quarta-feira, 11 de março de 2009

SER JUSTO

Ao escrever os últimos textos que escrevi sobre alguns aspectos da vida da Igreja, não houve quem não deixasse de vaticinar a minha excomunhão ...
Tal como eu ou qualquer um de nós, Ela tem, todavia, de ser olhada no seu profundo dinamismo e prospectividade, no tempo e no espaço e para lá desses horizontes.
Tem de ser olhada, também, como a música que não é apenas uma nota mas toda a sequência delas que na horizontal como na vertical e dinamicamente à música lhe dão corpo.
Nela há passagens que nos agradam mais e outras menos, algumas que veementemente se condenam, assim o fiz (!), mas o seu sequencial aponta, tendencialmente, num sentido formatado pelos próprios Textos que A guiam e A encaminham.
Plurais, imensamente plurais na sua semântica.
Há quem desafine e quem exclua, há sinais contraditórios e extremados mas, tendencialmente é, testemunho aqui e agora e independentemente de tudo o que foi dito, inclusivamente a necessidade de os interpretar, a esses mesmos sinais com paciência, preserverança também e muito embora pese como pesa a urgência vertiginosa dos tempos nas encruzilhadas de um tempo crucial, crucifixial mesmo (!) mas que se realiza e impõe!
A Igreja é uma Instituição plural que sendo teocrática não é antagónica mas pode ser antes complementar e reserva, na semântica do sentido, da Democracia.
O tempo da Igreja não é o mesmo da temporalidade dos tempos quotidianos e o segredo da sua gestão, só ele explica a Sua intemporalidade enquanto Instituição bimilenar.
Há uma diferença, contudo, entre o tempo da política, politics, e a Política do tempo e a Igreja não está imune a nenhuma delas e sabe-o.
No entanto, a Política, a Política do tempo impõe-se e os tempos não se vão compadecendo.
A Igreja é como África, uma profusão de contrastes, plural e um horizonte imenso que tem de ser em aberto e sem fazer excepção de ninguém.
Ela é um passado que é presente e um futuro que se tem de realizar, estando sempre, mais e mais por realizar.
E a mim me cabe dizer de minha justiça.
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Oh porque será que não tenho
Tudo o que quero junto a Vós
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 12 de Março de 2009

4 comentários:

Filomena disse...

Jaime,

Nunca será"excomungado" aquele que dia o que pensa.
Nunca será "excomungado" aquele que vai em busca da verdade.
Nunca será"excomungado" o justo.

Se Jesus Cristo tivesse vivido nos nossos dias, e de certeza teria seguidores fiéis como teve no tempo em que viveu, diria talvez isto e muito mais.

Fique bem e continue a "coçar onde é preciso".

Filomena

Filomena

jaime latino ferreira disse...

COMICHÃO


Coça coça comichão
Não se aflija porque é tão
Grande a vontade de Ser
Maior do que o simples ver

Amiga deste meu vão
Que seja pois decisão
Não desistir de querer
Ser mais forte o meu crer

Ser mais forte e ser são
A Deus peço mais que um não
Ele é mais do que o saber
É tudo o mais sem o ter

Descanse que o canto chão
É um coral sem senão
Vozes do amanhecer
Mais o são que adormecer


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 12 de Março de 2009

manuela baptista disse...

O Violino e a Orquestra

Se o violinista
não fôr um artista
a orquestra toca desafinada
O violino arrepia-se
e só quer
sair dali para outra morada

A Igreja é como África?

Bela e selvagem
Quente e cheia de mistério
Repleta de homens bons e corajosos
E de homens cobardes e impuros
De rios de lagos e de cascatas
De seca de rocha e de erva daninha
De meninos que choram
E de meninos que cantam
De Sol e de Lua
De guerra e de Paz
De desânimo
E de Esperança

Como todos nós, com muitos lados, uns escuros e tenebrosos e outros mais luminosos.

E em cada dia pecamos e todos os dias queremos ser Santos.

Manuela Baptista

jaime latino ferreira disse...

JUSTIÇA


Mundo de mundos imensos
Projecta-se nos incensos
É a Igreja um marco
África um simples arco

Toca em cordas silvestres
Faz vibrar em suas vestes
Umas despidas e sóbrias
Outras cinzentas e sórdidas

Intolerantes acusam
Ajuízam e são fúrias
Não se revêem nas cúrias

Outras mansas ou lamúrias
Acolhedoras astúrias
São gratidão e perdão


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 12 de Março de 2009