quinta-feira, 6 de agosto de 2009

POLÍTICA

Se a política perde a sua dimensão singular e logo a sua dimensão humana, esvazia-se e torna-se num monte de lugares comuns despidos de sentido, de objectivos, de ideologia, de um goal.
Se ela não pode, não pode mesmo (!) deixar de se rever nos partidos que à Democracia lhe dão substância e estes, os partidos, na profusão de grupos de interesses e lobbies que estruturam as sociedades modernas certo é que, revendo-se os partidos nestes ou naqueles interesses mais ou menos gerais mas perdendo de vista a dimensão singular, sua âncora e vulto ou contornos e que acima deles, dos partidos, deve presidir, logo eles se degradam em amálgamas abstractas que ao indivíduo, ao indivíduo singular, o tendem a esmagar e a cilindrar.
O descrédito na política que ao cidadão comum, um pouco por todo o lado, o faz dela alhear-se, explica-se, substancialmente, pela tese de que aqui parto.
Quem são as classes e os interesses, os nacionalismos patrioteiros incluídos, a que os partidos, sistematicamente, lançam mão?
O que é a esquerda ou a direita como se não fôssemos, singular e simultaneamente, uma e outra coisa?
Revemo-nos, porventura, numa só das lateralidades ao ponto de nos levarem a amputar e prescindir, abdicar da outra?
Haverá delas, das lateralidades ou do espectro político como das classes ou dos grupos de interesses, um quadro genérico que nos assente, individualmente, como uma luva?
Em que nos revemos, afinal?
Na parte ou no todo?
E não é o um ( 1 ), o indivíduo singular, a condição, a matriz do todo, do zero ( 0 ) e de uma visão global susceptível de verdadeiramente nos mobilizar no encarar dos desafios, eles mesmos candentes e globais, que nos interpelam?
Mozart foi um e, no entanto, excedendo-se maravilhou-nos e continua globalmente a maravilhar-nos como factor de respiração adicional.
E isto, como se pudesse ser sufragado (!), independentemente de haver muitos ou menos que o usufruam e oiçam ...
... e quanto, globalmente, não falta de respiração!
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Jaime Latino Ferreira
Estoril, 6 de Agosto de 2009

6 comentários:

manuela baptista disse...

Pergunta: O teu blog não está bom demais para a "saison"?

Põe-te bom, calça umas havaianas como as da nossa amiga Filomena e vamos para o Guincho apanhar com areia na cara!

Bora lá!

Manuela Baptista

Filomena disse...

Jaime!

Gostei do seu anterior texto " Estás aí".

Não quer dizer que não goste de política... mas é melhor ir adiante ou para trás e dizer que o seu texto anterior me encheu as medidas.

Beijinhos e bom passeio e boa praia se se resolveu a calçar as chinelitas...Ah, mas não o vejo nada de havaianas, não me parece que faça o seu estilo!


Filomena

manuela baptista disse...

Filomena,

Aí é que se engana! Não é o estilo do Jaime, mas quando vamos para a piscina chinelamos os dois e fazemos imenso barulho...

Um beijinho

Manuela Baptista

Alegria disse...

Um Presente para ti.

Bom Tempo
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque

Um marinheiro me contou
Que a boa brisa lhe soprou
Que vem aí bom tempo
O pescador me confirmou
Que o passarinho lhe cantou
Que vem aí bom tempo

Do duro toda semana
Senão pergunte à Joana
Que não me deixa mentir
Mas, finalmente é domingo
Naturalmente, me vingo
Eu vou me espalhar por aí

No compasso do samba
Eu disfarço o cansaço
Joana debaixo do braço
Carregadinha de amor
Vou que vou
Pela estrada que dá numa praia dourada
Que dá num tal de fazer nada
Como a natureza mandou
Vou
Satisfeito, a alegria batendo no peito
O radinho contando direito
A vitória do meu tricolor
Vou que vou
Lá no alto
O sol quente me leva num salto
Pro lado contrário do asfalto
Pro lado contrário da dor

Um marinheiro me contou
Que a boa brisa lhe soprou
Que vem aí bom tempo
Um pescador me confirmou
Que um passarinho lhe cantou
Que vem aí bom tempo
Ando cansado da lida
Preocupada, corrida, surrada, batida
Dos dias meus
Mas uma vez na vida
Eu vou viver a vida
Que eu pedi a Deus

manuela baptista disse...

As mulheres fazem uma boa política, não fazem?

MB

Jaime Latino Ferreira disse...

MINHAS QUERIDAS


Sem as mulheres, que configuração teria a política?

Um beijinho para todas


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 6 de Agosto de 2009