quarta-feira, 24 de novembro de 2010

MUDAR DE VIDA - I -


After Monet's Impression Sunrise
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A greve geral que hoje se realizou em Portugal como um pouco por toda a Europa e pelo Mundo vão tendo lugar, com todo o seu impacto na vida quotidiana, comprova a indignação geral perante as reiteradas promessas feitas anos a fio que se esfumam no tempo e que agora se frustram no desabar da demagogia eleitoralista para já não falar dos direitos que, dados por adquiridos, perante a esmagadora crise instalada, aos cidadãos se vêm retirados no engrossar impressionante da precariedade laboral e do exército de desempregados.
Dizia, outro dia, um conceituado comentador que, embora legítima, a greve nada iria acrescentar ou conseguir por se encontrar desfasada de uma iniludível e incontornável realidade que qualquer governante se veria, independentemente da cor política, na contingência de implementar.
Desse comentador me permito discordar:
A manifestação maciça de indignação que a greve geral traduz é, ela também e em si mesma, uma força que se poderá vir a revelar como dificilmente ultrapassável e tanto mais quanto maior a percepção da falta de proporcionalidade na distribuição dos sacrifícios que agora ao Povo se voltam, com toda a premência crua, a exigir.
Como eu o escrevia, há muitos anos já, na
Carta a Um Economista e que aqui, neste meu blogue, em Maio passado, decidi de novo editar, se essa exigência não começar pelo exemplo, a partir dos topos institucionais e de forma inequívoca, que autoridade, de facto, terão estes mesmos para tais e acrescidos sacrifícios virem exigir à generalidade dos cidadãos!?
Aqueles que sobram sempre e sobre os quais, esses mesmos sacrifícios, invariavelmente, recaem ...!
Ao contrário das vãs, irresponsáveis promessas eleitoralistas, o que aqui escrevo não se trata de demagogia e assume, nos dias de hoje, uma pertinência muito particular que interpela a Democracia e cada vez de forma mais gritante!
Comece-se inequivocamente pelo topo, no simbolismo, sinal político que tal encerra e a adesão aos sacrifícios, percepcionada pelo Povo muito antes de pelos seus dirigentes o ter sido encarada, desde que assente em perspectivas de futuro que não se podem subtrair e que nessa minha extensa carta também não alieno, fará, então sim, toda a diferença na coesão indispensável sem a qual tudo se tenderá, mais e mais e a começar pela confiança tão em défice, a estiolar de vez!
E nuvens continuam a pairar que lançam a suspeita sobre o exercício efectivo da equidade ...
Pergunto-me:
De facto, pesem as suas eventuais qualificações técnicas e académicas, que qualidade terão os quadros dirigentes que desprovidos do sentido de Serviço e logo, do sacrifício, prontos a desertar quais mercenários, atendem apenas ou antes de mais às suas regalias e privilégios que não queiram minimamente ver beliscados!?
Que falta farão eles à realização do bem comum!?
Como até aqui, aliás, e pelo que se vê, tão pouca ou nenhuma a fizeram ...!?
O exemplo tem que vir de cima e esse é um atributo que, dificilmente percepcionável, opaco que permanece, na sua carga simbólica, política é inexcedível!
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quando se fazem, de novo, ouvir gritos de guerra, agora na Península da Coreia

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Scherzo Heróico
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 24 de Novembro de 2010
Claude Monet, Soleil Levant

10 comentários:

manuela baptista disse...

muito bem!

não tenho nada a acrescentar...devo estar doente...

manuela

Jaime Latino Ferreira disse...

MANUELA BAPTISTA


Estaremos ...!?


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 25 de Novembro de 2010

Jaime Latino Ferreira disse...

ANDANÇAS I


Em vinte e quatro horas o contador de visitas disparou das 14 250 para as 14 610 visitas ...

Contam-se, deste modo, mais 360 consultas.

Mas que andanças ...!


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 25 de Novembro de 2010

Dulce AC disse...

"E nuvens continuam a pairar que lançam a suspeita sobre o exercício efectivo da equidade ..."

E isto meu Querido Amigo Jaime
é muito sério...

E eu também nada mais tenho a crescentar e não é por estar num estado gripal ligeiro...,
é antes por ter gostado e considerado tão certo o que nos escreveu...

Dois abraços amigos num desejo de BDia...:-)

dulce ac

Jaime Latino Ferreira disse...

DULCE AC


Querida Amiga,

Pois eu, neste caso, acrescento-Lhe:

Sinceros desejos de rápidas melhoras!

Um beijinho


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 26 de Novembro de 2010

Maria João disse...

Jaime
Meu amigo

Estou de acordo com tudo o que diz, em essência!
Sempre recorri à greve como forma de protesto e de luta, no direito que a democracia nos concedeu. Ainda há bem pouco tempo me empenhei seriamente por essa forma de expressão e que, no meu caso e de todos os meus colegas de profissão, se mostrou inglória. No mês presente acabou por ser legislada a maior injustiça alguma vez praticada na minha profissão. Mas apesar do que acham que merecemos, não será por isso que deixaremos de trabalhar e demonstrar na prática o valor que temos em termos humanos e sociais. Assim espero!!
Não aderi a esta greve. E não o fiz, não por não estar revoltada e profundamente indignada com tudo o que foi e está acontecendo, arrastando para um nível absolutamente inverosímil a vida de tanta gente. Trabalhei no dia de greve geral, por imperativo de consciência. Porque o meu país está economicamente no estado em que sabemos e, independentemente da origem da culpa ou dos motivos, ele precisa de braços para se erguer. Foi isso que fiz!
Gostaria antes, que se tivesse organizado uma mega manifestação a um domingo, onde todas as pessoas saíssem do conforto do seu lazer e viessem para a rua, nas suas vilas, aldeias e cidades e, de forma pacífica, demonstrassem a força de um grito de indignação colectivo, longe dos palcos e aproveitamentos políticos dos sindicatos. Sim, talvez eu esteja desiludida com a força sindical como sendo capaz de pressionar e fazer valer as pretensões e os direitos de quem efectivamente trabalha. O certo é que nos últimos tempos, até eles se vendem aos seus próprios interesses, escudados no que dizem ser a força mobilizadora do povo indignado.
Meu amigo, desculpe o texto tão longo, mas foi no sabor da pena que é como quem diz, na vontade dos dedos.

Um abraço imenso e o desejo de rápidas melhoras para os meus amigos… os vírus gripais andam aí à espreita. Esses e outros mais virulentos ainda!!

Jaime Latino Ferreira disse...

MARIA JOÃO


Querida Amiga,

... atchim!

Dado o espirro e expelidos os vírus, obrigado pelo Seu contributo!

Quem sabe se não Lhe dou parte da razão ...!

Mas os sindicatos não deixam de ter o seu papel e as greves também.

Gostava de deixar isto bem claro:

Eu sou um trabalhador precário e não sindicalizado, um cidadão que, portanto, olha para estas coisas de forma comprometida, seguramente, mas com um olhar crítico e independente.

Reconheço o papel imprescindível das instituições, nelas incluídas os sindicatos que o são, muitas vezes esquecemo-nos disso (!), e logo, as suas formas de legitimamente se expressarem como seja por uma greve geral e tudo isto sem prejuízo da democracia representativa.

Acho, aliás, que os prejuízos que de uma greve geral advêm não são assim tão fáceis de contabilizar, lineares muito menos, como à primeira vista o poderão parecer.

Como acho também que uma greve geral não exclui outras formas de manifestação participada como aquela que a Minha Amiga refere.

Acho, convenhamos, que a Maria João agiu de acordo com a Sua consciência e no Seu legítimo direito também!

Reconheço na democracia participativa um lugar insubstituível e era esse o meu ponto, a partir de cujos sinais projectados a democracia representativa não pode, aliás, ficar indiferente.

Finalmente:

Eu também não fiz greve geral e logo pelo simples facto de que nesse dia, free-lance como sou, eu não trabalhei!

Reconheço, já agora, que para um precário, fazer greve não é acto de somenos e que quando os não precários a fazem, de certa forma, apenas de certa forma e muito0 embora sempre se gerem variáveis perversas (!), também estão a lutar contra a precariedade!

Como reconheço, ainda, que numa manifestação a um dia de folga, todos, precários como não precários, nela poderiam participar, aí sim (!), livremente e em pé de igualdade e não apenas para zelar pela segurança de uns e sabe-se lá se cada vez mais, sem atender à dos demais!

A Sua sugestão aqui fica e quem sabe se não fará o Seu próprio caminho.

Obrigado e um grande beijinho


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 26 de Novembro de 2010

BRANCAMAR disse...

Jaime, muito bem, concordo com tudo, mas tudo que disse, principalmente que se o exemplo não vier de cima todas as medidas perdem a sua razão de ser, porque não pode haver crise para uns e para outros não. Concordo também com uma mega manifestação ao fim de semana, como diz a Maria João, seria uma forma de reagir complementar da outra e onde poderiam participar todos os desempregados e todos os que não se podem manifestar numa greve, pela precaridade do seu trabalho.
A ver vamos, a crescer a indignação seria lógico que assim fosse, será possível que venham a ser criadas outras formas, desde que a maior parte das pessoas não se acomode e deixe os centros comerciais para ir para a rua exigir justiça.

Um beijinho e um bom fim de semana.
Branca

Jaime Latino Ferreira disse...

BRANCAMAR


Querida Amiga

Ponho-Vos às duas, Branca e Maria João, em contacto!

Vê, Maria João, como as coisas vão fazendo o seu caminho ...!?

Desculpe-me Branca mas este, como sabe, é um espaço de diálogo que não tem, necessariamente, de passar por mim.

Para Si Branca um beijinho e aproveito para a todos desejar um bom fim de semana


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 26 de Novembro de 2010

Jaime Latino Ferreira disse...

ANDANÇAS II


De 14 610 para 14 950 logo, mais 340 visitas nas últimas 24 horas!

Um pontinho vermelho aceso na Hungria, a saber, em Nyíregyháza. Szabolcs-Szatmar-Bereg!


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 26 de Novembro de 2010