domingo, 26 de dezembro de 2010

ARROGÂNCIA E CRISE - II -

Goya

A arrogância é distanciamento no pior dos sentidos e essa tem uma relação directa com a crise.
Distanciamento em relação ao Povo;
Povo que se consubstancia no cidadão comum.
É certo que são necessárias abordagens específicas, técnicas que nos ajudem a sair da crise, sobre isso não tenho dúvidas e essas abordagens, a mais das vezes, enfermam de hermetismo distante da compreensão comum.
Mas de que servem essas abordagens e sejam elas de que natureza o forem, sem terem por meta e por enfoque a realização singular!?
O cidadão comum que se debate na luta pela sobrevivência!?
Que se debate na gestão, quanto possível racional, das dimensões que o preenchem e das quais, legitimamente, não se quer ver manietado!?
Quando, com recorrência, se ouvem da boca de alguns políticos, afirmações como a mim ninguém me dá lições, as provas dadas são por si mesmas bastantes ou para seres tão honesto como eu, tens de nascer duas vezes como com esta última glosei, pela sua inesperada oportunidade, em
Poema Proscrito, enfermam ambas de um tal distanciamento e arrogância que embora ditas assim, irreflectidamente, admito-o, bem medem a distância a que estes se colocam na arrogância gritante que ao ouvido comum o dilaceram.
E replicam-se em tiques de autoritarismo sem fim e em cadeia numa realidade a abater-se aflitivamente sobre o cidadão, no seu dia a dia.
E que em si mesmas são, elas também, justificativas, explicativas da crise que nos angustia!
Pois se a mim ninguém me dá lições que terei eu a aprender com aqueles que deveria servir mas não sirvo!?
Sim, porque serviço implica humildade e saber-se aprender com quem quer que ao serviço se esteja!
Como no
poema anterior eu glosava:
Se para ser tão honesto quanto tu, terei de nascer duas vezes e tenha esta afirmação sido produzida em que contexto e por quem o tenha sido, sabendo-se que para esta vida só uma vez o nascemos, então, para quê persistir em sê-lo!?
E é do implícito da afirmação que se exponencia o laisser faire, laisser passer de quem se rende à impotência de à desonestidade, numa só vida, não bastante (!), a contrariar que, como sabemos, anda de mãos dadas com a crise e que dela própria beneficia!
Este tipo de atitudes, eminente e negativamente políticas, têm mais importância do que se pensa na explicação do ponto a que se chegou e quando se fala em austeridade ela deveria começar logo pela contenção e humildade, ausência de asneirices (!), despojamento naquilo que, pesem para mais as responsabilidades, publicamente se diz.


Renascer


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 26 de Dezembro de 2010

8 comentários:

manuela baptista disse...

o que é que hei-de acrescentar?

nada!

se fosse hindu, acreditaria que renasceria tantas as vezes necessárias até à perfeição...

talvez seja esse o mal dos políticos...não serem hindus...

manuela

Jaime Latino Ferreira disse...

MANUELA BAPTISTA


Pois, mas assim sendo, a quem estas afirmações produziu que outras vezes lhe restaria renascer!?

Ou é ele próprio o deus da perfeição!?

Hindu que o fosse!?

E a quem caberia o papel da casta dos intocáveis!?

Levas-me por imponderáveis caminhos ...!


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 26 de Dezembro de 2010

Jaime Latino Ferreira disse...

MAIS I


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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 26 de Dezembro de 2010

João Correia disse...

Viva, Jorge!
Espero que me perdoe a intromissão, mas um destes dias teria de me estrear por aqui.
Tenho para mim que a dada altura, embora de forma progressiva, a classe política optou, e mal, pelo escárnio e maledicência, como se fazer de palhaço fosse uma arte...fácil. Não o é, de todo, e a prova está em que, para além de não nos fazerem rir, criaram uma onda de azedume mútuo, que irá persistir para além da paciência do Povo, razão primeira do jurado dever a que se obrigaram no tempo (que rapidamente esquecem quando lhes é dada a oportunidade de us(urp)ar o poder). De lés a lés e por muito que eles me queiram convencer do contrário, não se vislumbra quem vele realmente pelo interesse Nacional, isto é, o de todos nós.

Um abraço.

JC

Jaime Latino Ferreira disse...

JOÃO CORREIA


Caro Amigo,

Peço desculpa mas não me chamo Jorge mas sim Jaime ...

Esclarecido este equívoco, não tem nada que se perdoar da intromissão:

Estas caixas de comentários existem para isso mesmo!

Neste caso, a usurpação que resulta, implícita, de uma afirmação feita, quanto a mim, roça antes a heresia ...!

Quanto ao interesse Nacional, como lhe chama, só Lhe posso responder assim:

Se cada um de nós, com os legítimos meios que tem ao seu dispôr, por ele não souber zelar, quem o poderá fazer por nós!?

Aproveito para Lhe dar as boas vindas e retribuo-Lhe, também, com um abraço e cordiais saudações


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 27 de Dezembro de 2010

Jaime Latino Ferreira disse...

JOÃO CORREIA


Meu Caro,

Volto à carga para Lhe dizer que já O situei ...!

Não que isso seja muito importante para que se entabole diálogo entre nós mas não deixa de criar outra proximidade.

Afectividade também!

Deixe-me ainda, a propósito do Seu comentário anterior, acrescentar:

Ser palhaço, subscrevo, não é coisa fácil, não!

Já generalizar com termos como classe política, em que classe nos situaríamos cada um de nós (!?), isso, por seu lado, não gosto de o fazer ...

... eu não me revejo em nenhuma e acho que essa terminologia é redutora das potencialidades de cada cidadão, de Si próprio, de mim ou de qualquer político que o somos todos, já que as nossas atitudes, todas elas têm implicações políticas e da Política se não podem extirpar.

Há sempre essa ainda que involuntária mas perversa tendência de nos classificarmos por estereótipos, o mesmo é dizer, em nos arrumarmos em vitrines não comunicantes entre si e que ainda mais afastam, para o que aqui importa, os políticos do cidadão comum ...!

Daí Lhe ter sublinhado, no comentário anterior, que a todos nos compete zelar pelo bem comum!

Do mesmo modo que, conforme aquilo que digamos ou escrevamos, que em si mesmo comporta uma carga política e que no caso da afirmação feita e que me obrigou a escrever o soneto anterior, Poema Proscrito, Arrogância e Crise e o texto que a este se segue, As Dimensões da Palavra, afirmação essa que vale em si mesma e independentremente de quem a tenha proferido e daí que a não tenha identificado com quem a proferiu, para bom entendedor meia palavra basta (!), o que escrevamos ou digamos se projecta positiva ou negativamente, na carga política que sempre transporta!

Uma vez mais, um grande Abraço e seja sempre, insisto, sempre bem vindo


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 28 de Dezembro de 2010

Maria João disse...

Jaime

Meu amigo

Já estou como a Manuela, o que é hei-de acrescentar?

Está dito, está dito... até ao verdadeiro âmago da questão! Apenas sublinharia o que escreveu logo primeiro paragrafo, acrescentando que; a arrogancia é o maior dos distanciamentos e per si, também o maior pecado de quem julga ter nascido já tantas vezes, para se sentir mais-que-perfeito e que, por ironia é ele próprio pretérito.

Beijinhos imperfeitos :-)

Jaime Latino Ferreira disse...

MARIA JOÃO


Querida Amiga,

... que saborosos que são os beijos imperfeitos!


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 28 de Dezembro de 2010