sábado, 29 de agosto de 2009

FACILITISMO

Quem se atreverá a dizer
ter sido
até aqui
fácil o meu caminho
-
Ter sido
ou continuar a ser
-
Facilitismo
-
Facilitismo é viver à sombra de fantasmas
de demónios
de medos
ectoplasmas
da superfície das coisas
sem olhar às demais loisas
-
Quem se atreverá a dizer
-
Quem terá o desplante
de olhar para o infante
sem ver os cabos que ao medo
ultrapassou de rompante
-
-
Jaime Latino Ferreira
Estoril, 29 de Agosto de 2009
Painel representando Bartolomeu Dias a dobrar o Cabo das Tormentas

6 comentários:

manuela baptista disse...

O cabo das Tormentas é o Cabo da Boa Esperança.
Só após a sua dobragem foi possível chegar à India.

E agora temos Bomtempo, não é?!

Manuela Baptista

Jaime Latino Ferreira disse...

MANUELA


Exactamente, é por bom tempo que esperamos!

Para que se chegue a todas as aparentemente inalcansáveis índias que, afinal, esperam por nós!!!

( Desculpem-nos a linguagem só aparentemente hermética )


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 29 de Agosto de 2009

Filomena disse...

Jaime,

Muitas vezes o facilitismo é viver também com os fantasmas que alguns vão criando à sombra dos fantasmas dos outros.

Gostei

Bons ventos até às Índias


Filomena

Ana Cristina disse...

Por aqui está muito bom tempo ;)diria até calor a mais neste final de Agosto,qual Cabo das Tormentas dobrado mas sem Cabo da Boa Esperança à vista.

Pois é Jaime,não nos cansamos nunca de esperar por bom tempo e por inalcansáveis destinos que, de certo, já desistiram de esperar por nós.

Não será altura de desejarmos tempestade em vez de bom tempo!?

Muitos beijinhos das margens do Douro cheias de luz.
Ana Cristina

Jaime Latino Ferreira disse...

ANA CRISTINA


Minha Querida,

Os destinos só desistem de esperar por nós se nós desistirmos de os alcançar e quer faça tormenta, tempestade ou haja esperança à vista.

Um beijinho


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 29 de Agosto de 2009

Jaime Latino Ferreira disse...

FILOMENA


Boa Amiga,

Fantasmas ...!

Somos um pouco fantasmas, biombos, interposições uns dos outros e nessa fácil acomodação, necessária, não o duvido, muitas vezes, perdemos o espírito crítico e a capacidade interrogativa que nos leve a deitar a baixo os cenários e a perguntar directamente:

Mas, afinal, quem sou eu e quem és tu!?


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 29 de Agosto de 2009