de água antes de saíres

miauu!