domingo, 16 de outubro de 2011

E AGORA

Cruzeiro Seixas


E agora 
Onde fica essa janela de esperança
de oportunidade

Diante dos sacrifícios que são exigidos aos mesmos de sempre
vox populi dixit
onde não sobra a possibilidade de redenção que a Democracia
que não pode ser decapitada
 tem de oferecer

Sob pena de esta se instilar
contaminar ainda mais da ácida desconfiança corruptiva que aos mesmos de sempre diz poupar
não nos poupando estes
supostamente pagos a peso de ouro
às suas intermináveis sentenças

E agora 

Que novas derivas ao sabor dos por demais conhecidos desmandos participativos
que a História
à saciedade
ensina onde conduzem

E pese a necessidade da crescente participação cidadã

E agora Europa
Mundo que te observa
por onde quereis ir

Escrevo por mim

Guardo-o
congruente e de há muito
aqui comigo




diante da interminável austeridade cada vez mais exigida, na austeridade de pontuação que Vos desafio a subentender


 





Jaime Latino Ferreira
Estoril, 16 de Outubro de 2011

4 comentários:

manuela baptista disse...

e agora?

intermezzo para uns

vidas adiadas para outros

a pontuação é o despudor com que se esmagam suburbanos governantes que não merecem a ponta de um ponto de um verso, bonito, por sinal

ki.ti disse...

Mas que teimoso!

Eu já te disse onde é que fica a janela da sala...

quem te mandou pô-la tão pequena?

Silenciosamente ouvindo... disse...

E agora amigo? Não sei...
Sei que nada pode continuar como
está? Que deveríamos obrigar a
culpar os responsáveis e a
"aliviar" os que menos podem de
uma crise de que não culpados...
Mas é toda a Europa...então é
porque algo MUITO GRAVE aconteceu
e tem que ser INVERTIDO...
Parabéns pelo seu poema.
Um abraço
Irene

Maria João disse...

Jaime...


" E agora, José (...)" , escreveu José Cardoso Pires.
A mim, cresce-me na boca um sabor, crescentemente amargo, de injustiça. Que farei com ele?!
Arregaçarei mangas para estender os braços. Não deixarei que, neste azedume, caia alguém que esteja ao meu alcance.

Um abraço daqui para aí :-)