quinta-feira, 13 de outubro de 2011

OUSADIA




Ousadia extravagante esta a minha
de achar poder-vos dar o que continha
na escrita o que sou como semente
a germinar igual à minha mente

Como se nela coubesse de repente
inteiro e a desaguar em tanta gente
como se não mudasse aquilo que tinha
por garantido e imóvel na escrivaninha

Pura extravagância que sozinha
pudesse aprisionar escrito o que tente
sem mais vazão a dar ao que se invente

Já que toda a água do rio sente
que uma vez passada adivinha
não poder voltar como antes vinha








Jaime Latino Ferreira
Estoril, 13 de Outubro de 2011

4 comentários:

OceanoAzul.Sonhos disse...

Jaime, ao contrário da água que apenas passa uma vez pelo mesmo sítio, a palavra permanece, inviolável, marcante, ecoando infinitamente em nós.

As suas, são possantes.

abraço
oa.s

manuela baptista disse...

nunca vai
o que apenas vinha

seja água homem ou nascente

na infinita extravagância da ousadia
na mágica adivinha do presente

.

muito bonito ousado escrivador!

. intemporal . disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Maria João disse...

Jaime

Meu amigo

"
Já que toda a água do rio sente
que uma vez passada adivinha
não poder voltar como antes vinha "


e à água que volta, outra gota de água se lhe acrescenta, porque grande é o rio que não se deixa cumprir nas margens.


Beijinhos