domingo, 14 de novembro de 2010

PAISAGEM DE SONHO

Dreamscape, Ian Plant
-
Planto o que avisto
e de escape
germina a semente
que por muito que se tape
se alicerça no que aqui ponho
e que vai da raiz ao meu sonho
-
Por mais que se cubra de xisto

a paisagem que dele sai
ao medo o corta rente e ao medonho
-
não são as adversidades antes o medo que impede a concretização dos sonhos
-
Doce Memória
-
Jaime Latino Ferreira
Estoril, 14 de Novembro de 2010

13 comentários:

manuela baptista disse...

por mais

que escreva no xisto
as palavras que aqui ponho
cresce o sonho
é raiz

na paisagem que componho
da semente do que fiz

e às vezes que medonho
é o medo de um país

manuela

Jaime Latino Ferreira disse...

MANUELA BAPTISTA


O medo é tudo o que se diz quando não se tem mais nada para dizer e que por dizer-se, nada acrescentando, ao sonho lhe retira valor.

Não foi, seguramente, esse o teu caso!


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 15 de Novembro de 2010

BRANCAMAR disse...

E que bom Jaime que se sinta nesta paisagem de sonho e que se concretizem todos é o que lhe desejo.
Também eu aqui acabei por me sentir sonhando.

É uma verdade que as adversidades não impedem a concretização dos sonhos e o medo sempre o tomei como algo muito abstracto, um estado psicológico.
Afinal o que é o medo?
Alguém me saberá explicar?

Beijinhos
Branca

BRANCAMAR disse...

E que bom Jaime que se sinta nesta paisagem de sonho e que se concretizem todos é o que lhe desejo.
Também eu aqui acabei por me sentir sonhando.

É uma verdade que as adversidades não impedem a concretização dos sonhos e o medo sempre o tomei como algo muito abstracto, um estado psicológico.
Afinal o que é o medo?
Alguém me saberá explicar?

Beijinhos
Branca

Jaime Latino Ferreira disse...

BRANCAMAR


Querida Branca,

O que é o medo?

O medo, por mais abstracto ou estado psicológico que o seja, como escreve, tolhe-nos e ao tolher-nos transforma-se em coisa bem concreta:

Paralisia, descrença, falta de objectivos, de horizontes, incapacidade de prosseguir, de fazer opções, falta de coragem, desconfiança permanente ...

Estou ainda a ser subjectivo?

Pesadelo!

E o que é isso?

Catastrofismo, visão apocalíptica das coisas ...

Incapacidade de decidir por achar-se não valer a pena, querer estar bem com tudo e todos, com Deus e com o diabo, não fazer ondas nem agitar as consciências.

Escolher o caminho mais fácil!

Perdermo-nos no imediato e por ele nos deixarmos afogar omitindo o sonho dele nos demitindo ...

O medo é vivermos para o Presente, sem Passado e nem Futuro!

É não termos opinião própria e fazermos dependê-la, comiserados, de terceiros.

O medo é sermos incapazes de nos confrontarmos connosco próprios a isso fugindo, num obreirismo obcecado, em permanência.

O medo é, em suma, a ausência de valores aplicada à nossa vida individual e concreta.

Espero tê-La ajudado na resposta à questão que aqui, em duplicado, me deixou!

Um beijinho


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 15 de Novembro de 2010

Jaime Latino Ferreira disse...

PAISAGENS I


Um pontinho vermelho aceso em Circleville, Ohio nos Estados Unidos!


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 15 de Novembro de 2010

BRANCAMAR disse...

Belíssima definição Jaime e muito bem explanada, nada subjectiva, visto assim o medo por esse ponto de vista, mas precisamente por nos poder fazer isso tudo, pode-se supor que ele existe, mas no fundo é assim uma espécie de sofrimento por antecipação, alguma coisa que nos ficou das histórias do "homem do saco" para comer a sopa ou do "medo do escuro", outras vezes de más experiências de vida.
Mas, curiosamente nem todos reagem da mesma forma ao medo e por isso como muito bem diz no seu poema e conclui as adversidades podem também eliminar o medo, prepararem-nos para tudo.

"Por mais que se cubra de xisto
a paisagem que dele sai ao medo o corta rente e ao medonho".

Bonita mensagem.
Parabéns
Branca

Maria João disse...

Jaime

Meu amigo

Ora aí está, o tal de que falámos...

E estando praticamente tudo dito sobre o medo, na excelente resposta que escreveu ao comentário da Branca, eu apenas acrescentaria que o medo também pode provocar reacções inadequadas e exacerbadas de agressividade, autoritarismo e prepotência.


Um beijinho

BRANCAMAR disse...

É verdade Jaime, é verdade também o que diz a Maria João, por isso é que a palavra medo devia ser banida da face da terra e o sentimento que lhe está subjacente.
Quando os meus filhos eram pequenos eu dizia-lhes que o medo não existe, que foi inventado pelos adultos para assustar as crianças, para as dominar ou quando tinham pouca paciência para elas. E fazia-lhes a pergunta que fiz aqui - "O que é o medo? - não é nada que exista", mas a vida encarrega-se de lhes trazer outros medos, nos tempos de hoje por exemplo o medo de não terem emprego, embora isso possa ser contrariado com o acreditar.
Eu sou uma optimista nata e contrariadora de negativismos, embora consciente da dura realidade, embora acreditando demasiado e por isso deixo votos de dias felizes, sem medos.

Beijos
Branca

Jaime Latino Ferreira disse...

BRANCAMAR


Minha Querida,

O que eu digo no meu poema é que não são as adversidades antes o medo, que existe, se existe (!), que impede a concretização do sonho, o mesmo é dizer que é a realização deste, porfiar no sonho ou na paisagem que se vislumbra que ao medo o cerceia!

Obrigado e um beijinho


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 15 de Novembro de 2010

Jaime Latino Ferreira disse...

MARIA JOÃO


Querida Amiga,

Ao que escreve apenas acrescentaria:

Replicantes, agressividade, autoritarismo, prepotência e medo, associados que estão, alimentam-se uns aos outros!

Um beijinho


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 15 de Novembro de 2010

Jaime Latino Ferreira disse...

BRANCAMAR


Boa Amiga,

Deixe-me ainda precisar:

Em si mesmo, termos medo, e há tantas e tantas razões para o ter, logo o medo da morte de que nenhum de nós se livra (!), não é um mal em si mesmo, pelo contrário, é uma bitola que nos ajuda a sabermos situarmo-nos e a ter a noção das coisas e da razoabilidade em particular.

Não, o medo existe e não há como fugir-lhe, o problema está em nos deixarmos tolher por ele.

Esse é que é o ponto!

Outro beijinho com iguais votos de dias felizes que implicam que sejam, também, por ele, pelo medo calibrados


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 15 de Novembro de 2010

Jaime Latino Ferreira disse...

PAISAGENS II


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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 15 de Novembro de 2010