domingo, 4 de janeiro de 2009

V Série
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TEMPESTADE
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Erguem-se os ventos sem bondade
Agitam-se as ondas nos rochedos
Varre-se o tempo sem saudade
Fundem-se como braços arvoredos
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Caem na minha luz todos os medos
Sombras se agigantam sem idade
Brumas que dançam dos enredos
Da história que replica e é cobarde
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Mas logo me enxugo e em mim arde
Vontade que é maior do que os trovedos
Raio que se acenda e não apague
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Salpico-me então de meus folguedos
Afugentam a borrasca e o alarde
De toda a vã cobiça de teus dedos
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( Ao som do terceiro andamento da sonata A Tempestade, para piano, de Beethoven )
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 4 de Janeiro de 2009