quarta-feira, 28 de outubro de 2009

SEGUNDO JLF

DA CRIAÇÃO AO APOCALIPSE
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No princípio era a palavra, o signo ou input, um Eu sem limites nem fronteiras, mergulhado no caos e logo pela palavra o caos organizou-se.
À esquerda do Eu o divino, à direita o sibilino, em luta titânica ao Eu, nos seus inquestionáveis limites, o condicionaram retirando-lhe a liberdade sem fronteiras e obrigando-o a comer do pão que o diabo amassou em busca da sabedoria que o pudesse reconduzir e o fizesse reencontrar o paraíso perdido.
O Eu fez-se então um deus, uma multiplicidade de deuses para todas as situações, prostrados diante de um Eu maior e inquestionável à volta do qual os eus se situaram na inquestionabilidade do privilégio de se ser o deus de todos os deuses e no progressivo reencontro brutal de todos eles.
Um Eu houve, então, que se afirmou filho de um Deus maior e irmão de todos os outros eus, sem excepção, subvertendo a ordem estabelecida.
Condenado e por todos sacrificado recentrou Deus entre os deuses e colocou-O ao alcance de todos os eus, perante O qual, todos os eus passaram a ser irmãos e iguais.
Os eus, na subversão estabelecida e sempre replicante do caos, guerrearam-se entre si na presunção descabida de se continuarem a achar mais do que os outros e usurpando Deus aos deuses e aos eus.
Até que entre si se reviram uns nos outros, reconhecidos todos nos limites do mundo por explorar, depois da imensa e prolongada Diáspora que a todos os pôs, irremediável e definitivamente, em contacto.
O Eu percebeu, assim, quão longe poderia ir entre os seus pares, permanecendo um igual e em nome de todos os seus iguais, para que todos pudessem ir mais longe, sempre e cada vez mais longe.
E o céu abriu-se como o mar, a sangrarem, oferecendo novos e desconhecidos mundos ao mundo por explorar e que pelos eus, por todos eles devessem ser cuidados.
Quer os conhecidos como os desconhecidos eus ...
Aos eus, as palavras e os signos abriram-se-lhes também em profundidade por conhecer e que aos poucos e logo depois pela música, melhor os ía fazendo ver cada vez mais ...
Desmaterializando-se quase sem darem por isso, no império, todavia, da matéria a que ficaram, para sempre, amarrados, espírito e corpo, corpo e espírito da morte se íam, por esta via, libertando, em busca da Vida sempre por realizar no anunciado apocalipse que pela morte e em permanência se realiza também.
Deus tinha, sabemo-lo, descansado e sabia o que fazia porque o trabalho tinha sido delegado, à Sua imagem, em todos os eus!
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 28 de Outubro de 2009

23 comentários:

manuela baptista disse...

Esta página

é um Acto da Criação ou uma sinfonia de um Novo Mundo!

Muito bonito!

Manuela Baptista

Nota: eu já tinha desconfiado dos meus eus, mas agora já sei que Deus está repimpado a descansar...

Jaime Latino Ferreira disse...

MANUELA BAPTISTA


Só para te dizer que delegar não é um repimpanso qualquer ...!


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 29 de Outubro de 2009

J. Ferreira disse...

Caro Jaime,

É de facto um ensaio magnífico, o que aqui reproduzes.Não vou entrar na réplica filosófica/teológica, pois levar-nos-ia por aí fora.

assim, direi, somente:

Secundo a Manuela, dizendo que o teu Deus, se repimpou em demasia, confiando o "trabalho", à Sua imagem, delegando-o aos seu eus.

O resultado está à vista.

Lá diz o ditado: "patrão fora dia santo na loja..."

Nota: Digo teu Deus, pois, como sabes, o meu, se é que existe, ainda não o encontrei, ou vice-versa.

Jaime Latino Ferreira disse...

JOSÉ FERREIRA


Caríssimo,

Já me fazias falta ...!

Sentia-me assim como dia santo sem o patrão à perna!!!

Tal como a minha querida mulher, sobrelevo o conceito, o verbo delegar:

Saber delegar é o mais difícil na autonomia que impõe embora não dispense toda a pró-actividade.

Exemplo:

Ontem ocorreu-me escrever-te aqui um comentário que depois entendi ser descabido, do género " oh Zé, que é feito de ti, não apareces!?".

Resultado:

Apareceste coisa que não o afiançaria caso tivesse escrito esse comentário.

Terias aparecido à mesma?

Seria pura especulação ...

O que é facto é que apareceste o que me deixa profundamente gratificado como o fiquei, aliás, com o comentário de minha mulher!

O resultado ficou, assim, à vista como, naquele sentido em que a esta expressão utilizas reforçando-a com o ditado patrão fora dia santo na loja e prospectivamente, não se poderá, de facto, dizer que seja assim tão mau ...

Se em lutas intestinas os deuses se continuassem a guerrear, que espaço sobraria aos eus que lhes desse autonomia o que é sempre o mais difícil de aprender!?

Se o imperador continuasse a ser o deus vivo, de quem seriam filhos todos os outros!?

Que margem lhes restaria para provarem a dignidade dessa filiação!?

E para se atreverem a agir, com maioridade, por sua conta e risco!?

Na presunção do melhor que pudessem dar de si próprios!?

Crentes ou não!?

E que voluntariamente, sem constrangimentos, os levasse a pronunciarem-se como tu, sem dicas minhas, o fizeste!?

Repito, gratificas-me!

Fortes abraços


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 29 de Outubro de 2009

Filomena disse...

Jaime!

Está interessante esta visão pelo Meu Amigo!

Beijo

Filomena

P. Nuno disse...

É caso para dizer como no Génesis: "E Deus viu que o que tinha feito e era tudo muito bom!"... Como bom e muito interessante e poético é o seu texto. Obrigado!

Linda Simões disse...

Passei só para dizer que depois volto aqui,com calma.É que estou de mudança para Olinda...( ! )

rsrsrsrs


Beijinhos aos dois

Jaime Latino Ferreira disse...

FILOMENA CLARO


Querida Amiga,

Aprecio, francamente, o interesse que vê nesta minha visão que não é, estou em crer, apenas minha ...

Um grande beijinho e obrigado por ter telefonado


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 29 de Outubro de 2009

Jaime Latino Ferreira disse...

PADRE NUNO


Meu Querido Amigo,

Não imagina, ou imaginará (!?), o reconforto que me transmite com esta Sua pequena mas tão singela mensagem!

Este é um daqueles meus textos, ensaio como lhe chama um amigo meu num comentário que aqui deixou, que me deixam simultaneamente preenchido, exausto e a exigir, pela profundidade que contém, uma pausa para que possa ser devidamente digerido, não apenas pelos meus leitores mas por mim próprio, acredite ...

Obrigado eu e um grande abraço para Si


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 29 de Outubro de 2009

Jaime Latino Ferreira disse...

LINDA SIMÕES


Minha Querida Amiga,

Ria-se, ria-se ...!

É isso mesmo, volte com calma para digerir este meu ensaio, inspirada por esse maravilhoso lugar que sei que o é embora nunca lá tenha estado.

É mudança definitiva ou vai lá passar férias!?

Ria-se, ria-se ...

Boa viagem e um grande beijinho


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 29 de Outubro de 2009

Dulce AC disse...

Hoje decidi: Vou seguir "a música das palavras". Cuja leitura acompanho há algum tempo, dos temas tão diversos e sempre tão profundamente tratados que o Jaime Latino Ferreira (permita-me que o trate assim)nos promove pela escrita tão perfeita e tão sentida,escrever também não deixa de ser um dom...e muito mais. Partilhas de momentos de vida?! Sim também, sem dúvida! E pronto aqui estou eu, finalmente.

E para terminar dizer-lhe Obrigado por todas as palavras que, entretanto, fui lendo.

dulce ac

Jaime Latino Ferreira disse...

DULCE AC


Minha Amiga,

Seja bem vinda e não sei que mais acrescente ao que disse a não ser que me sinto reconhecido ...

Obrigado eu!

Um beijinho


Jaime Latino ferreira
Estoril, 30 de Outubro de 2009


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 30 de Outubro de 2009

Ana Cristina disse...

Boa noite Jaime

Vou acompanhando o seu blog e pese embora a ausência de comentários, saiba que ando sempre por perto!

Hoje,sentei-me um pouco a ouvir notícias nos chamados jornais e telejornais.

"Operação Face Oculta"!!!
Mas que é isto ...

Depois de alguns "indícios" ,uma série de negações e afirmações de boa fé relativamente aos nomes envolvidos.

Ufff,fiquei mais descansada, já vou tomar um café ao Porto com serenidade e confiança.

Corrupção e redes "tentaculares"?
Pura ficção e brincadeiras da polícia judiciária.Sucateiros!!!

1 beijinho.
Nini

manuela baptista disse...

Ana Cristina

O Jaime está a ver o 4º telejornal e eu ando por aqui a roubar-lhe espaço...

Corrupção? Redes?
Então não ouviu os vizinhos?

Tudo Bons Rapazes!!!

Já a Camorra é (será?) outra história.

A jornalista da TVI comentava desta forma o assassinato de um dos seus membros em plena luz do dia:
"A vítima jaze no chão, perante a impacividade de quem passa"

Podemos observar que,

se tivesse sido em plena luz da noite
a vítima estaria a ouvir jazz noutro lado!
Quanto à impacividade, eu acho que os pacientes dos espectadores já não têm paciência para isto.

Falamos bem, não falamos?

Um beijo e um abraço

Manuela Baptista

Jaime Latino Ferreira disse...

A PROPÓSITO


Nós somos muito mais o que fazemos do que aquilo que ouvimos dizer que se faz:

Diz que diz-se, corrupções, faces ocultas, desmentidos, ganâncias, juras de idoneidade, comportamentos clientelares ou mafiosos e por aí fora, que é tudo isso em comparação com o que somos, com o que cada um de nós é?

Feito este meu texto, ensaio como lhe chama o José Ferreira, sem deixar, em permanência, de me descentrar mas, todavia, ainda perplexo, interrogo-me, percepcionando-o contudo, sobre o seu valor intrínseco?

E antevejo-lhe valia acrescida no contexto da língua portuguesa, aquela que é o meu país, não um território mas a Cultura ...

E o que são essas coisas que se ouvem dizer e que me agarram aos telejornais em comparação com o que aqui Vos deixo e que atravessa do Antigo ao Novo Testamento em texto tão curto e até aos nossos dias e para lá deles?

Cumpre-nos fazer Notícia, sermos Notícia que contrarie aquelas que Nos corroem autofagicamente!

E quando olho assim para o meu País, aquele que é o da Cultura, vasto Império, invariavelmente o vejo grande e para lá dos noticiários que na espuma dos dias Nos deixam um travo amargo e angustiante, nada mobilisador das energias positivas que, aliás, amarguradas não faltam por aí.

Não faltam não!

E apetece-me deixar este meu texto, por mais um tempo, no topo destas minhas páginas que tanto me orgulham ...


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 30 de Outubro de 2009

Ana Cristina disse...

Em noite de bruxas !!!,seja lá isso o que fôr desde que promova mais umas comprinhas nos centros comerciais e afins,e olhando pelo canto do olho para a sucata espalhada no país,digo "...no lo creo,pero que las hay las hay!"

Falamos bem Manuela,não haja dúvida.

Beijinhos.
Nini

Jaime Latino Ferreira disse...

ANA CRISTINA


Minha Querida,

Que as haja ... haverá ( pelo castelhano e pese a proximidade, não me aventuro! ) mas haja ou não haja, excelentes antídotos existem que as contrariem!

A elas e às sucatarias que por aí proliferem.

Já que se brinque às bruxas e por estrangeirada que a brincadeira seja, não tenho nada a dizer!

Se só agora Lhe escrevo, tal se deve ao facto de termos ido jantar fora e ver a nova peça do Teatro Meridional, Brasil, Outras Rotas ...

Beijinhos e um bom Domingo


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 1 de Outubro de 2009

patricia disse...

Muito interessante, profundo e, ao mesmo tempo, claro, sem ser contraditório. Também concordo que Deus é Eu e eu!

Jaime Latino Ferreira disse...

PATRÍCIA


Querida Amiga,

Obrigado!

Diria em complemento que Deus também é três eus:

O Eu que se é, aquele que se quer ser e um outro que se distancia e pondera influenciando os outros dois.

Um princípio de trindade ...

Beijinhos e que prazer vê-La por aqui de novo


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 2 de Novembro de 2009

Linda Simões disse...

... Jaime,

estou rindo de felicidade,pois vim morar em Olinda !

...


E ainda estou tentando colocar ordem na nova casa! rsrsrs


Beijocas aos dois,

e volto aqui depois,com calma, acredite.

Linda Simões disse...

Manuela,

saudade.


Beijocas

manuela baptista disse...

Linda em Olinda

Ó Linda ponha lá a casa em ordem e venha para aqui conversar!

E Olinda, é linda?

Beijinhos

Manuela Baptista

Jaime Latino Ferreira disse...

OLINDA


Oh Linda
que linda é minha casinha
nesta cidade juntinha
a muita História
infinda
ai Linda Olinda é linda

Beijinhos e felicidades


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 2 de Novembro de 2009