terça-feira, 11 de outubro de 2011

UM EPISÓDIO REVELADOR

flor da paz



Hoje de manhã, deu-se comigo um episódio revelador que não gostaria de deixar passar em branco, pese embora aqui fazer questão de salvaguardar as identidades das pessoas ou organizações intervenientes.
Circulava eu no mural do meu facebook quando alguém, privadamente, me veio perguntar se estaria disposto em lhe conceder o meu voto a um seu poema apresentado a um  concurso …
Ainda antes de seguir o site que juntamente me enviava, logo prontamente lhe respondi entender não ser um poema susceptível de um qualquer sufrágio como se a sua qualidade, através deste, pudesse ser aferida, pelo que, logo lhe disse não me encontrar, para esse efeito, disponível.
Só depois, seguindo o site, percebi, então, tratar-se de um poema em inglês, cabendo a iniciativa do concurso a uma prestigiada organização internacional …
E mais lhe disse então:
Disse-lhe que pesasse embora o mérito da iniciativa, sendo ela pela Paz, não percebia como é que os candidatos se tivessem de predispor à condição de escreverem em inglês já que a Paz, sendo ela um anseio universal, pressupõe o respeito, diria mais, a salvaguarda, a defesa mesmo, das diversidades e, neste caso e em particular, das diversidades linguísticas.
O que então lhe disse, disse-o com a minha prontidão, mais, com a minha espontaneidade habitual e sem qualquer chauvinismo que é coisa que não só a mim me é estranha como  liminarmente repudio, como com o à vontade de quem, aqui e ali, também já poemou em inglês.
Sei que essa pessoa, prontamente se desfez daquele vínculo que se tem por amigo e que àqueles que circulam pelo facebook, supostamente, os liga.
Fiquei incomodado e por uma dupla ordem de razões:
A primeira resultante das relações meramente de interesse, tu dás-me e eu te darei que, quantas vezes, à comunidade internáutica a caracteriza e isto tanto no facebook como na blogosfera!
As coisas não valem por si, como se não bastasse tudo o que em ambos os suportes dou e vou dando sempre e mais (!), antes pela troca directa que, eventualmente, possam, oportunisticamente proporcionar …
A segunda e não menos relevante, prende-se com a obrigatoriedade de, para concorrer a uma iniciativa pela Paz, se ter de escrever numa língua padrão.
Eu bem sei do carácter pedagógico de um concurso como este.
Como imagino dos problemas logísticos acrescidos que, a não ser adoptada uma língua padrão, tal acarretaria.
Mas também sei que imposta a condição de uma língua padrão, todos aqueles que não comunguem dessa como sua língua materna ou em que se exprimam com fluência, à partida, ficam em desvantagem concorrencial absoluta.
Como sei, repito, da importância da diversidade na efectivação plena da Paz:
A Paz não se faz pela uniformização antes implica, repito, valorização da diversidade!
Sei, finalmente, que se os concursos desempenham um papel no estímulo literário e, neste caso, na implementação de um espírito de Paz, uma obra de arte que é aquilo que um poema é, de facto, não se sufraga.
Está nela, num poema que o seja e apenas o tempo lhe confere qualidade digna desse nome!
Sei ainda:
Afinal, que grande generosidade esta, a desta minha amiga e que espírito tão pacificador ela não acabou, ao interromper a conversa e os supostos laços que tínhamos abruptamente, por revelar!






 

Jaime Latino Ferreira
Estoril, 11 de Outubro de 2011

9 comentários:

OceanoAzul.Sonhos disse...

Jaime, bebi as suas palavras, uma a uma, porque me identifico e concordo em absoluto com o seu pensamento.
Mesmo para falar de Paz [quando não há paz nem serenidade no espirito dos próprios] se justificam determinadas atitudes.
um abraço
oa.s

manuela baptista disse...

facesbuKes :) ;) :( .) :-)

I want peace in my own language

eu quero a paz na minha língua e na linguagem da poesia


eu quero os gestos, como os teus, que têm significado universal

I don't want facefriends

I want friends with a beautiful face!

Fézada disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
BRANCAMAR disse...

Concordo plenamente consigo Jaime e realmente amigos são os que realmente o sabem ser, não é por escreverem mais ou menos, participarem mais ou menos, deixarem de ser eles para serem o que nós quisermos, ou para sermos o que eles querem, como pelos vistos foi o caso dessa suposta "amiga".
Tenho no lado direito do meu blog um site do sapo de nome "Incursões", onde participa a maior amiga que tenho desde os 14 anos e conta-se pelos dedos as vezes que comento e também se contam pelos dedos de uma mão as vezes que ela aqui veio comentar-me, assim como outro grande amigo da mesma época, que também tem facebook, uma página da sua prestigiada clínica e outra pessoal, que não deixa de acabar por ser preenchida com contactos profissionais, mas não fazem disto a sua vida e mesmo não escrevendo aqui sei que me leem e leem o que vós me dizeis.
Concluindo, não escrevemos muito ou quase nada nas páginas uns dos outros, mas não temos a menor dúvida sobre a nossa amizade, que sempre foi e é para toda a vida, por isso não nos sentimos obrigados a nada, porque nos conhecemos muito bem. E há dias senti-me surpresa quando essa amiga me disse pessoalmente ter-se comovido com uma resposta que aqui lhe dei a um dos raros comentários que me fez e que para mim foi normalíssimo e que era precisamente sobre a amizade e a forma como o tempo é um teste para ela e não foi preciso dizer-mo publicamente, com a queridez e os excessos que por vezes se cometem quer pelo facebook, quer por aqui.
Quando as pessoas já são amigas aceitam tudo, quando não são servem estes episódios para ficarmos esclarecidos. No fundo perder uma amiga que não o era não foi uma perda para si, mas um ganho.

Beijos
Branca

Eva Gonçalves disse...

Eu abri e já fechei a minha conta no facebook :) amigos desses dispenso. Há uma dificuldade muito grande mesmo fora da virtualidade, em entender que os outros têm direito a escolher não fazer o que se lhes é pedido, como se a isso fossem obrigados mesmo se apresentam argumentos válidos. Esse exemplo de intolerância perante uma opinião (afinal, pedida!)divergente, é paradigmático... Abraço

Linda Simões disse...

Jaime,

Tu és mesmo assim: Universal.

Paz pela PAZ.

Kisses

e Beijoquinhas aos dois queridos

ki.ti disse...

Eu sou muito mais fina, tenho o cat's snoutbook e não reclamo!

Fernanda disse...

Somos "amigos" no Facebook e já o conheço doutras casas.

Confesso que só estou novamente no Face pelo meu filho, que habita outro país e por mais nada, mesmo!

Contudo,foi de lá, Facebook, que aqui vim parar, estranho? sim! Mas foi, facto irrelevante, neste caso.

Dos "amigos" por interesse, estou tão cheia que fechei o meu Blog.
Lerei apenas quem gosto e visitarei sempre quem quero, sem contabilizar quem vem para ir lá e vice-versa.

Foi bom ter tocado neste ponto, pois imagine que bastou dizer "adeus" para muitos "amigos" deixarem de lá ir dizer adeus...

No que concerne o tema principal deste texto, e apesar de saber como o inglês tomou o mundo, concordo inteiramente consigo, especialmente por ser um concurso... de poesia, a forma literária mais difícil, e ainda, como muito bem diz, "a condição de uma língua padrão, todos aqueles que não comunguem dessa como sua língua materna ou em que se exprimam com fluência, à partida, ficam em desvantagem concorrencial absoluta."

Enfim... Convenhamos que há verdadeiros absurdos e obvaimente não falo só do poema.

Fernanda Ferreira

Maria João disse...

Jaime

Meu caríssimo Amigo


No face facebook, na blogosfera ou na vida, a verdade implícita no valor da amizade, como sentir generoso de partilha, sinceridade e inter-ajuda é o que é, e o que sempre foi, afinal. Um sentimento raro. Apesar de, erroneamente, muitos acreditarem no contrário, por força da solidão, a que os seus olhares umbilicais os devotaram. “ Eu dou-te, se tu me dás” , esta é a moeda de troca, num mundo em que nada já acontece, infelizmente, no simples rumo de uma comunhão desinteressada e pacífica.

Obviamente, concordo!!

Um abraço grande e fraterno