sábado, 16 de outubro de 2010

A FALÊNCIA DO ELEITORALISMO

Que não se confunda sufrágio universal, a ferramenta eleitoral que à política a coloca, imprescindivelmente, sob escrutínio popular com eleitoralismo.
Posta esta ressalva, nunca é demais frisá-lo (!), importa mais do que nunca dizer que se esgotaram irremediavelmente os critérios que têm presidido à lógica que às forças políticas dos arcos governamentais lhes têm permitido o exercício alternado do poder fazendo orbitrar à sua volta e por mimetismo, todas as outras.
Não há mais lugar para a demagogia, isto é, para o eleitoralismo:
Não há mais lugar para promessas vãs, susceptíveis de aliciar eleitorado, sem medir as suas reais consequências;
Não há mais lugar para estratégias míopes, de curto prazo, tendo em vista, exclusivamente, o exercício do poder a troco de coisa nenhuma;
Não há mais lugar para acusações recíprocas ou estratégias, melhor diria, estratagemas de Pilatos, lavando daí as suas mãos e acusando os contendores das responsabilidades, afinal, por todos partilhadas e que cegas vingam há muito tempo, que ajudam e de que maneira, a explicar o ponto a que se chegou na factura inadiável que finalmente se apresenta, coerciva, à cobrança;
Não há mais lugar para a engorda de clientelas, ávidas de cada vez mais, no império da cunha que vise satisfazê-las sem limites nem pudor à vista.
Demagogia ...!
As forças políticas acusam-se umas às outras de demagogia quando todas têm as mãos sujas e enormes responsabilidades partilhadas na situação a que se chegou!
Sobra apenas lugar para o exercício despojado, autocrítico, olhos nos olhos, da Política, sim, porque só esse exercício é merecedor de maiúscula, não se compadecendo, tão pouco, com imediatismos mediáticos e não me venham falar de coragem pois que ela Vos falta desde há muito e só porque o paradigma se esgotou, sem apelo nem agravo e tarde e a más horas Vos lembrais, finalmente, que já não há volta a dar-lhe!
Afinal, é da Vossa própria embora necessária sobrevivência que se trata!
Cuidai-Vos e ponderai bem ...!

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Flat minor
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 17 de Outubro de 2010

18 comentários:

manuela baptista disse...

a falência

falida

do que já faliu!

não há mais lugar, mas o barco ainda está cheio...

apenas é eleito aquele(s)
que mente(m)?

e a quem acreditará no que diz a verdade?

manuela

BRANCAMAR disse...

Corroboro em tudo o que diz a Manuela

"e a quem acreditará no que diz a verdade?"

e mesmo que o que diz a verdade seja acreditado, não vai resistir muito tempo aos empurrões e rasteiras dos "espertos" e disso nós temos todos culpa, a comunicação social principalmente e os que não têm espírito crítico em relação e ela, porque hoje se desacredita o que é sério com boatos e se promove o mau com imagens de aparência. Não existe jornalismo, ou é raro o que pode ter esse nome, as notícias são rápidas, vorazes e não se confirmam, o que importa são os números e as audiências.

É necessária uma revolução total de mentalidades.

Texto muito interessante e pertinente, Jaime.

Beijinhos
Branca

Jaime Latino Ferreira disse...

MANUELA BAPTISTA


No que diz a verdade se veja aquele que vai nu e se acredite nele ou não ...!

Porque se nele não se acreditar é porque quem nele não acredita, melhor dizendo, confia, não se trata de uma questão de fé (!), é porque muito tem para esconder!!!


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 16 de Outubro de 2010

Jaime Latino Ferreira disse...

BRANCAMAR


Lá vem a minha amiga Branca ...!

Da primeira parte do que no que escreve a Manuela corrobora, já eu lhe respondi acima ...

Quanto ao mais que escreve:

Há coisas que se dizem em tese e que se não forem aplicadas ao concreto, ao concreto de cada um de nós, não significam absolutamente nada.

Assim, pergunto-Lhe a Si, a Si Branca confrontada consigo própria:

Está ou não a minha Amiga disposta a confiar naquele que diz a verdade, isto é, naquele que tem uma atitude despojada, autocrítica, olhos nos olhos da Política!?

Sim, porque essa coisa de se dizer a verdade é sempre relativa, relativa a alguém, dão-se, quanto muito, contributos nesse sentido e a verdade está sempre por refazer!

É, é necessária uma revolução de mentalidades começando, hélàs, por cada um de nós!

Um beijinho


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 16 de Outubro de 2010

Maria João disse...

Jaime

Meu amigo

E a verdade está onde e em quem?
No que dizem de um lado e do outro, em alternância?
Assim temos vivido nós, qual bola de ping-pong, olhando os dias em hipnose.
Agora, desacreditado e falido, parece que o país acorda aparvalhado e ainda por cima a sentir uma corda enrolada ao pescoço, como se a sentença só agora tivesse sido proclamada.
Mas não foi!
Deixámo-nos iludir nas inverdades e demagogias, sementes de um poder eleitoralista, esquecendo o ditado: " Quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado vem". E isto seja qual for a cor da bandeira de quem nos governa.
Acreditámos que quem assim falava e sacrifícios pedia, em nome da democracia, sabia o que fazia, como se a palavra e acto fossem, alguma vez em política, apenas uma e só coisa.!
Não o é de facto!
Sim , e responsabilidade é nossa também, porque um país não são só os governantes ou não fosse a base da economia, em parte, o deve e haver do Razão de cada um.
Há muito que é preciso mudar, concordo em absoluto. Não só na mentalidade como na organização dos dias e da vida, num processo que agora será deveras doloroso.
Em muitos casos a mudança já é e ou será , no sentido urgente da sobrevivência e na recusa da modernidade das rotinas que acrescentaram à vida, apenas o supérfluo.
A verdade vai deixar de estar camuflada onde quer que seja e entrará porta adentro, na vida de cada um de nós, independentemente do que quer que fosse que tivéssemos ou não acreditado.

É impossível não nos entristecermos…

Um abraço

BRANCAMAR disse...

Claro que estou disposta a acreditar no que diz a verdade, eu sou uma crente por natureza no ser humano, Jaime e como a verdade é relativa estou disposta a acreditar em mais que uma verdade, ou melhor dizendo na verdade de cada um, muito mais se fôr assim como diz, despojada, autocrítica, olhos nos olhos.
Acredito tanto que acreditei neste governo, continuei ainda a acreditar no segundo mandato durante algum tempo e se quer que lhe diga não é nos homens que não acredito, mas numa série de conjunturas criadas por um poder económico que se cruza com alguns deles, esse sim capaz de grandes rasteiras.

Mas, este é um tema muito difícil de tratar em curtos textos e sujeito a interpretações complicadas, lindo seria tratá-lo numa boa conversa, essa sim olhos nos olhos, num serão tertuliano.

No fundo queremos todos o bem comum, pensio eu.

Deixo beijinhos
Branca

Jaime Latino Ferreira disse...

MARIA JOÃO


Querida Amiga,

A verdade está espartilhada, um pouco por todo o lado mas o facto é que com o passar do tempo e no imediatismo eleitoralista nos temos todos enredado na ilusão de poder viver acima, cada vez mais acima das nossas possibilidades e tanto mais paradoxalmente quanto a globalização faz emergir outros polos de desenvolvimento, no seu legítimo direito de levantarem a cabeça, aliás e que nestas encruzilhadas, na sua pujança, nos têm deixado, mais rapidamente do que alguns desejariam pensar, desarmados, confrontados com decisões não mais adiáveis e por muito que se tentem continuar a adiar, a camuflar, a escamotear ...!

Depois, há um pano de fundo que, ele também reclama à mudança de vida como na chamada para a minha página Coragem Para Dizer, não o faço por acaso, o afirmo e daí o link que lhe dá acesso, escrito em inglês, dizer, traduzido, aqui como em todo o mundo:

" ( ... ) Acima das capacidades do próprio planeta do qual pensaríamos ser possível tudo poder extrair sem o pagamento de uma qualquer factura e sem limites nos recursos que estariam aí e sem mais, à nossa insaciável e caprichosa disposição! ( ... ) "

E aí, a essa consciência crítica não sei bem até que ponto se terá, para já e globalmente, no plano político chegado!

Mas essa mobiliza-nos a todos, mobiliza-nos a termos que mudar de vida mais cedo do que tarde e a decretar a falência dessa postura eleitoralista da satisfação dos interesses imediatos que tem os dias cada vez mais contados.


Querida Amiga,

É impossível não nos entristecermos, escreve ...

E eu respondo-Lhe que não sei mesmo se não haverá males que vêm por bem assim como não sei se os males anunciados são, em si mesmos, os adequados para fazer face à aflitiva situação em que nos encontramos!

Um beijinho


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 16 de Outubro de 2010

Jaime Latino Ferreira disse...

BRANCAMAR


Querida Branca,

Começo pelo fim daquilo que escreve:

" No fundo queremos todos o bem comum ... "

Pois seria bom uma tertúlia mas, porque não encarar este espaço já como ela mesma!?

E se queremos todos o bem comum porque não admitir que o próprio poder económico, na conjuntura que refere, ele também irá, tendencialmente, ao encontro do bem comum!?

Tratar-se-á de um papão!?

Que seria do emprego sem ele!?

E do tão falado PIB!?

E, em última instância, das nossa próprias poupanças, elas mesmas e em si mesmas maior ou menor poder económico!?

Também a Si como à Maria João a remeto para o meu texto em que por link se tem acesso, Coragem Para Dizer, para dele Lhe citar outra passagem, não o puz ali por mero acaso, a saber:

" ( ... ) Acabou o tempo da ditadura do dinheiro ou, melhor ainda, a ditadura do dinheiro ditou-lhe os seus próprios e não mais escamoteáveis limites! ( ... ) "

Diga-me então:

A ser assim como cada vez mais me parece inadiável, isso é ou não é uma coisa boa!?

Um beijinho


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 16 de Outubro de 2010

Jaime Latino Ferreira disse...

VOTOS I


Agora que me aproximo das 9 780 visitas, registo mais 110 consultas nas últimas vinte e quatro horas!


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 16 de Outubro de 2010

BRANCAMAR disse...

Claro Jaime, mas longe de mim ser contra o capital em si e a criação de emprego, mas já sou contra as regras que permitem livremente a esse capital escravizar os empregados,pô-los a trabalhar 12 horas por dia, reduzir custos a qualquer preço (humano), começando pelos salários, não dar às pessoas a possibiliddae de terem uma vida e obrigá-las a vegetar.

Por tudo isso concordo consigo quando fala de demagogia, porque hoje não há políticos com ideologias e convicções.

Beijinhos e um Bom Domingo
Branca

Jaime Latino Ferreira disse...

BRANCAMAR


Minha Querida Amiga,

Está a ver como lá vamos transformando este espaço, esta caixa de comentários, em si mesma e ainda que poucos, numa tertúlia ...!?

Tudo aquilo que contrario tem a ver com a terrível tendência que temos, involuntariamente, para cair em generalizações como se estas ajudassem, não sei porque artes, a História recente demonstra-o que não (!), a explicar as situações e, implicitamente, a alijar-nos de responsabilidades, paradoxo à parte.

Nem os políticos se podem resumir ao que escreve, nem o poder económico, nem as classes trabalhadoras ao que quer que seja.

Esse foi um logro a que a chamada luta de classes nos conduziu como se não existisse vontade individual e própria que, ela mesma, não ajudasse a fazer a diferença!

A atracção pelas generalizações é muito tentadora e apenas nos livra, a cada um de nós, da responsabilidade que ou se tem ou não se tem ...

E tendo-a temos sempre que admitir que os outros e independentemente do grupo social em que se integrem, também a tenham!

Eu, julgando tê-la, por exemplo, parto do princípio que a Branca também a tem.

A Branca como muitos políticos ou detentores do poder económico, muitos trabalhadores também ...

Não me vai dizer, com certeza, que os trabalhadores são uns santos, ou vai!?

Está a ver!?

E, situado neste registo, o discurso assume outra clarividência que a cada um de nós ou nos interpela e poderá mobilizar ou não!

Um beijinho e um bom Domingo também para Si


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 17 de Outubro de 2010

BRANCAMAR disse...

Jaime,

Claro que há vontades individuais, claro que os trabalhadores não são uns santos, eu própria disse não sei se aqui ou no espaço de um amigo que de entre eles já vi muitos falsos revolucionários, mas isso é evidente, como é evidente que considerando-me ter um espírito crítico capaz de distinguir as coisas, não me deixo fácilmente cair em generalizações.
Já disse noutro sítio e repito aqui, o que talvez não tenha sabido explicar, porque tenho as minhas simpatias mas muito respeito por todos, sobretudo pelas pessoas sérias e que têm um espírito de serviço. Junto da minha cidade há um político que é o autarca que mais admiro de há alguns anos para cá e que tem transformado completamente a sua cidade e que não tem nada a ver com a minha côr política, mas ele próprio tem um respeito enorme por todos, sinto-o como se fosse um amigo e várias vezes me cruzei com ele em homenagens a opositores que ele muito admirou, assim como reconheço aqueles que dentro da minha linha, desalinham, o que não me obriga a mudar de ideias, porque os homens não são perfeitos. No entanto dentro da nossa individualidade só teremos força, se nos unirmos e fizermos valer essa força, de nada nos adianta lutarmos sózinhos.
Não sou filiada em qualquer grupo político, precisamente porque não quero anular a minha individualidade numa generalização de ideias, mas reconheço a importância dos grupos, com todos os seus defeitos e virtudes.

Mais um beijinho e um Bom Domingo para si,
Branca

. intemporal . disse...

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. ,,, .

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. esgotados os critérios,,, ébrios serão os beijos que entre.tanto permanecem por celebrar .

.

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. porque.do.pão.para.a.boca urge a matéria que nos ir.raciona .

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. abraço.O, querido jaime .

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.

. um bom.domingo .

.

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. paulo .

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Jaime Latino Ferreira disse...

BRANCAMAR


Querida Amiga,

Isto é que para aqui vai ...

Está a ver, que bela tertúlia!

Ninguém luta sozinho e ainda que sozinho faça por se afirmar ...

O tempo das revoluções já lá vai e hoje há que integrar os nossos anseios individuais nos desidérios que nos são comuns.

Estou mesmo em crer que do cumprimento desse desiderato insuspeitadas energias se libertarão onde possam confluir e apaziguar-se evolução e revolução, apaziguamento ao qual o nosso Planeta nos interpela como nunca, como quem pão para a boca, exaurido, de nós próprios reclama ...!

É que esse é o ponto nevrálgico em que este meu texto, no anúncio da falência do eleitoralismo perante a exaustão do mais e mais reclamar, desemboca!

Vá Branca, continuemos e deixemos os beijinhos para o final ou implícitos neste nosso profícuo diálogo!


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 17 de Outubro de 2010

Jaime Latino Ferreira disse...

PAULO


Meu Caro,

E eis senão quando, o meu amigo se interpõe, benvindo seja (!), neste diálogo entre a Branca e mim mesmo!

Racionalizar a irracionalidade, eis do que se trata, para que o pão não falte a quem dele, desesperadamente, necessite ...

Um grande Abraço


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 17 de Outubro de 2010

Jaime Latino Ferreira disse...

VOTOS II


Às 9 860 visitas, mais 90 consultas!


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 17 de Outubro de 2010

Linda Simões disse...

"Há coisas que se dizem em tese e que se não forem aplicadas ao concreto, ao concreto de cada um de nós, não significam absolutamente nada."

" E queremos o bem comum"


"e a verdade está onde? "

É. É uma tertúlia.

...

E vou dormir. Amanhã volto aqui (hoje),sem promessas,pois posso não cumprí-las...

E um beijinho de boa noite aos tertulianos, que são muitos


E não podemos mesmo fugir às responsabilidades

...

Linda Simões

Jaime Latino Ferreira disse...

LINDA SIMÕES


Desde que vá aparecendo, querida Amiga, já me dou por muito satisfeito!

Não prometas o que não sabes se podes cumprir ...

... e isso me basta!

Um beijinho


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 18 de Outubro de 2010