terça-feira, 19 de janeiro de 2010

CONFESSIONAL

Jheronimus Bosch, Hell, detalhe
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Há quem fale escudado na estatística, eu, porém, prefiro falar escudado na minha própria experiência e ainda que, avalizado, eventualmente, pela primeira.
Digam-me um não e a mim apetece-me logo experimentá-lo!
Há limites, claro, mas excluindo-os àqueles que implicam com a integridade e liberdade do Outro, como os sejam os que dizem não roubarás, não violentarás ou não matarás, ai Jesus ...!
No entanto, estes preceitos poderiam, podem ser sempre ditos pela positiva!
Claro que a maturidade fornece outros rapports, acquis que nos vão moldando, imunizando até na perspectiva de não reagirmos mimeticamente e pela inversa em função do que nos é dito ou prescrito, mas ...!
Por estes considerandos, que desejos reprimidos pelo não que logo o transformam em campo fértil e terra de ninguém e de atracção, regido, esse sim (!), pela lei do mais forte ou pelo que, a tudo ou quase, no seu seio, permite ...!?
De não em não, experimentado um e satisfeito o outro desejo, nessa terra de ninguém, sem rei nem roque, sem regulação que não aquela que ao não o comanda, desregula (!), logo outros se impõem, quantas vezes e mesmo que entre eles não exista qualquer relação de causa/efeito que não aquela do sabor proibitivo que ao desejo, desregulado, o alimente, insaciável.
O não é campo fértil de enormidades que, a esta luz, se explicam pela atracção irresistível que, à volta dele, no seu ineludível campo de atracção, campeia.
Sim!
Porque não a integração de pleno direito, direito esse sim (!), que ao Outro o preserve e salvaguarde, logo sem cedência ao relativismo, da homossexualidade e que não representa qualquer fim da História antes sim, porque não, o seu verdadeiro princípio!?
Porque não outro olhar sobre os costumes!?
Noutra esfera, porque não o sacerdócio da mulher!?
Porque não o casamento dos sacerdotes!?
Porque não, senão por questões de política doméstica, de gestão das consciências, circunstancial, oportunística e patrimonial, administrativa da própria Igreja!?
Mas, em verdade, a própria administração patrimonial dos bens da Igreja impõe, pelas perspectivas clamorosas que se desenham e chamando em meu socorro, agora sim, a Estatística, outro olhar e abertura para tão candentes perguntas que mesmo à luz da Doutrina, dos Textos, à própria Igreja, por falta de resolução, a asfixiam e estrangulam!
E nessa admissão, no esboroar dos seus receios e divórcios com o Mundo, aliás em incongruência com um não tenhais medo (!), tão propalado e que deveria ser antes um tenhais ousadia (!), que valia acrescentada a Igreja não acrescentaria na Sua pacificação com o Mundo ou Consigo própria e no sanar das guerras religiosas que em Si mesma, interstícias A atormentam e no desfazer do acirrar obstinado dos conflitos que entre Ela e a Cultura a assolam, a Ela e com o Mundo, crescentemente!?
Ai sim, não é mantendo-se à retaguarda, numa posição defensiva, balcanizada e acossada, mal Consigo própria, o tempo das catacumbas também já lá vai e ser guardiã não é nada disso (!), que a Igreja se poderá reencontrar e recentrar-se na liderança espiritual, religiosa, religada, íntima e privada com cada qual, entenda-se!
O relativismo, sempre tão condenado pela Igreja, está, ele sim (!), intimamente associado ao não, no campo sem regras que abre e faz campear por tanto mais não que se diga!
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 19 de Janeiro de 2010

14 comentários:

J. Ferreira disse...

Caro Jaime,

Bela peça sim senhor!

O meu desejo sincero é que alguém com responsabilidades ecuménicas a nível da Igreja, neste caso a católica, leia este teu trabalho, digno de ser lido e relido com o sentido construtivo de entendimento, necessário, diria, para enfrentar as Mudanças, que se impõem.

Parabéns.

José

Jaime Latino Ferreira disse...

JOSÉ FERREIRA


Meu Caro,

Apenas para te dizer que me diz a minha intuição que não faltará quem no seio da hierarquia da Igreja Católica o leia, a este meu ensaio ...

Um abraço e uma boa noite


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 20 de Janeiro de 2010

Gabriela Simões disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Linda Simões disse...

Concordo com o José.


Sim,porque não Olhar com outra ótica determinadas coisas e costumes?

...

Gostei imenso do texto.



Beijoquinhas aos dois

Jaime Latino Ferreira disse...

LINDA SIMÕES


Minha Querida Linda,

Desta vez, será que terá sido a minha Amiga a eliminar o comentário que ao Seu o precede?

Ou terá antes sido alguém que, a um primeiro e arrebatado impulso o reconsiderou in extremis!?

Who knows ...!?

Será que ainda chove por aí, onde se encontra de férias?

A Si, muito obrigado e um beijinho


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 20 de Janeiro de 2010

Linda Simões disse...

Sim,meu amigo,fui eu...Sorry.


Chove sim,mas quando o Sol aparece,meu amigo,não tem pra ninguém!

Eita!

rsrsrs

Beijoquinhas carinhosas,

Linda Simões

manuela baptista disse...

A Tia beata:

o menino está doido?! era só o que faltava, uma mulher para o sr. Prior, para o distrair, para o afastar dos seus deveres?
E dez crianças por aí a correrem, a partirem os castiçais e os santinhos? E quem é que sustentava isto tudo?

E o casamento dos homosexuais? Coitaditos são uns q'ridos, o meu filho Pêpê por sinal até me parece...bem...mudemos de assunto, quanto às mulheres padres estou de acordo! Afinal já somos nós a mandar por aqui!!

Santo António de Lisboa:

deixem-me em paz!!

Um puto de Cascais:

Ya! eu acho baril...man!
Casamento de quem? T'ás ma endrominar?

Um camionista:

se fosses tu, e essa cambada prà .........!!!

Uma Senhora de 80 anos:

concordo com todas as questões, afinal o que interessa é sermos felizes enquanto temos tempo!

EU: às vezes penso

que ainda bem, que Deus é infinitamente paciente, para nos aturar!

Há macaquinhos escondidos no sotão de muita gente dentro e fora da Igreja e das Igrejas. O medo e o terror que nos infligiram durante séculos ainda está vivo, mas não se recomenda...

A César o que é de César, a Deus o que é de Deus!

Manuela

manuela baptista disse...

peço desculpa...

a montagem da peça distraiu-me!

esqueci-me de dizer
que o texto está muito bom!!

Manuela

Brancamar disse...

Hihhi!

Só a Manuela para me fazer rir num tema tão sério!

O texto do Jaime está óptimo em todos os seus considerandos.
A Igreja está muito a recuo da grande maioria dos crentes. Já ninguém é intolerante com questões que as hierarquias continuam a não ousar.
De resto todos os temas tratados têm sempre a ver com a velha questão dos preconceitos e dos avanços e recuos da sociedade, o que hoje para alguns parecerá ousado, daqui a uns anos não o será tanto, a experiência dos factos demonstrará se os medos têm razão de existir ou se são infundados. O importante é sempre manter o respeito pelos outros, pela individualidade e pela felicidade de cada um, sem tropelos, "sem folclores", com amor, com verdadeiro amor ao próximo.
Mulheres-sacerdotes há tanto que se precisa! Felizmente algumas já têm uma participação quase total na Eucaristia e em muitas outras acções. Na Igeja Franciscana que me é vizinha diria mesmo que os sacerdote só assinam no fim, dão total autonomia aos grupos, muitos, desde os de catequese, até missionários, que entre si colaboram, organizam, decidem e onde as mulheres têm um papel preponderante, algumas têm mesmo formação em teologia. Então porque não dar-lhes o resto, o que até colmatava as dificuldades que os padres têm de se dividirem por diversos centros de culto?
Esperemos que se faça essa mudança e que os padres casem e não tenham que abdicar da família ou do sacerdócio para prestarem os seus serviços e terem uma vida realizada.
Beijinhos Jaime, sempre ousado e comedido ao mesmo tempo a tratar assuntos tão actuais, que merecem todo o respeito.
Com amizade
Branca

Jaime Latino Ferreira disse...

BRANCAMAR


Minha Querida,

Hoje começo pelo fim ...

Como a meu respeito escreve, sempre ousado e comedido ...!

Sabe, minha querida, o registo em que escrevo é aquele de quem fala, escreve para dentro da Igreja, para o Seu interior e a partir daquela que é a minha postura, aquela de quem crê, acredita e pode crer se acredito!

Como o escreve, comedido mas, reflicta, de uma leitura atenta, de alcance maior, muito maior do que aquele que à primeira vista possa, eventualmente, parecer ter.

Aliás, este texto remete para um conjunto de outros três, escritos em véspera do Natal e a que chamei de Trilogia Natalícia.

Concordo Consigo, daqui a uns tempos, todos olharão para trás e interrogar-se-ão como teria sido possível o ponto em que estamos ou melhor, em que uma certa Igreja ainda patina!

Sabia que era eu já casado pelo civil com a Manela e tendo-me ido confessar a um padre já de idade respeitável este se recusou a absolver-me por não estar já casado pela Igreja e logo, imagine-se (!), viver em pecado!?

Tem toda a razão, tudo remete para coisa tão simples quanto o saber como lidamos com o Outro!

Usamo-lo, manipulamo-lo ou respeitamo-lo na sua plena integridade!?

Um beijinho


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 20 de Janeiro de 2010

Jaime Latino Ferreira disse...

LINDA SIMÕES


Ah ... !

Temo dedinho pesado ou quê!?

É da falta de Sol ou de quando aparece, logo o dedo se estica e pronto!?

Vá, vá, está perdoada, aproveite as férias e goze muito!

Solinho de beijo


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 20 de Janeiro de 2010

Jaime Latino Ferreira disse...

MANUELA BAPTISTA


Ai, ai ...!

Qualquer dia ainda te contrato para cartoonista!

E, já agora, sublinho:

A César o que é de César já que, se à Igreja importa que zele por uma atitude ética ou moral é bom que não a confunda, sendo conteúdo, com a forma e até mesmo em nome de não cair no relativismo que a forma acentua e apenas serve para confundir!!!

Pois se o texto ajudou a montar a tua peça, então já valeu a pena!

Obrigado e um beijo


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 20 de Janeiro de 2010

*Lisa_B* disse...

Lindo Jaime :-)

Excelente texto!

Parabéns.

A igreja já não cativa as pessoas como antigamente porque a vida muda os tempos são outros e a igreja não se actualiza.

Quando o Bruno nasceu eu já era casada com o pai dele civilmente e...ao dirigir-me a uma certa igreja em Lisboa (local onde eu vivia ) o padre que dirigia a igreja (mais parecia uma mesquita àrabe) disse-me : NÂO, não baptizo um filho do pecado...tinham obrigação de casar pela igreja para ele poder nascer filho de Deus.

Bem...subiu-me um calor, um suor frio e quente, fiquei de todas as cores para me conter e respondi-lhe que não aceitaria nunca que aquelas mãos tocassem no meu filho nem com água benta.

Fui a uma igreja Franciscana onde fomos recebidos de braços abertos.

O facto de não aceitarem as mulheres para a eucaristia, e dos padres viverem numa total hipócrisia debaixo de um tecto onde sempre existe uma "irmã do padre" é...sem comentários...
Todos sabemos que o homem não pode mesmo que tente e queira, aguentar-se em celibato portanto há que mudar o que está mal para evitarmos ver tanta desgraça e infelicidade neste campo.

Já escrevi demais ...digo eu.

Beijinhos

Jaime Latino Ferreira disse...

LISA


Querida Amiga,

Isto é assim, escreveu o que entendeu que devia escrever ...

O que não quer dizer que o homem não aguente o celibato ...!

Nestas coisas, não se deve generalizar e eu, apenas acho que não é por se forçar o celibato que o ministério poderá, necessariamente, ser bem exercido.

Quanto ao mais, a minha Amiga deu o Seu testemunho que fala por si.

Um beijinho


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 21 de Janeiro de 2010